Sinopse

"- ...Só que aí você volta, e te amar é tão mais fácil...."

domingo, 31 de dezembro de 2017

Eu amo a Miley Cyrus - Capitulo 28



"Mas agora falando sério. Você acha que você e o Nick vão "comer sobremesa" depois do jantar? ".

Narrado por Josh
Los Angeles, Califórnia 11:30 AM (Horário Local) Set de filmagem.

Essa semana, as últimas e mais importantes cenas do filme estavam sendo gravadas. Todos estavam correndo de um lado pro outro no set, tentando apressar as coisas, pois com as festas de fim de ano chegando, os atores sairão de férias, então era preciso adiantar o máximo de cenas que pudéssemos.

Quanto ao Nick, bom, só digamos que se descontarmos a tarde que ele simplesmente resolveu se dar uma folguinha bem no meio da semana, o resto estava tudo dentro dos conformes. Pelo menos ele estava vindo trabalhar de muito bom humor todos esses dias, e embora eu ache isso tudo muito esquisito, já que ele costuma ser um limão azedo sempre que possível, eu é que não vou reclamar por ele parecer que viu um passarinho verde a cada novo dia... Melhor pra mim!

De repente o diretor mandou parar a cena que estavam gravando, conversou com os atores e depois mandou repetirem tudo. Nessa cena o personagem do Nicholas briga com o amigo que tenta abusar da personagem interpretada pela Delta.

- Ação! - A cena foi bem forte. O diretor pediu mais veracidade na briga e os atores tiveram que ter mais contato físico do que o planejado inicialmente. A cena ficou muito boa, mas o Nick acabou se machucando de verdade.

Nada grave, apenas um pequeno corte perto da sobrancelha.

- E corta! – O diretor parou a cena quando enfim estava totalmente satisfeito – Tudo bem aí, Jonas? – Ele perguntou e o Nick assentiu. Delta parecendo mais preocupada do que o necessário correu para cima do Nick tentando ver o que tinha acontecido enquanto ele insistia que estava tudo bem.

Eu chamei a equipe de primeiros socorros para fazerem o curativo e o Nick iria sobreviver.

Ele veio em minha direção parecendo bastante cansado de um dia cheio. Joguei uma toalha pra ele.

- Não ficou tão ruim! – Falei me referindo ao curativo e o Nicholas me deu um sorrisinho amarelo. Pegou seu celular e parecia bastante focado em checar suas mensagens. O que ele também fazia muito ultimamente. – Eu pedi o seu almoço e você tem cinquenta minutos de descanso antes da próxima gravação. Vai querer mais alguma coisa?

O Nick me encarou por um segundo e depois voltou para os seus próprios pensamentos. Ok. Ele está esquisito. Mas eu não tenho tempo pra isso, eu também tenho a minha vida.

- Aí, se não precisa de mais nada eu to indo almoçar. Tô cheio de fome! – Disse – Você vai ficar bem?

Ele demorou uns dez segundos ou mais pra responder.

- Vou, eu to legal. – Ele disse rapidamente – Você pediu bife, né?

- Éh, com fritas e suco de abacaxi, como sempre. – Repeti o pedido que sempre faço pra ele num tom de obviedade. – Tem certeza que você tá bem?

Mais dez segundos...

- Tenho. – Fez uma pausa - Ah e, valeu! – Agradeceu e então me ignorou completamente antes de seguir pro seu camarim ainda com a atenção voltada para o telefone.

Bom, agora eu não tinha tempo pra lidar com as esquisitices e anormalidades do Nicholas. Tinha uma lasanha bolonhesa esperando pra ser devorada por mim.

(...)

- Nick, cinco minutos! – Disse parado na porta do camarim dele e ele berrou um ok de volta de dentro do banheiro.

Sem ter muito o que fazer eu entrei e peguei um refrigerante no frigobar. Enquanto dava uma olhada ao redor dei de cara com a tela do notebook do Nick expondo o e-mail dele aberto. Normalmente eu não fazia o tipo enxerido, mas ao ler o nome de um dos produtores mais influentes de Los Angeles no corpo do e-mail eu tive que dar uma olhadinha.

“Caro Nick Jonas
Eu com certeza estou interessado na sua proposta, mas não tenho como te dar uma resposta definitiva antes de conversarmos pessoalmente. Só posso garantir que se tiverem alguma coisa nova eu com certeza quero ser o primeiro a ouvir. E olha, se precisar também posso te indicar um bom agente, vocês vão precisar de um pra dar inicio a essa nova fase.
Att.
Steve Adam”

O Steve Adam era praticamente uma lenda do ramo musical. Ele era o cara por trás das maiores bandas, dos melhores shows. Se algum cantor estava no topo das paradas podia ter certeza que ele tinha alguma coisa a ver com isso. 

E pelo visto ele e o Nicholas estavam conversando sobre algum projeto. Só que eu não fazia nem ideia do que poderia ser,  porque o Nick me deixou de fora dessa!

Eu fiquei com um nó na garganta ao reler o e-mail e me dar conta da parte final. Um novo agente. O Steve estava aconselhando o Nick a conseguir um outro agente! Provavelmente um que cobra o triplo do meu salário e usa sapatos de legítimo couro italiano.

Deve ser por isso que o Nicholas está agindo assim tão esquisito. Ele deve estar tentando achar uma forma de me demitir!

- E aí Josh, vamos? – Nick parou em frente ao espelho e eu ainda estava sentado na cadeira de frente para o notebook totalmente chocado. – Eu pedi pras maquiadoras disfarçarem o corte, você acha que dá pra notar? – Ele perguntou e eu continuei calado. – Josh?

- Por que você não me disse antes? – Murmurei alto só o suficiente pra ele ouvir

- Não disse o quê? – Ele perguntou como que inocentemente.

- Como o quê?! – Levantei-me e o encarei. Nicholas continuava com cara de quem não está entendendo nada – Que estava com um novo projeto envolvendo Steve Adam?! Ou mais importante, por que não me disse que está procurando um novo agente?!

- Espera! Josh, você não entendeu...

- Ah eu entendi muito bem! Eu sou totalmente descartável pra você! – Apontei o dedo na cara dele – Olha, pra mim você não era só um cliente. Você era um amigo. Eu cuidava da sua carreira como se fosse a minha própria e eu esperava pelo menos um pouco mais de consideração da sua parte, mas acho que isso era pedir demais, não é?

- Josh...

- Não, tudo bem. Eu vou embora. Amanhã peço pra alguém entrar em contato pra gente tratar da parte burocrática o quanto antes. – O Nick viu o computador e juntou as coisas bem rápido, ele é bom nisso. Suspirou alto e eu ia sair pela porta, mas antes...

- Josh, isso não é sobre mim! – Retrucou

- Como assim?

- Esse e-mail que você leu, o tal “projeto” não é meu! – Ele fez uma pausa acho que pensando se me contaria ou não – Eu só entrei em contato com o Steve pra tentar ajudar uma amiga. Eu o conhecia da época em que eu tinha uma banda com os meus irmãos e agora que o Kevin trabalha com ele me arrumou esse contato. Sei da influência dele no ramo musical e como sabia que ele estaria na festa do Mallone no sábado, achei que seria uma boa ideia falar com ele e tentar ir adiantando o lado dela.

Eu fiquei quieto. O Nick não parecia estar mentindo, até porque o Nick é um péssimo mentiroso e não era tão inteligente pra inventar uma desculpa dessas tão rápido.

- Eu estava esperando pela resposta dele há dias e ele só me respondeu agora e eu nem sei qual deve ser o próximo passo. – Continuou essa parte um tanto frustrado – Eu estava animado achando que ele me daria uma resposta definitiva. Agora eu não posso nem contar a ela e fazê-la criar expectativas só pra depois frustrá-las caso não dê certo!

Ele parecia realmente preocupado. Preocupado demais. Tá legal, me dá um crédito. Eu não sou tão idiota quanto pareço.

- Tá, e assim, só por curiosidade, essa sua amiga de quem você tá falando pra ele, por acaso é a Miley Cyrus? – Eu fiz a pergunta embora já tivesse certeza da resposta.

- É, é ela – Afirmou. Agora faz mais sentido! – Mas, por favor, não comenta isso com ninguém!

- Tá, pode ficar tranquilo. – Concordei - Mas, só me explica por que isso tem que ser um segredo de estado?

- Bom, não precisa ser um segredo, ou pelo menos não vai ser por muito tempo se tudo der certo. Mas por enquanto eu não quero que ninguém saiba, acho que é mais seguro assim. A Miley é extremamente orgulhosa. Eu não quero nem pensar no que ela pode achar se souber que eu me meti nisso! – Fez uma pausa – Há uns dias eu entrei em contato com o ex-agente dela e sabe o que ele me disse? – Ele me olhou e eu neguei – Que ela vinha recusando por e-mail todos os trabalhos que apareceram no último ano.

- Éh, ela tava morando fora e queria dar um tempo na carreira dela. – Repeti o que todo mundo sabia a respeito do desaparecimento da Miley dos holofotes.

- É aí que está o problema. A Miley não queria dar uma pausa na carreira. Ela acha que não recebeu proposta nenhuma no último ano, você entende? – Ele continuou seu raciocínio – Tem alguma coisa muito errada nessa história. Por isso eu pedi ao Steve pra também me indicar um bom agente pra ela e foi essa parte que assustou você!

- Desculpe! Eu achei que estava sendo substituído e fiquei chateado. – Admiti - Mas você tem razão, isso é muito estranho mesmo. Ela dizer que não recebeu nenhuma proposta após ter recusado todas elas... – Eu estava tentando entender, mas não fazia nenhum sentido pra mim - Bom, de qualquer forma a Miley não tem um contrato continuado com a Holywood Records? Pelo menos quanto a isso ela não tem que se preocupar, pertence ao hall de uma das gravadoras mais importantes do mundo e o Mallone nunca iria abrir mão dela. Ela é praticamente uma das galinhas dos ovos de ouro dele!

- Só que ele já fez isso! – Nick retrucou

- O que? Não. – Custei a acreditar - Você só pode estar brincando, ele não faria isso. Seria burrice!

- Pois pode acreditar. – Ele andou de um lado pro outro do camarim - Eu também ainda não consegui entender, a Miley é uma das melhores artistas dos últimos tempos! Sempre esteve nos topos das paradas e tirando o último ano que foi o único que ela não lançou nada, ela com certeza dava muito lucro pra gravadora do Mallone. Por que ele iria querer perdê-la?

- Eu não faço à menor ideia. Se pararmos pra pensar não faz sentido. Nada disso faz... – Murmurei - A não ser que alguém quisesse ela fora! – Falei um pensamento que me veio à mente – E alguém poderoso, pra fazer o Mallone desistir assim dela e ainda conseguir driblar o agente.

Nick ficou quieto, pensativo. Talvez ele tivesse algum suspeito, mas se tinha, não quis dividir comigo.

- Nicholas... – Ouvimos uma batida e quando nos viramos Delta estava parada na porta – Estamos só aguardando você pra recomeçar! – Ela sorriu

- Eu já to indo, obrigada. – Ele disse e ela saiu. O Nick também se encaminhou até a saída – Josh, se você estiver mesmo certo, tem só uma pessoa que pode nos confirmar isso: o próprio Mallone.

- E você acha que ele te diria?

- Eu não sei, mas eu te garanto que ele me dizendo ou não eu vou descobrir! – Ele falou com total convicção antes de ir gravar mais uma cena.

(...)

Enquanto o Nicholas trabalhava, eu também estava trabalhando pra ver se conseguia mais alguma pista sobre o caso Miley Cyrus.

E eu acabei achando uma coisa.

O Nick mal passou pela porta do camarim dele no fim do dia e eu já fui falando.

- Nick, vem cá, olha só isso! – Falei e ele veio olhar a tela do notebook - Você tinha dito que a Miley encerrou o contrato com a Holywood Records, certo? – Perguntei e ele assentiu – Mas se entrarmos no site deles as músicas dela ainda estão disponíveis pra download. Isso é porque se o contrato dela é semelhante ao seu, eles ainda tem direitos sobre as músicas regravadas por eles, mesmo após a quebra do contrato.

- O que quer dizer que mesmo ela estando fora eles ainda podem lucrar nas costas dela! – Ele entendeu rápido.

- Exatamente! É dano zero pra eles. Mas isso nem é o pior. Como ela ainda aparece aqui como se pertencesse ao hall de músicos deles e não foi divulgada nenhuma nota sobre a quebra de contrato dela, as coisas ficam ainda mais complicadas. Provavelmente nenhuma gravadora sabe que a Miley está disponível e é por isso que ela não recebe propostas de ninguém. É como se eles quisessem que ela nunca fosse contratada por outra gravadora!

- Eu sabia! – Ele vociferou – Não tinha como a Miley simplesmente não receber um convite de outra gravadora... ela é a Miley Cyrus! Eu sabia que tinha mais coisa nisso.

- Bom, nós conhecemos o estilo do Mallone, ele não é a minha pessoa preferida no mundo, mas se ele quisesse destruir mesmo a carreira da Miley ele teria meios pra fazer isso. Meios sujos claro, mas ele faria. Acontece que pelo que eu to vendo aqui a intenção dele não é realmente prejudicá-la, só colocá-la na geladeira um pouco, entende? Provavelmente levá-la ao esquecimento, algo mais sutil, que definitivamente não tem a cara do Mallone.

- É claro que ele quer prejudicá-la Josh! Talvez não estampando ela nas capas de revista com publicidade ruim, mas o que ele está fazendo no fim das contas dá praticamente no mesmo! – Nick retrucou irritado.

- É, mas eu já vi o Mallone acabar com a carreira de alguns artistas e nunca foi algo tão pacífico. É como se ele a tivesse demitido e quisesse não fazer barulho nenhum sobre isso. E pelo visto nem a Miley, já que a primeira coisa que ela deveria ter feito era divulgar uma nota sobre não ter renovado contrato com eles...

- A Miley tá sem agente e ela provavelmente nem se deu conta disso. Ela tá passando por uma fase bem ruim com o divorcio dos pais e mais um monte de coisas, e agora mais isso... Eu nem sei como vou contar pra ela. – Nick baixou os olhos como que imaginando como seria ter que dizer essas coisas a ela.

- Não, é melhor não falar nada pra ela, isso só a deixaria mais pra baixo. – Disse – Além do mais, eu posso cuidar disso. Vou tratar de divulgar a nota oficial da disponibilidade dela e tenho alguns bons contatos de donos de gravadoras que com certeza vão ter interesse na sua “amiga”.

- Você tá mesmo falando sério?! – Ele sorriu ainda um pouco incrédulo.

- É claro que estou. Ela é a Miley Cyrus. – Frisei - E se eu fosse você também não descartava o Steve Adam. No e-mail ele estava sendo cuidadoso com as palavras, provavelmente por motivos óbvios, mas ele está interessado. Se não estivesse nem te responderia.

- Éh, acho que você tem razão! – Nick concordou e parecia bastante satisfeito agora.

- É claro que eu tenho razão! – Repeti com obviedade - E sabe de uma coisa, até que pra quem não sabe nada sobre agenciar uma carreira você até que se saiu bem. – Murmurei e ele me olhou de esguelha.

 - Valeu Josh! – Ironizou, mas logo o seu sorriso voltou - Agora eu só preciso fazer com que ela esteja no lugar certo, na hora certa. – Ele disse e eu juntei dois mais dois.

- Ah, então é ela que você vai levar na festa do Mallone? Não sei por que não pensei nisso antes... - Falei

- Qual é, Josh, dessa vez o meu convite foi totalmente profissional!– Defendeu-se e eu só achei graça. Ele achava mesmo que eu iria acreditar nisso?! Fez uma pausa e sorriu com aquela típica cara de bocó, provavelmente pensando nela – E se eu tiver sorte e essa coisa toda funcionar, quem sabe ela vai ter um bom motivo pra ficar.

- Ficar aqui ou com você? – Questionei e ele alargou o sorriso.

- Por mim poderia ser os dois! – Respondeu prontamente – Eh... Os dois ia ser perfeito!

Narrado por Demi
Los Angeles, Califórnia, 19:25 PM (Horário Local) Apartamento do Nicholas.

- AMOR, O BANHO DA MELL JÁ TÁ PRONTO, MAS EU NÃO CONSIGO ACHAR O PATINHO DE BORRACHA, VOCÊ VIU? – Joe berrou lá de dentro do banheiro.  – DEMI! – Continuou – O XAMPU PRA USAR É O ANTICASPA OU O REPARAÇÃO PÓS-QUÍMICA?!

Eu e Miley nos entreolhamos. Ela tinha acabado de chegar e eu estava me dividindo entre fazer o jantar e recolher a bagunça de três crianças. Quatro, se contarmos o Joe.

- Deixa que eu termino aqui, vai lá ver do que ele precisa – Ela disse – antes que ele deixe a sua filha careca.

- Se a Mell chegar aos cinco anos com um pai como o Joseph, eu juro que vou escrever ela no largados e pelados quando fizer seis. – A Miley riu do que eu disse, mas não era brincadeira. - Se ela sobreviver tanto tempo ao Joe é por que aguenta qualquer coisa!

- DEMI! ELA NÃO QUER ENTRAR NA BANHEIRA, ACHO QUE ELA QUER O PATINHO! – Joe berrou de novo e a Miley tomou de mim o esmagador de batatas pra continuar o que eu estava fazendo, não que faltasse muito, já que eu estava amassando as batatas imaginando que era a cara do Joe.

- Só vai lá, rápido! – Ela disse.

- Ah, pode deixar, eu vou lá! – Comecei - E quando eu achar o patinho vou dar com ele bem no meio da cabeça de vento do Joe! – Avisei e Miley me olhou de forma repreensiva – Que foi? Ele está com sorte que eu não vou enfiar naquele lugar!

- Demi! – Ela ralhou e eu rolei os olhos. O Joe me estressa às vezes! Ele chegou aqui tem menos de duas horas e juro que o meu nome já foi repetido sendo berrado pela casa mais de cinquenta vezes pelos motivos mais idiotas que se possa imaginar.

E sabe naquele um minuto de loucura que todo mundo tem todo dia? Bom, no meu minuto de loucura eu me imaginei mudando de identidade e indo morar na Eslovênia!

- DEMI! - Joe

Quanto será que custa uma passagem pra Eslovênia?

Eu marchei até o banheiro enumerando todas as babaquices do Joe que eu tive que consertar nessa casa só hoje e juro que tive vontade de pedir o divórcio! Mas quando eu abri a porta do banheiro, deparei-me com uma das cenas mais fofas que eu já vi na vida.

A minha princesinha numa banheira de espuma mordendo seu patinho de borracha favorito enquanto o maluco do pai dela fazia alguma coisa no cabelo dela. Joe passou o xampu e arrumou todo o cabelinho da Mell pra cima como que formando um estilo moicano e ela ficou uma gracinha.

- Olha só amor, um bebê roqueiro! – Ele contou animado – Vamos lá minha filha, toca sua guitarra pro papai, toca! – Joe fingiu tocar uma guitarra invisível esperando que a Mellzinha repetisse o gesto, o que obviamente não aconteceu já que ela é só um bebê. Mas ela se animou e ficou toda sorridente. – Viu só? Ela adora rock! Essa é minha filha! – O Joe pegou a mãozinha da Mell e fez o símbolo de adoração ao rock com os dedinhos minúsculos e gordinhos da nossa filha.

Eu queria tirar uma foto pra que esse fosse o nosso cartão de natal desse ano.

Sorri ficando um pouco mais relaxada. Embora na maior parte do tempo eu realmente quisesse matar o Joe, algumas vezes, raras vezes, mas elas de vez em quando aconteciam, eu o achava o melhor pai do mundo.

A sensação de relaxamento durou apenas um minuto.

- Espera, qual dos xampus você usou? – Lembrei

- Sem lágrimas – Ele respondeu pegando o frasco pra mim, ele tinha usado o xampu certo.

Admito, fiquei chocada.

- E como é que você sabia que era esse? – Perguntei

- É que tinha um bebê no rotulo, então eu deduzi que devia ser esse! – Ele falou tranquilamente enquanto terminava o banho e levava a Mell pra trocar.

(...)

Narrado por Miley
Los Angeles, Califórnia, 19: 40 PM (Horário Local) Apartamento do Nicholas.

- Amor, eu não sei por que é que você está brava comigo! – Joe seguia a Demi de volta pra sala com uma Mell toda arrumadinha e cheirosinha nos braços.


- Bom, além dos outros zilhões de motivos, você não sabe nem qual é o xampu da sua filha! – Demi retrucou – E olha que ela é a sua única filha, Joseph!


- Mas bombom, todo mundo olha a foto no rótulo pra ver essas coisas! – O Joe se defendeu – por exemplo, comida de cachorro. Você saberia identificar se era mesmo comida de cachorro se não viesse um cachorro estampado na embalagem? – Até que ele tem razão.


- Ótimo, agora estamos comparando a minha filhinha a um cachorro! – Demi dramatizou e virou-se pra mim – Miley, diz alguma coisa!


- Prefiro ficar fora dessa! – Aleguei 


- Eu tô com o Joe nessa! – Frankie falou – Todo mundo vai pelo rótulo, sério. Uma vez o Nick e eu colocamos comida de cachorro numa lata escrito almôndegas e o Kevin e o Joe comeram tudo.


Todos encaramos o Joe.


- Tá vendo só, amor?! Eu disse que... – Ele parou. Acho que finalmente raciocinou sobre o que o Frankie disse – Espera, aquilo era comida de cachorro? – Questionou o irmão, irritado. – Droga! Por isso que eu comprei diversas vezes a mesma marca de almôndegas e elas nunca tinham o sabor daquelas! – Ele pareceu realmente decepcionado.


- Que panaca! – Jenny exclamou balançando a cabeça e todos permanecemos encarando o Joe.


- Tá bom, eu desisto! – Demi – Eu não tenho mais condições psicológicas pra fazer o jantar então vamos todos sair e comer alguma coisa. – As crianças se animaram – Mas nem pensem em pedir almôndegas ou eu juro que vou estrangular alguém! – Ela avisou


O Joe e as crianças foram na frente, a Noah me pediu permissão pra ir junto e eu deixei. A Demi apenas se jogou no sofá suspirando profundamente. Acho que ela precisava de um segundo. Sentei-me ao lado dela.


- Se quer um conselho compre o maior número de coisas com um bebê no rótulo que você conseguir. – Falei e ela sorriu


- Só consigo pensar que depois de hoje eu nunca mais vou poder comprar aquele papel higiênico macio que tem um bebê na embalagem. – Suspirou - Vou ficar com medo do Joe confundir com as fraudas dela... – Comentou e eu tive que rir – Mas e aí, você vem com a gente?


- Ahn, acho que não. Eu vou dar uma olhadinha no papai e depois vou pra casa, estou meio cansada. – Me queixei e o Joe tocou a buzina chamando a Demi. Ela levantou pra ir, mas antes me olhou.

- O Nick deve estar pra chegar... – Ela disse assim como quem não quer nada. 


Eu sorri.


- Ok. E daí? – Me fiz de desentendida


- Bom, e daí que eu acho que nós vamos demorar bastaaaante a voltar!  – Ela pegou sua bolsa e piscou pra mim antes de sair.


Essa Demi era sutilmente terrível. 


Eu suspirei.


Eu até pensei em deixar pra ver o papai amanhã de manhã, no horário em que eu tenho absoluta certeza que o Nicholas estará no trabalho, e assim evitaria um embaraçoso reencontro com ele, dado as nossas atuais “circunstâncias”. Mas a verdade é que eu tinha vindo até aqui hoje pois tinha um assunto pendente e nem um pouco agradável pra conversar com o meu pai. 

E como o que eu tinha pra falar com ele não ia ficar menos complicado com o passar do tempo, era melhor eu fazer isso logo de uma vez.

Caminhei para o quarto dele e bati na porta de leve.


- Pai, posso entrar? – Perguntei colocando só a cabeça pra dentro.


- Claro, querida. – Ele levantou os olhos pra me olhar, estava sentado na cama lendo. Assim que eu entrei e me sentei na ponta da cama deixando um suspiro escapar, papai deixou o livro de lado e me encarou – Algum problema, filha? – Pensei bem, eu não sabia como contar a ele, mas era melhor dizer de uma vez, tudo bem que não seria menos dolorido pra ele, mas eu acho que seria bem mais simples de dizer.


Tomei todo o ar que eu conseguia comportar dentro dos meus pulmões e depois soltei tudo de uma vez só.


- Eu não vim antes por que eu não sabia como te contar isso. – Fiz uma pausa e então só continuei - Mamãe foi embora de casa e eu acho que ela saiu da cidade também. – Falei rápido e tentei ao máximo não encará-lo, papai não pareceu surpreso embora eu tivesse sentido as minhas palavras o abalarem um pouco.


- Eu já sabia, filha. – Ele disse e eu esperei que ele me dissesse quem tinha contado – A Noah me contou tudo que aconteceu naquela noite – Acho que com “tudo” ele estava se referindo a minha estadia no hospital também. Ele suspirou antes de continuar – Você está melhor? – Perguntou-me 


- Eu tô bem. – Eu disse sem a menor convicção de que realmente estava. 

Ele apenas assentiu.


- Então, ela foi mesmo embora não é? - Sua voz soou calma, mas eu sabia que ele não estava. – E você sabe pra onde? – Apenas neguei com a cabeça. Ficamos um tempo em silencio – Eu não entendo, eu saí de casa justamente pra ela não precisar sair, eu nunca pedi a ela que... – Interrompi


- Eu sei disso pai, – Murmurei – ela saiu porque quis, acho que foi mais encargo de consciência do que qualquer outra coisa! – Disse firme e amargurada, eu sei que não deveria falar assim, mas essa ida dela ainda estava entalada na minha garganta. Nada me tirava da cabeça que ela só podia ter ido viver com o amante.


Papai não disse nada, sei que ele provavelmente pensou na mesma possibilidade que eu, mas ele não comentaria comigo, ele não era do tipo que falaria mal da mãe pros filhos. 

Além do que seria demais pedir pra que alguém tão orgulhoso quanto ele comentasse a respeito de ter sido deixado de vez.


Depois disso o orgulho dele devia estar muito ferido.


Joguei-me na cama ao lado dele, deitando minha cabeça em seu colo, deixei que ele percorresse seus dedos levemente por entre os fios do meu cabelo.


- Sabe o que eu acho?! – Falei depois de algum tempo – Acho que ela é maluca por ter deixado você!


Papai suspirou.


- É filha, talvez eu também seja, por ter deixado ela ir. – Confessou


Eu não queria realmente entrar nesse assunto. Sabia que o papai ainda a amava e o quanto isso provavelmente o estava despedaçando por dentro, então decidi falar de outra coisa.


- Estive pensando na nossa viagem pra fazenda durante o feriado. Acho que poderíamos ir um pouco antes pra aproveitar mais lá, o que acha?!


- Mas o feriado é só no próximo fim de semana, Miley. Ainda temos tempo. – Ele disse.


- Eu sei pai, mas eu acho que a gente ta precisando disso. – Aleguei. Achei que eu estivesse com os olhos marejados por isso limpei discretamente. – E qual é, você nunca recusava uma viagem de férias em família pra fazenda, o que está havendo com você? – Papai apenas sorriu. Não era um sorriso de felicidade, era só uma espécie de alivio. Isso era tudo o que tínhamos.


- Olha, pra falar a verdade eu acho essa uma ótima ideia! – Aprovou.- Vou falar com a sua irmã e nós iremos quando vocês quiserem!


 (...)


Eu saí do quarto dele um pouco depois. Tinha sido uma conversa com o inicio tenso e pesado, mas que acabou ficando bastante leve no fim. 

Eu só esperava ter conseguido não demonstrar pro meu pai o quanto a ida da mamãe tinha me deixado desconfortável, quer dizer, ele já tinha tantos problemas, eu não iria contar a ele sobre as minhas desconfianças sendo que eu nem tenho certeza de nada. 

Por mais que uma parte de mim quisesse falar, eu não poderia. Nunca conseguiria dizer algo que pudesse magoá-lo desse jeito.


Quando eu voltei pra sala apenas peguei o meu casaco pra vesti-lo e depois ir pra casa, conforme o planejado. Só que antes que eu pudesse seguir pro meu destino o Elvis pulou em mim e me lambeu, pedindo um pouco de atenção e era absolutamente impossível negar qualquer coisa pra aqueles grandes e expressivos olhos caninos.


Eu brinquei um pouco com ele, mas eu acho que ele queria mesmo era ser levado pra passear. Os sinais estavam ficando cada vez mais claros, desde arranhar a porta da frente até me trazer a guia da coleira entre os dentes. 

Acariciei o seu focinho, ele era um cachorro muito esperto e era uma graça o jeito dengoso como ele se enrolava pra receber carinho na barriga.


E outra vez os grandes e expressivos olhos em minha direção. Ele cheirou e lambeu a minha mão que estava segurando a guia como se pudesse dizer “coloca logo isso em mim, vamos passear!” e ele era bom nisso, deve ter puxado essa lábia do dono.


- Tá bom, você venceu! – Sentei no sofá e comecei a tentar prender a guia em sua coleira – Vamos passear!


Narrado por Nick


Eu cheguei em casa como em qualquer outro dia. Entrei, deixei minhas coisas em cima de um móvel no corredor e caminhei até a sala.  Antes de entrar no cômodo eu dei de cara com a Miley sentada no meu sofá, afagando o meu cachorro. 


Ela alisava pelo dele de maneira carinhosa e ele se rendia todo derretido as suas carícias. Ok, eu não era lá a melhor pessoa pra julgá-lo quanto a isso, de qualquer jeito. Fez com que ele subisse em seu colo pra poder mexer na coleira e ele lambeu a bochecha dela, fazendo-a rir. 


- Elvis, vê se fica quieto! Senta! – Ela tentava controlá-lo sem sucesso e em meio a mais lambidas e fungadas do meu cachorro, ela ria mais. O som da sua gargalhada era tão gostoso de ouvir, dava vontade de rir junto.


É, acho que eu poderia me acostumar com isso, com ela fazendo parte do meu cotidiano. 


Eu fiquei só ali parado vislumbrando aquela cena e lembrando o quanto eu amava esse som, o som da risada dela. Nunca saberia explicar exatamente por que isso me fez imaginar como seria chegar em casa e ter isso, essa mesma cena, todos os dias. 


Me imaginei em um mundo onde eu voltaria pra casa e ela estaria ali. A mulher que eu amo rindo e brincando com o meu cachorro no meu sofá. Só que no meu mundo, ela estaria fazendo isso enquanto me esperava voltar. E depois que eu chegasse, abriria a porta e ouviria a sua risada ecoando pela casa e correria pra sala feliz, a tomaria em meus braços e ela me receberia com um beijo apaixonado. Então iríamos sorrir um pro outro e falar qualquer coisa sobre como foi o dia, daí sair pra jantar talvez, ou só ficar em casa mesmo, vendo um filme e depois fazer amor ali naquele sofá. Não importava muito o contexto, contanto que fosse com ela. Não conseguiria pensar em mais nada que me parecesse tão perfeito quanto isso... Tão perfeito quanto ela na minha vida. 


Eu sabia que deveria entrar, mas eu não queria estragar o momento, então permaneci parado ali por mais alguns segundos, só o tempo necessário pra gravar aquela imagem dela sorrindo na minha memória.


A Miley finalmente conseguiu colocar a guia na coleira do Elvis e então veio com ele em minha direção, ou melhor em direção a porta de entrada.


-Oi! – Falei finalmente anunciando a minha chegada.


- Oi! – Ela me cumprimentou e o meu cachorro pulou em minhas pernas pra me receber, mas ele era um cachorro esperto e depois de me dar as devidas boas vindas, tratou de voltar pro lado da Miley.  – Eu não vi você aí. Faz tempo que chegou?


- Não! Não, eu acabei de chegar. – Falei olhando sua carinha tímida ao dar de cara comigo.


– Achei que você ainda ia demorar um pouco pra chegar. – Falou um tanto incerta – Eu tinha vindo ver o meu pai e acabei ficando um pouco mais, com ele. – Apontou pro Elvis – Ia levá-lo pra passear, você não se importa né?


- Não, de jeito nenhum. – Eu me agachei e fiz um carinho no Elvis – Eu não tenho tido muito tempo pra ele ultimamente. O pobrezinho deve estar mesmo carente! – Disse e ela sorriu. Eu cheguei mais perto e deixei o meu cachorro me lamber – Você deve estar louco pra sair daqui, né amigão?!  – Ele latiu como se pudesse me responder e eu acariciei seu focinho, então olhei pra Miley – Tudo bem se eu for junto?


- ahn... Claro. Sem problemas. – Ela concordou e nós saímos.


(...)


Nós descemos o quarteirão, com um Elvis eufórico. 

 Ao passar em frente da casa dos Morris, a senhora Morris nos cumprimentou com um enorme sorriso. Ela era nossa vizinha há anos e acho que ficou empolgada por ver a Miley e eu saindo juntos depois de tanto tempo. 

O nosso bairro era residencial, nada das festas badaladas e nem o transito louco do centro de Los Angeles. Não tinha nada disso por aqui, era tudo sempre igual, quieto e monótono. A maioria dos residentes de uns quinze anos atrás ainda estava por aqui. Na verdade, acho que se eu fechar os olhos tudo aqui ainda é exatamente igual ao que eu consigo me lembrar de quando era um adolescente. 


Eu olhei pra Miley e ela me olhou de volta. Isso era uma outra coisa que continuava igual: Eu ainda era vizinho da garota mais bonita da rua. E ainda era completamente apaixonado por ela também, diga-se de passagem. 


Ainda lembro de olhar pela minha janela e vê-la andando de bicicleta ou conversando com suas amigas. A Miley era a típica abelha rainha e estava sempre rodeada de gente. Não era só bonita, era famosa e talentosa, a estrela pop número um da América, pelo menos era isso que eu tinha lido sobre ela em algum lugar. Eu sabia que não deveria chegar nem perto, ela definitivamente não era pra mim. Mas como qualquer moleque desavisado eu continuei olhando pra ela.


É um erro bem comum na verdade, se apaixonar por quem não deveria. Todo mundo comete. Eu sempre soube que eu não era exatamente o “tipo” dela, mas no fim das contas naquela primeira festa em que ela disse que odiava a minha camisa, mas que ainda assim queria me conhecer melhor, eu não pude evitar me apaixonar completamente por ela. E eu nem sei por que ela me escolheu, a única coisa que eu sei é que desde quando ela me olhou pela primeira vez eu soube que onde quer que eu tenha me metido não tinha mais volta...


Acho que eu fiquei olhando por tempo demais. A Miley chegou mais perto e o meu coração disparou. Nós não tínhamos mais nos visto desde a última vez que saímos então eu queria muito saber em que ponto estávamos a partir daí, porque se tratando da gente nunca dá pra realmente saber...


Ela tocou meu rosto e com as pontas dos dedos contornou o local do curativo.


- Você está bem? – Perguntou analisando-me – O que foi isso?


- Ah, isso? – Apontei – Não se preocupa, não foi nada. É só uma lembrancinha de uma cena de ação que gravei hoje. – Respondi um pouco inquieto com a nossa proximidade, pois com ela perto assim ficava bem difícil controlar a vontade que eu estava de beijá-la. – Mas eu tô bem, juro! – Sorri


- Você devia tomar mais cuidado. Essas cenas podem ser perigosas, você poderia ter se machucado pra valer! – Ela disse com o rosto ainda muito próximo do meu e sua demonstração de preocupação, confesso que me deixou bem feliz.


- Eu sei e foi só um arranhão, sério! – Garanti e aproveitei para acariciar seu rostinho preocupado e lindo. – Mas se eu soubesse que você se preocuparia assim comigo, eu até poderia ter arrumado um machucado mais grave... – Sorri dizendo isso e ela me deu um tapa no braço.


- Idiota! – Me estapeou de novo - Eu aqui preocupada com você e você fazendo piadinha com a minha cara! – Ela rolou os olhos e ia se afastar, mas eu a puxei pra perto novamente.


- Não é piada. – Afirmei – Você sabe que não é! E também sabe exatamente o que eu quero! - disse um pouco mais baixo, abusando do que eu julgo ser a minha voz sedutora e tentei beijá-la, mas ela não deixou.


- Só vê se toma mais cuidado. Porque o que eu não quero é que se machuque! – Ela falou e voltou a se afastar, quebrando o nosso contato visual.


Eu fiquei um pouco perdido, parecia que eu nunca sabia o que dizer e nem o jeito certo de agir quando se tratava da Miley. Quer dizer, eu estava esperando ela me dar algum tipo de sinal verde, sei lá, algum espaço pra poder agir, mas desde a última vez que saímos eu tenho a impressão de que ela está tentando me evitar. Não me procura, não responde as minhas mensagens, é como se tudo estivesse exatamente como era antes da gente tentar “isso”.  E, cara, eu não sei se sou o tipo de cara que sabe como lidar com essa situação.  Quer dizer, eu sei que quero ficar com ela, mas parece que toda vez que damos um passo pra frente logo em seguida damos mais dois pra trás.


Eu respirei fundo. 


- Me desculpa, eu não quis ser... inconveniente. – Tentei achar a palavra que se encaixava mais a situação.


- Tudo bem, não foi! – Ela respondeu ríspidamente e nós continuamos descendo o quarteirão.

Eu precisava manter a cabeça no lugar se quisesse realmente conseguir reconquistá-la. 
A Miley nunca foi fácil, e é claro que se tratando da gente ela ia ser mais teimosa do que nunca, pois pra ela qualquer coisa entre nós é terminantemente impossível de dar certo devido aos nossos erros do passado.


- Ei! Tem um parque bem próximo daqui. Pensei na gente dar uma passada lá pro Elvis correr um pouco. Topa? – A Miley me olhou incerta, provavelmente estava pensando se sair comigo “em público” era uma boa ideia. - Lá é bem tranquilo em dia de semana. – Fiz questão de acrescentar.


- Pode ser... – Ela disse sem parecer se importar muito e nós fomos.


 (...)


Iniciei um jogo de pegar com o Elvis, só pra deixá-lo correr livre pelo gramado. 

A Miley estava ali próxima, apenas nos observando. Eu joguei a bolinha vermelha pra ela, pra que ela também pudesse participar da nossa brincadeira. E como ela sempre fora apaixonada por animais e levava o maior jeito com todos eles, não demorou muito pra que o meu próprio cachorro preferisse brincar apenas com ela e me deixasse de escanteio.


Era a quinta vez e contando que eu atirava a bolinha, o Elvis buscava e ao invés de trazer de volta pra mim ele levava pra Miley...


- É, leva a bola pra ela mesmo! É ela quem te alimenta e leva pra passear, é ela quem limpa a sua sujeira... Traidor! – Esbravejei e a Miley gargalhou afagando o pelo de um Elvis que latia e abanava o rabo todo feliz, não me dando à mínima.


- Parece que seu cachorro gosta mais de mim do que de você, Jonas! – Tirou sarro, apostos pra atirar a bolinha pra que um Elvis todo obediente fosse imediatamente buscá-la. 


O sorriso dela era mesmo contagiante. Eu me sentia feliz instantaneamente, só de olhar.


Fui até ela.


- É claro que ele gosta. – Disse me aproximando e ela ainda ria – É fácil gostar de você. Quer dizer, olha só pra você. - Eu estava olhando em seus olhos. Estávamos perto, só a uns dois passos um do outro – Se fosse ele eu também te escolheria! 


O Elvis latiu avisando que já estava de volta com sua bolinha. Miley se agachou a pegou da sua boca, ia atirá-la de novo, mas eu não deixei.  Ao invés disso eu mesmo lancei a bola o mais longe que consegui, acho que ela foi parar do outro lado do parque e o meu cachorro se botou a correr atrás de um vulto vermelho que era a bolinha que eu havia lançado.

 A Miley me olhou ainda sem entender e eu cheguei ainda mais perto, passando minhas mãos por sua cintura a trazendo pra mim.


- Não se preocupe, ele vai trazer de volta! – Sorri e ela me olhou repreensiva – O que foi? Eu só quero um minuto a sós com você.  – Apertei meus braços em volta da sua cintura e ela passou seus braços ao redor do meu pescoço. 


-Está com ciúmes do seu cachorro? – Ela perguntou divertida.


- Estou! – Rebati – Queria que você me tratasse só um pouquinho com o mesmo carinho que trata ele.


- Não seja tão dramático, Jonas. – Fez pouco caso – Isso não combina com você! 


- Só estou dizendo a verdade! – Defendi-me enquanto acariciava a sua cintura com a ponta dos meus dedos. Isso era tão bom! Tê-la assim perto. – Quero um pouco de atenção só pra mim, agora. – Ela balançou a cabeça desaprovando totalmente a minha atitude, mas sem se mover um milímetro se quer pra se afastar de mim - Estou com saudade! – Confessei em um sussurro - Já faz tempo desde a última vez que a gente se beijou e você nem faz ideia do quanto eu estou morrendo de saudades dessa sua boca. – Ergui uma mão até o seu rosto e acariciei sua bochecha de leve. 

Deixei que meu simples toque deslizasse em seu rosto e contornei seu lábio com o meu polegar, pude senti-la respirar fundo em expectativa. Aproximei meu rosto do seu até finalmente tocar minha testa na sua. Emaranhei meus dedos em seus cabelos e segurei em sua nuca arrastando-a pra mim, deslizei meu nariz devagar sobre o dela em uma carícia.


- Nem faz tanto tempo!- Ela acariciou minha nuca devagar. Estava me provocando, com seus lábios há poucos centímetros dos meus. E eu estava morrendo de vontade de beijar aquela boca de novo.


- Pois pra mim está parecendo que foi uma eternidade! - Estávamos tão próximos que tudo que eu conseguia sentir agora era o calor de sua respiração entrecortada. Encostei minha boca na dela devagar, mas ela se adiantou e me beijou primeiro, cedendo-me espaço ela deixou que nossas línguas se tocassem. 

Apertei sua cintura, trazendo-a ainda mais pra perto e intensificando o nosso beijo.


Ela nem precisa dizer nada, tinha alguma coisa no jeito como ela me toca, me olha e me beija que me deixa saber que ela me quer, mesmo que seja uma atitude inconsciente dela. 

E tudo bem, não era a situação mais perfeita de todas, essa que a gente está vivendo, me incomodava um pouco essa resistência dela quanto a gente ser de novo um casal, mas quando ela me beija eu penso “e daí?” Se ela for minha, por mim tudo poderia continuar bem assim e eu nem ligaria. Eu não precisava de um “rótulo” pra saber o que ela significa pra mim.


Cada novo toque meu era correspondido quase que instantaneamente. Uma de suas mãos ficou espalmada em meu peito e a outra passou por sobre os meus ombros e se agarrava ao meu cabelo e a minha nuca, tornando a experiência desse beijo ainda melhor. 


Eu tinha a mais absoluta certeza que não tinha nada no mundo melhor do que o beijo dela. Nunca em toda a minha vida eu curti tanto beijar alguém assim, não desse jeito. Com a maioria das garotas a expectativa maior é pelo que vem depois do beijo e com ela eu não conseguia nem me concentrar em nada que não fosse a boca dela colada na minha e no quanto eu queria isso de novo e de novo.


Era tão bom!


Suas mãos passeando pelo meu corpo, me acariciando em todos os lugares certos e esse calor que a sua pele emana quando entra em contato com a minha...


Os latidos do meu cachorro nos trouxeram de volta pra realidade rápido demais. Ele estava de volta e com a bolinha entre os dentes pronto pra mais uma rodada, mas acho que eu e a Miley estávamos ocupados demais pra isso agora.


- Acho que gente não devia se beijar assim, não aqui!– Ela sussurrou em meio a ultimo selinho deixando meus lábios. Eu só queria que ela ficasse quieta e me beijasse mais, então sem me importar a beijei de novo, com ainda mais intensidade dessa vez. – Alguém pode passar e ver a gente... – Insistiu e eu não dei a mínima pra isso – É melhor a gente ir... – Ela sorriu tentando completar a frase com os lábios nos meus -...Pra minha casa!


Parei de beijá-la um instante.


- Espera, você tá me chamando pra sua casa? – repeti tentando saber se eu tinha entendido direito e a Miley riu vindo me beijar mais uma vez.


- Aham. – Assentiu – Estou, algum problema? – Disse baixo, mordendo de leve os próprios lábios. Ela sabia perfeitamente o quanto isso me enlouquecia.


- Não! De jeito nenhum. – Respondi imediatamente deixando que minhas mãos deslizassem em sua cintura – Eu só queria ter certeza que não ouvi errado.


- Você ouviu direitinho! – Continuou abusando daquele tom de sussurro que eu adoro – Eu também estou com saudade e... - segurou meu rosto entre suas mãos antes de admitir de uma vez – Quero ficar com você!


Aquilo me fez paralisar por um segundo e sorrir feito um idiota. Encostei minha testa na sua e sussurrei:


- Eu sou todo seu!


(...)


Narrado por Miley.


Ambos estávamos ansiosos demais pra chegar na minha casa, então praticamente fizemos todo o percurso até lá o mais depressa que nossos pés permitiram. 

Mal atravessamos o meu gramado e o Nick me puxou pela cintura me beijando ferozmente. Retribui da mesma forma, sentindo meu lábio quase formigar com o toque do dele. Entreabri meus lábios e imediatamente sua língua invadiu minha boca. Bem nessa hora os esguichadores do jardim ativaram-se e nós tentamos correr e chegar secos até a porta de entrada, ou alguma coisa próxima disso, já que os esguichadores estavam espalhados por todo o jardim e havia água pra todo lado. 

Quando finalmente chegamos ao pátio o Nick me beijou de novo e eu arrisquei inutilmente pegar as chaves no bolso do meu casaco e abrir a porta da frente às cegas, sem separar nossos lábios, mas foi impraticável.


- Preciso de um segundo! – Segurei sua nuca, quebrando o nosso beijo. 


Ele estava um gato com aqueles lábios borrados do o meu batom, o casaco molhado e o cabelo todo bagunçado por mim.


Ele assentiu.


Eu finalmente consegui girar a chave e abrir a porta, mas graças ao Nick, nós entramos quase que ao mesmo tempo, com nossos corpos e lábios colados um no outro. Por um minuto, quase me esqueci da presença do Elvis e nem lembraria, se os latidos não me despertassem do transe em que os lábios do Nick nos meus costumavam sempre me colocar.


- Acho que o Elvis quer ir pra casa dele agora... – Murmurei contra sua boca, só de brincadeira. Não o deixaria ir por nada nesse mundo.


- Que nada! Ele está dizendo que adorou aqui e que quer voltar mais vezes! – Eu só pude rir do que o “Elvis” disse e o Nick cobriu meu riso com um beijo.


Eu não sei por que não conseguia parar de pensar nele sussurrando pra mim que estava com saudade. 

Foi tão bom ouvi-lo dizer, acho que inconscientemente me fez perceber que, de certa forma, eu também estava. Me fez perceber o quanto eu não queria mais voltar sozinha pra uma casa vazia e deitar na minha cama pra dormir sem pelo menos um beijo dele. Sem tocá-lo, sem senti-lo corresponder... 


Puxei-o pela gola da camisa, pra mim, e ele me beijou mais. Foi me empurrando em direção a um móvel no corredor enquanto minhas mãos se ocupavam em livrar-se do seu casaco úmido. As mãos dele também foram diretamente de encontro ao meu casaco pra arrancá-lo de mim. Depois de livres dessas peças, ele me segurou pela cintura e me ergueu um pouco, pra me colocar sentada no móvel.

Derrubamos entre outras coisas o vaso de flores favorito da minha mãe com a nossa falta de zelo, não que esse tenha sido um fato realmente relevante. 


Arranhei suas costas ouvindo-o murmurar qualquer coisa sobre eu estar tentando deixá-lo louco, o que de fato eu pretendia fazer. 

Prendi minhas pernas ao redor de seu corpo enquanto as mãos dele desciam apertando minhas coxas e seus lábios deixavam marcas sutis entre meu colo e pescoço. Ele apertou um dos meus seios, assim mesmo, por cima da blusa e eu gemi fincando minhas unhas em seus ombros. 

Antes que eu tivesse tempo de sequer raciocinar, Nick colou nossas bocas novamente, com muito mais voracidade, apertando meu corpo com força como se apenas o máximo contato entre nossos corpos fosse capaz de saciar seu desejo. 

Meu coração acelerou rapidamente, e eu apertei minhas mãos com força em seu peito, praticamente cravando minhas unhas ali e ele gemeu contra os meus lábios.


Precisei de toda a minha concentração para realizar o simples ato de empurrá-lo pra trás. Depois de um segundo ao som de nossas respirações entrecortadas eu desci do móvel e o puxei comigo pela mão pra sala, mais especificamente pro meu sofá.


Antes de terminar o trajeto eu o senti abraçando-me por trás. 

Ele afastou o meu cabelo e cheirou meu pescoço, beijou meu ombro de uma forma carinhosa e então quando chegamos ao meio da sala ele me fez virar de frente pra ele, apoiando suas mãos nos meus quadris gentilmente. 

Suas mãos quentes desenharam a lateral do meu corpo com delicadeza e eu toquei seu queixo encarando seus serenos olhos castanhos.  


Havia claramente desejo contido neles, mas não era só isso, não pra ele. E eu ainda estava tentando descobrir como um cara podia ser assim e agir tão “romanticamente” numa hora dessas, mas o Nick era sempre tão gentil fazendo qualquer coisa que parecia ainda mais improvável que fosse ser de outro jeito com ele, e eu nem queria que fosse.


Pode até parecer bobagem, mas eu também não queria que fosse só sexo, não essa noite, não com ele. 

Eu sabia que isso que eu estava me permitindo era arriscado, pois eu gostava dele mais do que era racionalmente inteligente gostar de alguém e esses sentimentos eram tão incertos, me jogavam diretamente pra fora da minha zona de conforto, direto pra onde eu nunca tenho o controle da situação.


Nick passou a mão no meu cabelo e mordeu o lábio inferior, ainda olhando dentro dos meus olhos. Aposto que tentava decidir-se entre me beijar de novo ou tirar a minha roupa toda e me jogar de uma vez naquele sofá.


Só pra ajudá-lo com a decisão, eu toquei sua mão que estava no meu cabelo e a guiei, deixei que essa mesma mão deslizasse do meu pescoço até o meu decote em uma insinuação sutil. Também mordi o lábio demonstrando a ele todo o meu desejo e em resposta a isso ele me puxou pela nuca e me beijou, apertando minha cintura e prendendo nossos corpos um no outro com força.


Talvez isso tudo entre nós estivesse acontecendo rápido demais, mas eu não ligava, não agora. 

Eu queria isso tanto quanto ele dessa vez. Queria que fosse intenso, melhor do que qualquer outra vez já tenha sido pra nós dois.


O mais engraçado é que a ideia de fazer amor com alguém nunca me pareceu tão atrativa quanto o sexo, mas com ele era. Com ele eu queria o carinho, as carícias, as preliminares que sempre me pareceram tão dispensáveis com os outros caras. 


E ele não teve pressa, capturou meus lábios entre os seus e me beijou calmamente como que desfrutando cada pedacinho da minha boca e eu fiz o mesmo, me deliciando com seu gosto. 

Estávamos já quase perdendo o fôlego, mas Nick decidiu que precisava da minha boca mais do que de oxigênio e eu apenas concordei com sua decisão. 

Seus dedos deslizavam suavemente em minha cintura desenhando pequenos padrões, tão delicado como se estivéssemos dançando uma música lenta. Só que a cada segundo o meu corpo parecia ansiar por mais do dele, eu queria explorar cada ínfimo pedacinho do seu corpo com o meu próprio corpo. E quando eu puxei seu lábio inferior com os meus dentes, sei que ele entendeu o recado.


Ao invés de seguir com seu toque gentil, Nick passou a mão descaradamente onde não devia, mas eu tinha pedido por isso. Suas mãos contornaram a minha bunda e quadris até subirem pela minha cintura e seio, levando consigo a minha camiseta, deixando a mostra o meu sutiã bege simples. 

É claro que eu teria caprichado mais se soubesse que isso iria acontecer, mas a minha peça confortável e prática não pareceu incomodar nenhum pouquinho o Nick, que apenas sorriu me puxando ainda mais pra si a fim de conseguir beijar o meu decote. 

Eu arfei ao sentir seus beijos molhados e seus dentes arranharem de leve a pele sensível daquela região, de um jeito absurdamente bom. 


Estava extasiada e minhas mãos já não me obedeciam mais, espalhavam-se pelo corpo dele sem qualquer controle. Eu queria tocá-lo, sentir as linhas rijas da sua musculatura contra a minha pele. 

Senti seu corpo reagir quando encostei no seu tórax e desci a mão até cós de sua calça, tentando abrir o zíper e me dar mais liberdade de movimentos ali. 

Nick meneou a cabeça e tirou minha mão de lá, colocando-a em volta do seu pescoço. Em seguida voltou pra minha boca, pra me beijar mais um pouco. Eu apertei sua nuca intensificando o nosso beijo e então depois desci a outra mão de volta para o volume em suas calças, dessa vez massageando por cima do jeans, só pra poder vê-lo jogar a cabeça pra trás, completamente louco de desejo. 

Abri o zíper devagar e ia continuar o que estava fazendo, até que de repente o Nick segurou minha mão com forca e me parou. Tirou a própria camisa mais rápido do que eu consegui assimilar o que ele estava fazendo. 

Confesso que fiquei bastante distraída com o seu tanquinho completamente sarado e gostoso e ele segurou-me pelos pulsos e me puxou junto consigo para o sofá, encaixada no seu colo.


Fez-me colocar uma perna de cada lado do seu corpo e tinha uma mão espalmada, enlaçando minha cintura. Pude sentir exatamente “o quanto” ele me queria e isso só me deixou com ainda mais vontade. 

Beijamo-nos mais e ainda mais intenso. As mãos dele no meu seio e minha coxa já não acariciavam, só amassavam e apertavam sem qualquer pudor. Não partíamos o beijo, ainda que mal conseguíssemos respirar. 

Nick só parou de me beijar pra começar a me torturar mordiscando e chupando o meu pescoço. Mordi o dele também assim que tive uma oportunidade, com certa dificuldade, já que ele não parava e ele era inacreditavelmente bom no que fazia. Acabei deixando sem querer que alguns gemidos escapassem, o que o fez sorrir convencido, eu nem precisava vê-lo pra saber disso. 


Passei a arranhar toda a extensão do seu peito e o abdome, deixei que minhas unhas deslizassem e roçassem no cós da sua calça. Nick suspirava pesadamente, enquanto meus arranhões marcavam a sua pele. 

Desci alguns beijos do seu pescoço até onde minhas unhas haviam passado por seu peito e ombros então segui com minhas mãos apressadas abrindo o botão do seu jeans. 

Depois seria a vez de cuidar da boxer, e um por um iria me livrar dos obstáculos até tê-lo inteiro em minhas mãos. Só que antes que eu pudesse seguir com os meus planos, ele parou e sentou direito no sofá, me fez sentar direito também de frente com ele no seu colo.


Ele balançou a cabeça como que tentando recobrar a sanidade, então respirou fundo e sorriu pra mim, aquele sorriso bonito e cativante. 

Ajeitou uma mecha do meu cabelo, colocando-a pra trás da orelha e ficou admirando o meu corpo. Puxou-me pra mais perto e sugou meu aroma da curva do meu pescoço.


- Você é muito linda, sabia? – Sussurrou com seus lábios em minha pele, depois riu como quem divaga em um pensamento bobo qualquer e beijou meu ombro de um jeito carinhoso, como fez antes. – É, acho que ia ser impossível... – murmurou baixinho contra minha pele, mas eu ouvi.


- O que? – Perguntei mexendo no seu cabelo e acariciando sua nuca.


Ele voltou a encarar meus olhos e eu os seus.


- Não ficar completamente louco, apaixonado por você. – Ele acariciou a minha bochecha e o meu sorriso se abriu junto com o seu. 


E sem dizer mais nada, o Nick me beijou, mas de todas às vezes essa noite, essa foi a mais intensa. Seus lábios macios se entreabriram forçando os meus a fazer o mesmo, sua língua invadiu a minha boca de maneira fugaz e sedenta, mas pude ouvi-lo suspirar contra os meus lábios quando a suguei. 

Eu podia senti-lo por completo, sua boca, sua língua, seu toque, sua respiração... O meu coração disparou sem o meu consentimento. Tão forte que eu podia sentir suas pulsações uma após a outra quase rasgando o meu peito.


- Faz amor comigo, Nick. Agora! – Não sei exatamente se essa frase soou como um pedido ou uma ordem, mas de qualquer forma ele obedeceu.


Ele apertou uma mão em minha cintura e a outra deslizou até a minha bunda, que ele segurou com força. Só soube o que ele realmente estava fazendo quando ele ficou de pé e prendeu minhas pernas ao redor do seu quadril. 

Levou-me até a escada e começou a subir os degraus me carregando sem nunca descolar os lábios dos meus. Meus braços estavam envoltos em seu pescoço enquanto nos beijávamos de novo e de novo.


Começou a procurar pelo fecho do meu sutiã como um louco, e depois de conseguir abrir, ele arrancou a peça, que simplesmente foi abandonada pelo caminho, enquanto Nick subia comigo o restante dos degraus o mais habilmente que conseguia ao mesmo tempo em que acariciava um de meus seios e beijava a minha boca. 

Eu apenas era capaz de gemer contra seus lábios, não tinha condições de pensar em mais nada, a não ser o quanto eu o queria e tinha que ser logo.


Chegamos ao meu quarto e eu juro que não sei como ele conseguiu abrir a porta. Entramos e Nick me empurrou contra a porta para fechá-la de novo. 

Precisei morder os lábios reprimindo um gemido pelo jeito como ele tocou meus seios e colou os lábios em meu pescoço, soltando seu hálito quente contra mim a cada novo centímetro de pele que sua boca tocava. 

Senti cada milímetro do meu corpo estremecer só com isso, e quando ele começou a distribuir pequenos chupões de leve ali, finquei minhas unhas em sua nuca, fechando os olhos e deixando a cabeça pender pra trás. 

Soltei as minhas pernas dele pra conseguir voltar a ficar de pé por mim mesma. Ele imediatamente pôs-se a tentar se livrar das minhas calças jeans. 

Assim que conseguiu, foi a minha vez de imitá-lo. Empurrei-o contra a porta com um pouco de força demais, até fez barulho o seu corpo se chocando contra a porta, mas ele pareceu não se importar. Coloquei minhas mãos sobre o cós já aberto de seu jeans e empurrei pra baixo, quando as calças caíram em seus pés, ele apenas as chutou pro lado de qualquer jeito.


Aproveitei sua pequena distração e me afastei, comecei a me mover andando de costas devagar, ainda de frente com ele, rumando pra minha cama. Nick mordeu o lábio, enquanto olhava diretamente pro meu corpo e eu o chamei:


- Vem!


Ele veio. Praticamente correu o espaço que eu criei entre nós e me agarrou com força, beijando minha boca e apertando minha bunda com vontade. Minhas mãos alcançaram seus ombros e ele me colocou na cama.


Colocou-se sobre mim ainda me beijando, mas logo desceu os beijos pelo meu pescoço, seios, cintura e os meus quadris. Mordiscou e chupou cada polegada de pele alcançada me enlouquecendo aos poucos. 

Puxei-o pelo cabelo, pra que sua boca encontrasse a minha de volta em mais um beijo que terminou cedo demais. Ele mordiscou meu queixo e então abocanhou um dos meus seios, enquanto com as mãos acariciava toda a extensão do meu corpo. Segurou um de meus joelhos fazendo com que eu abrisse um pouco mais as pernas e então deslizou sobre mim e passou a beijar o interior da minha coxa, obrigando-me a agarrar um travesseiro e morder meus próprios lábios reprimindo um gemido mais alto.


Nick revezava os beijos e caricias entre minhas coxas e o meu quadril, vez ou outra roçava os dedos nas bordas da minha calcinha e aquela brincadeirinha dele estava me excitando ainda mais, de uma maneira absurda. 

Em algum momento ele pareceu finalmente decidir-se em puxar as laterais pra baixo fazendo com que a peça deslizasse devagar contra minha pele arrepiada. 

Senti seu hálito contra minha pele e, sem nenhum pedido de permissão, ele beijou minha intimidade me fazendo perder qualquer resquício de sanidade. Eu já estava ficando completamente louca, meu corpo estremecia. Eu agarrei seus cabelos e me contorci de prazer enquanto sua língua me invadia de um jeito muito, muito gostoso. 

Meu corpo inteiro estava eriçado desde o seu primeiro toque naquela região, e eu já estava completamente encharcada em sua boca, mas pra ser honesta, ainda queria mais. Só que Nick era expert nesse jogo, parecia saber exatamente o que eu precisava sem eu nem ter que dizer. Foi mais fundo e me chupou de um jeito que me fez gozar em um instante, na sua boca. Lambeu os próprios lábios e limpou os cantos da boca com a costa da mão. 

Ele voltou pra vir me beijar na boca de novo eu quase explodi de tesão, sentindo o meu próprio gosto nos lábios dele.


Enquanto nos beijávamos eu comecei a brincar com a barra de sua boxer, empurrando-a pra baixo. Ele não apresentou oposição pra que eu finalmente me livrasse da peça. Sorri maliciosa, e ele também sorriu. Cobriu minha boca com a sua novamente enquanto suas mãos apertavam meu seio e a minha cintura e ele deitava seu corpo por cima do meu. 

Entrou em mim devagar, quase torturante. Comecei a arranhar sua nuca insistentemente, percebendo que cada vez mais aquela região ficaria arrepiada. Ele beijou meu pescoço e colo, martirizando-me da forma mais lentamente deliciosa que se possa imaginar. Gemi, e ele sorriu, antes de chupar um de meus seios de novo, e eu fechei os olhos, cravando minhas unhas em suas costas. 


Aos poucos ele ia aumentando o ritmo e eu mal conseguia raciocinar, apenas lançava o meu quadril de encontro ao seu pra que ele me preenchesse completamente. Eu já estava ofegando e gemendo baixinho e com o Nick mordiscando o meu pescoço ficava bem difícil manter os olhos abertos. Eu o sentia indo bem fundo e forte, mas nós não parávamos nem se quer por um segundo de nos acariciar e nos beijar. 

Eu deixava que minhas mãos percorressem por todos os lugares, suas costas, seus ombros seu peito. Já ele parecia nunca se cansar da minha boca, embora também oferecesse devida atenção às várias outras partes do meu corpo.


O Nick apertou meu corpo contra o seu até que não houvesse mais espaço algum entre nós. Mordeu meu seio e sugou o bico devagar, eu não consegui reprimir um gemido com o seu nome. Isso pareceu excitá-lo mais e a cada nova investida sua em mim ele buscava me fazer querer repetir. Cada novo movimento era mais gostoso e mais intenso que o anterior e eu tive certeza que a qualquer minuto ele me levaria ao orgasmo de novo. 

Queria desesperadamente sua boca, mas não conseguia me concentrar em mais nada, sabendo o que estava por vir. Suas estocadas foram ficando mais rápidas e violentas e parecia que eu tinha desaprendido a fazer qualquer outra coisa que não fosse gemer o nome dele. 


Nick encostou a testa na minha e eu segurei fortemente seus ombros, enquanto ele apertava a minha bunda e a minha coxa. Fechei os olhos, sentindo meu corpo estremecer dos pés a cabeça e um último urro de prazer de Nick, me fez sorrir satisfeita. Seu corpo suado caiu sobre o meu, e por vários minutos, tudo o que conseguimos fazer foi tentar regularizar nossas respirações.


(...)


Narrado por Nick


Em momento algum desviamos o olhar...


Ficamos em silêncio por um bom tempo. Tudo o que se ouvia eram as nossas respirações falhas voltando ao normal aos poucos, à medida que nossos corações desaceleravam. 

Estávamos nus deitados em sua cama, um de frete pro outro. Eu apenas admirava a mulher mais linda que eu já vi na minha vida enquanto ela também me olhava com aqueles olhos incrivelmente azuis.

 Acho que eu nunca tinha realmente olhado tão fundo nos olhos dela, não a ponto de enxergar esse tom esverdeado do azul, que o tornava ainda mais intenso.  Chegava a ser hipnotizante ficar olhando pra eles, era como olhar pra uma obra de arte.


Ela sorriu mordendo os próprios lábios e seus olhos se fecharam pelo sorriso. 

Estendi minha mão até ela e mexi em seus cabelos, fazendo carinho. 

Talvez essa estivesse sendo a melhor noite da minha vida em muito tempo. 

Aqui, com ela, mas dessa vez pra valer. Sem mágoa, sem bebedeira, sem compromissos rompidos, fantasmas do passado ou arrependimentos. Dessa vez não havia qualquer empecilho a nossa momentânea e inesperada felicidade...


Não hoje. 


Hoje éramos só nós dois.


E ali diante daqueles olhos azuis que tanto me fascinam eu concluí que embora tudo isso que estamos vivendo juntos seja uma completa bagunça, parecia ser o certo de algum jeito. Tinha que ser!
Tinha que ser o certo porque eu a amo!


Miley estendeu sua mão e acariciou meu ombro e então tocou meu rosto e eu beijei palma da sua mão. Ela continuou acariciando a minha bochecha.


- O seu carinho é tão bom, me faz não querer mais ir embora! - Confessei


- Então não vai! – Murmurou com sua voz doce – Fica! Dorme aqui comigo. – Pediu simplesmente.
E era realmente simples, ela queria que eu ficasse e eu queria ficar.


Apenas assenti e deixei que ela continuasse me acariciando.


- Como você quiser.


Pousei minha mão em sua cintura e a puxei pra mim, beijando-a ternamente. Não ia mais deixar ela sair dos meus braços, nunca mais. 

Ficamos assim, só aproveitando os corpos um do outro. Estávamos tão perto que nossos narizes ficavam se tocando o tempo todo e pra mim só isso já estava muito bom. 

Eu estava curtindo ela, tudo nela, e tinha o resto da noite pra continuar fazendo isso. O sorriso estampado naquele rostinho lindo me dizia que ela também estava me curtindo. Volta e meia eu a beijava de novo, pois era simplesmente bom demais a sensação de poder beijá-la assim, só por beijar, sem nenhuma razão. 

A Miley alisava meu braço lentamente e o seu olhar em mim não me deixava parar de sorrir. 


Será que felicidade podia mesmo ser assim tão simples?


Ela arranhou meu peito, senti a musculatura do meu corpo todo ficar tensa só com o contato de suas unhas em minha pele. A sensação daquilo era... Surreal. Ela sorriu e fez o mesmo nos meus ombros, costas e quadril, como não se sentiu totalmente satisfeita com sua tortura branda, aproveitou o passeio de sua mão pelo meu corpo e apertou minha bunda. 

Encarei-a e ela fez carinha de inocente, mas não parou por aí. Sua mão pousou sobre o meu membro que ela acariciou devagar. Puxou-me pela nuca pra me beijar e abafar meus gemidos quando ela começou a me masturbar.


- Não faz assim! – supliquei em meio ao beijo – Fica bem difícil me controlar quando você faz isso! – A minha voz saiu quase num fio enquanto ela continuava com os movimentos certos pra me dar mais e mais prazer.


- Eu sei! – Murmurou contra a minha boca, com um meio sorriso – Gosto quando você perde o controle... É a minha parte favorita! – Ela mordeu meu queixo e a minha mandíbula e eu senti a respiração falhar.


Ela massageava da base até a ponta, com sua mão ao meu redor, me apertando e puxando de um jeito bom demais. A Miley continuou com aquilo e ia intensificando aos poucos, à medida que sentia vontade. Eu já não estava mais aguentando me segurar, iria gozar ali mesmo em suas mãos, a qualquer momento. Segurei seu pulso, impedindo-a de continuar e ela por pura provocação puxou meus lábios com os dentes. 


Ok. Isso foi demais pra mim! 


Aquela garota conseguia me tirar do sério num grau incalculável pela mente humana. Puxei-a para meu colo sem me importar com mais nada. 

Ela apoiou uma perna de cada lado do meu corpo e eu puxei seu pulso trazendo-a pra perto de maneira forçada. Beijei seu seio, ombro e pescoço, e ela se contorceu, sabia que ali era seu ponto fraco. 

Ri baixo com o meu feito e a Miles abriu os olhos e encarou os meus. 

Agarrei seus cabelos e a beijei quase fazendo com que nossas bocas se chocassem para isso, mas sem de fato ligar pra voracidade do meu ato. Ainda apertava o seu pulso com a minha mão, talvez eu deixasse uma marca, a possibilidade disso era grande. 

Subi com a outra mão por sua pele agarrando um de seus seios, fazendo-a arfar quando meus dedos gelados entraram em contato com sua pele quente. Parei de beijá-la na boca, passando a beijar e mordiscar seu pescoço, alternadamente, então finalmente soltei seu pulso e apertei sua cintura com força, para colocá-la encaixada em mim. 

A respiração ofegante e quente dela perto do meu ouvido estava me deixando louco e ela sabia disso, eu tinha certeza.


 Avancei em seus seios, apertando-os, mamando neles e beijando, enquanto Miles fincava suas unhas em minha nuca, agarrando-se aos meus cabelos sem muita delicadeza, respirando rápido e gemendo cada vez mais alto com o roçar de nossos corpos. 


Não estávamos mais conseguindo controlar nossos instintos, e em meio a um beijo meio descontrolado e afobado, Miley movimentou-se assertivamente em cima de mim, fazendo com que sua intimidade engolisse a minha de uma vez só. 

Ela deixou a cabeça pender pra trás e eu urrei pelo prazer que aquilo tinha me proporcionado. Deslizei minhas mãos pelas laterais de seu corpo, apertando sua bunda com força, guiando seus movimentos para sincronizá-los com os meus. 


Dessa vez eu não quis pegar leve. Estava louco de desejo por ela, então fui com tudo e sei que ela estava adorando tanto quanto eu, pois seus gemidos de prazer deixavam isso bem claro. Ela também se movimentava simultaneamente ao meu corpo, tornando tudo ainda melhor.


Porra, isso era tão bom!


E ela era muito, muito gostosa. Gostosa pra caralho! Com ela dava vontade de nunca mais parar, sério. 


Distribuí alguns beijos em seu pescoço, perto de seu colo, intensificando um pouco mais os movimentos. Miles mordeu os próprios lábios, e apertou meus ombros com a respiração alta e falha. 


- Ahh Nick... – Ela gemeu meu nome, sua voz era mole. Eu sabia que ela estava totalmente entregue a mim e só de pensar nisso eu sentia ainda mais prazer.


- Isso...  Assim... - sussurrei em seu ouvido acompanhando cada movimento seu com minhas mãos espalmadas em sua bunda. – Adoro te ouvir gemendo meu nome, é a minha parte favorita! – Murmurei dando ênfase ao que ela mesma tinha dito antes. 

Ela arfou e eu pressionei mais os nossos corpos um contra o outro.


Sabia exatamente como fazer e onde a tocar. Conhecia bem aquele corpo como se fosse uma extensão do meu. Ela envergou as costas jogando a cabeça pra trás deixando escapar um gemido mais alto e eu soube o que estava por vir. 

Puxei- a pelo pescoço fazendo com que encostasse sua testa na minha. 

Seus olhos espremidos e seus lábios presos nos dentes me indicaram que ela estava prestes a chegar ao seu ápice. Eu ainda queria continuar e eu fui diminuindo a intensidade de meus movimentos, fazendo-a soltar um suspiro leve.


Movi-me calmamente dentro dela e Miles pareceu aprovar isso, com seus suspiros e pela forma que murmurou meu nome entre dentes, cheia de luxuria e completamente tomada pelo prazer. Ela fincou suas unhas em minhas costas, mordendo e chupando meu pescoço, mas tudo de forma a tentar saciar seu corpo que estava prestes a explodir de tanto desejo.


Não demorou muito para que chegássemos ao orgasmo, praticamente juntos.


Trouxe-a pra perto a envolvendo em meus braços. Ela recostou a cabeça em meu peito, ofegante. 

Endireitei-me na cama com ela ainda por cima de mim e seu corpo relaxou sobre o meu.


Ficamos assim e enquanto eu brincava com os fios do seu cabelo, o celular dela em cima do criado mudo tocou. 

Ela levantou e pegou o telefone. Ficou desfilando aquele corpo sexy pelo quarto enquanto falava com alguém, depois desligou e quando foi deixar o celular no mesmo lugar, eu a puxei de volta pra cama.


- Quem era?


- A Demi, ela queria avisar que a Noah vai dormir lá na sua casa. – Disse ajeitando-se sobre o meu peito.


- Hum... Isso é bom. – Deixei que uma de minhas mãos acariciasse sua coxa exposta. - Acho que a gente ainda vai fazer muito barulho essa noite. – Afirmei sorrindo encarando seu corpo nu diante dos meus olhos – Agora vem cá! – Ela riu do que eu disse e eu só a puxei pra mim, coloquei sua coxa sobre o meu quadril, encaixando-me entre as pernas dela. 

O simples contato de nossos corpos me deixou pronto pra outra e a Miley suspirou pesadamente quando sentiu o meu membro roçando em sua entrada devagar.


- Ai, Nick... – Ela murmurou ao meu ouvido e eu quase enlouqueci, só com isso, só com o seu sussurro.


Penetrei-a sem nenhuma delicadeza e ela gemeu alto, enfiando suas unhas nos meus ombros e eu mordi os lábios pra abafar um gemido. Sua coxa estava roçando no meu quadril numa fricção deliciosa. Ela estava tão molhadinha, que era fácil deslizar dentro dela. A única definição pra aquilo era... Absurdamente bom!


- Acho que eu nunca vou cansar disso, sabia? – Beijei-a numa tentativa inútil de abafar nossos gemidos – Adoro o seu corpo, ele é simplesmente perfeito. – Deslizei minhas mãos em suas curvas, seus seios – Parece que foi feito pra mim! – Beijei sua boca de novo e deixei que a minha mão deslizasse até a sua bunda, que eu apertei com gosto, forçando-a a rebolar em mim. Espremi ainda mais seu corpo contra o meu e quis ainda mais dar uma olhada naquela bunda. – Linda, fica de quatro pra mim? – Pedi em um murmúrio suplicado e a Miley enfiou a língua na minha boca antes de me empurrar pra eu sair dela e ela ficar na posição que eu pedi.


- É assim que você me quer? – Provocou


- Eu te quero de todo jeito! - Ao olhá-la nua e de quatro na cama empinando aquela bunda pra mim, meu único pensamento foi: Porra!


Por que ela faz isso comigo? Minha nossa... Olha essa bunda, essa cintura... 


Eu definitivamente nunca mais iria conseguir tirar essa mulher da minha cabeça!


Segurei em seu quadril a mantendo firme e entrei nela mais uma vez, já começando a estocar com força. Ela rebolou no meu pau e pronto, eu sabia que iria gozar, era só uma questão de tempo. 

Mas eu queria satisfazê-la também então comecei a estimular seu corpo. Deslizei uma de minhas mãos em sua coxa até a sua virilha massageando sua intimidade e a outra passeou acariciando sua cintura e o seio que eu fiz questão de apertar. 

Os seus gemidos altos indicavam que ela também estava perto. Fui mais fundo nela algumas vezes e me dobrei contra o seu corpo, abraçando seu estomago sentindo o alívio do gozo chegando. 

Ela gemeu bem alto rebolando em mim e eu puxei sua boca pra um beijo afoito.


(...)


Deitados juntos, a Miley com a cabeça recostada em mim e eu encarava o seu teto completamente esgotado, mas com um sorriso idiota que não me abandonaria tão cedo.


Brinquei de deslizar meus dedos em sua pele mais um pouco, mas comecei a ficar com sono. Todo homem quer ser másculo, viril e ser capaz de aguentar uma noite intera de sexo, só que quando o cansaço bate à porta, já era a masculinidade de qualquer um. 


Bocejei. 


Olhei pra baixo e vi a Miley quase dormindo, beijei sua testa com cuidado. 

Não sei por que o meu coração bateu mais rápido que o normal quando ela puxou meu braço pra sua cintura e se aconchegou mais em meu peito, mantendo os olhos fechados. Senti sua respiração quente, agora mais lenta e pesada batendo contra a minha pele e quis que fosse assim todas as noites pelo resto das nossas vidas.


Ela era linda dormindo, na verdade era linda fazendo qualquer coisa, mas assim com seus olhos fechados e as bochechas e a boca rosada curvada em um sorrisinho discreto ela ficava ainda mais perfeita.


Deixei que os nós dos meus dedos deslizassem por sua bochecha num carinho sutil. E fiquei ali, só olhando pra ela como se nada mais importasse. E sendo bem honesto, acho que nada mais importa mesmo pra mim, só ela!


- Me diz o que eu faço agora? – Murmurei admirando-a. Coloquei sua franja atrás da orelha – Por que eu não sei mais como vou conseguir viver sem você depois de hoje!  – Suspirei pesadamente. Reparei seu corpo ainda exposto e a cobri melhor com o lençol, tentando não me mover demais para não acordá-la. Dei-lhe um beijo no topo da cabeça e pude sentir o cheiro bom que exalava dos seus cabelos. - Acho que a gente vai ter que arrumar um jeito de fazer isso dar certo, pois eu não vou mais querer ficar sem você nunca mais... – Suguei mais um pouco do seu aroma suave – “Porque eu te amo!” – Essa ultima parte ficou só no meu pensamento.


Eu não sabia se iria conseguir dizer, só sabia que ainda não era o que ela queria ouvir. E eu não queria forçar a barra entre nós, concordamos em fazer as coisas do jeito dela e embora eu queira bem mais que isso, eu iria ter que esperar...


Mas, tudo bem, por ela eu iria esperar. Eu a amava o suficiente pra conseguir isso, mesmo que eu não queira mais esperar nem se quer por um segundo... Qual é, eu quero que a gente fique junto agora! 


Eu quero que ela seja minha de vez!


Eu apertei um pouco mais a minha mão sobre sua cintura. Aquele sorriso no seu rosto, era por minha causa, não era? 


Eu faria qualquer coisa por esse sorriso.


Os seus cabelos macios, o coração dela batendo contra o meu peito. Os meus dedos deslizando em sua pele quente e a sensação de saber que posso beijá-la quando eu quiser.


Eu quero isso, essa sensação! Quero isso todos os dias!


Sei que já estivemos juntos antes, mas eu juro que nunca tinha me sentido assim na vida! 


Assim tão... Louco, apaixonado por alguém.


(...)


Narrado por Miley


Meus olhos se abriram aos poucos, a primeira imagem turva que eu tive foi o corpo de Nick sob o meu. Estava quente e seu peito subia e descia quase que imperceptivelmente em uma respiração tranquila. Espremi meu nariz contra sua pele aspirando seu aroma e deixei que meus dedos corressem e contornassem os pontos de seu corpo que eu podia alcançar sem precisar me mover.


O mesmo lençol que me cobria o cobria também, até mais ou menos a altura dos quadris. Passei minhas unhas suavemente sobre seu abdome bem rente até onde o lençol cobria e senti seus pelos ficando arrepiados com o meu mísero contato.


Por alguma razão, havia um sorriso bobo em meus lábios e uma quantidade considerável de felicidade em meu peito, aparentemente sem motivo algum.


Ok. Havia um motivo. O motivo era ele e essa era a parte constrangedora da coisa toda. Eu não queria me envolver, não podia, mas ele fazia ser tão fácil. Quase como se fosse inevitável eu me apaixonar por ele de novo e de novo.


Nick abriu os olhos devagar e o meu sorriso aumentou mais quando ele me puxou ainda mais pra perto.


- Isso é tão bom! – Sussurrou contra a minha pele e apertou seu abraço na minha cintura – Acordar assim, com você. A gente vai ter que fazer isso mais vezes!


Ele deslizava o seu nariz pela minha bochecha e os seus dedos estavam enfiados em meus cabelos num cafuné tão gostoso, que eu não queria que parasse nunca. 


- A gente pode dar um jeito nisso... – Acordar com toda essa felicidade, com todo esse carinho... Estava me deixando um pouco “descuidada”. 


Eu estava até considerando mesmo uma possibilidade “disso” dar certo.


Mas não ia dar, e eu sabia que não. 


Nós já havíamos tentado antes e não deu certo. Provavelmente nada daria certo entre a gente de novo, mas eu não sei por que o meu coração estúpido queria tanto acreditar numa possibilidade remota, num “talvez”.


Joguei o cobertor e tentei levantar apenas para sentir os braços de Nick ao meu redor, me puxando pra cama de novo.


- Aonde é que você pensa que vai? – Ele sussurrou e eu sorri com a sensação do seu calor rente ao meu ouvido.


E então ele me beijou, como se simplesmente não cansasse da minha boca nunca.


Narrado por Nick


O fôlego foi nos faltando e fomos forçados a separar nossos lábios, porém nossos corpos permaneceram imóveis e nossos olhares conectados.


- Eu quero muito te levar pra sair. – Disse logo de uma vez


- Você já me levou pra sair outro dia, lembra? – Ela respondeu evasiva, bem como eu imaginei.


- É, mas aquela vez não foi exatamente um encontro, então não conta. Além do mais antes a gente não estava junto. – Tentei ser um pouco mais específico.


- A gente não tá junto. – ôh mulher difícil...


- Eu sei, e é por isso que eu quero te levar pra sair! – Repeti e ela riu provavelmente do nível intelectual da nossa conversa. – Pra que você acha que servem os encontros, ham? É pras pessoas saírem, se conhecerem melhor e então ficarem juntas! - Eu queria resumir tudo em: “Miley, eu te amo. Deixa de frescura e vamos ficar juntos de uma vez!”, mas acho que ir tão direto ao ponto assim ia ser um pouco demais pra ela.– Olha, eu sei que a gente combinou que vai ser do seu jeito, e tudo bem, eu disse que concordo, mas eu preciso que você me dê alguma chance, que me deixe tentar fazer isso dar certo.


- Nick, eu não sei, não acho que seja a hora certa pra isso. Quer dizer, a gente dormiu junto uma noite e você já está me chamando pra sair? Não sei bem como isso funciona pros homens, mas pras mulheres não é bem assim. Eu não estou dizendo não, só estou dizendo que ainda é muito cedo. – Sua voz saiu totalmente segura, mas eu percebi a incerteza em seu olhar. Ela também estava tentando se desvencilhar dos meus braços, mas eu não ia deixar.


- Eu sei, é cedo, ok. – Concordei. Já tinha aprendido há um bom tempo que o jeito mais fácil de lidar com a teimosia dela era concordando com ela - Mas é que eu quero isso mesmo assim. Eu sei que faz pouco tempo, mas todo relacionamento começa em algum lugar, não é? – Toquei seu rosto - É só um jantar, não é como se eu estivesse te pedindo em casamento... – Acariciei seus cabelos e olhei-a nos olhos - Miley, eu quero recomeçar de onde paramos. Eu quero reconquistar você, me deixa pelo menos tentar!


Ela desviou os olhos dos meus, pensando...


Não me leve a mal, mas eu detestava quando ela começava a pensar. O cérebro da Miley tem um tipo de lógica irracional que é imbatível e inquestionável, mas que só faz sentido pra ela. E sempre que ela consultava o cérebro era um não automático pra mim. Só que dessa vez eu não ia deixar a massa cinzenta dela ganhar de mim, ah não!


Cheguei mais perto e beijei seu pescoço, seus olhos se fecharam. Bom!  Deslizei a ponta do meu nariz por sua pele, do maxilar a bochecha e ela e ela prendeu o lábio inferior entre os dentes. Isso, parece que está dando certo! Emaranhei meus dedos em seus cabelos e segurei-a pela nuca, trazendo sua boca pra minha. 

Nossos olhos se fecharam e eu a beijei. Lento. Entreabri meus lábios entre os seus e procurei passagem para a minha língua, vasculhei cada pedacinho daquela boca maravilhosa sem pressa, desfrutando ao máximo do seu gosto excitante. Só parei quando meus pulmões me avisaram que como um ser vivo eu ainda precisava de ar pra respirar, e tirei os meus lábios dos seus com pequenos selinhos entre uma ofegada e outra.


Abri os olhos aos poucos e ela também abrira os seus. 


- E então, a que horas eu te pego? – Sempre me disseram que autoconfiança é o segredo por trás de tudo que move o mundo, bom resolvi testar a teoria.


- Nick... - Ela suspirou.


Ah, qual é?!


- Só diz que sim, só dessa vez, só uma chance! – Pedi e ela olhou nos meus olhos. Toquei minha testa na sua soltando o ar pesadamente. Se ela recusasse agora...


- Tá! – Respirou fundo - Uma chance, uma só. Hoje à noite. – Ela olhava nos meus olhos, mas suas palavras soaram incertas. Ela estava lutando consigo mesma e com sua “razão” pra me dar essa resposta – Mas isso não significa que...


Eu a beijei. Não precisava ouvir mais nada.


- Eu sei o que significa! – Sussurrei com seus lábios rente aos meus e ao olhar em seus olhos, eles me fizeram prometer pra mim mesmo que eu não a decepcionaria outra vez, nunca mais.


(...)


Narrado por Miley


Amarrei o cordão do meu robe e saí do banheiro só pra dar de cara com um Nick apenas de boxer sentado na minha cama.


Cara, será que dá pra parar de ser assim tão gostoso? Só um pouquinho...


Eu caminhei até a porta do meu quarto e apanhei seus jeans que estavam no chão rente à porta e atirei-os em sua direção.


- Vem, vamos comer alguma coisa. – Convidei


Ele vestiu as calças rapidamente e eu desci as escadas sendo seguida por ele ainda terminando de abotoá-las. 

Em algum ponto do trajeto, Nick encontrou o que ele achou que poderia ser um souvenir da noite anterior, mas eu tratei de arrancar das suas mãos o meu sutiã bege. Se fosse pra ele ficar de lembrança com algum sutiã meu, eu não ia deixar que fosse esse!


Ele riu da minha pressa em tirar a peça de suas mãos e eu tive vontade de morder aquele sorriso, mas não saberia dizer exatamente por quê.


Quando chegamos no andar de baixo, Nick direcionou-se para sala, provavelmente buscando por sua camisa e eu fui pra cozinha. Abri a geladeira e olhei o que lá dentro tinha possibilidade de virar algo comestível com mais facilidade. Havia uma jarra de suco de laranja e eu vi pães em cima da mesa, poderia fazer umas torradas e voilà, café da manhã.


- Finalmente está devidamente vestido! – Falei quando, de relance, o vi passar pela porta da cozinha – Achei que estava pretendendo continuar exibindo tudo que conquistou com o seu trabalho duro na academia aqui pela minha casa.


Coloquei duas fatias de pão de forma com manteiga na torradeira. Nick tinha trazido o Elvis com ele e veio me agarrar pela cintura e beijar meu pescoço.


- Quem te ouve falando assim, até pensa que você não gosta. – Sussurrou contra o meu ouvido e o arrepio típico que sua voz me causa me pegou desprevenida.


- E não gosto. Detesto homens exibicionistas! – Fingi descaso e ele apertou ainda mais seu abraço em minha cintura.


- Detesta é? – Prensou-me na a pia, seu corpo contra o meu - Bom saber disso... – Ele beijou e mordiscou minha orelha e eu gemi baixinho, fazendo-o sorrir satisfeito.


O pequeno clic da torradeira e os pães saltaram pra fora. Nick pegou um e mordeu, então deu pro Elvis comer também, aproveitando pra afagar as orelhas de seu amigo peludo.


Tinha alguma coisa no jeito como ele sorria que o tornava cativante. Como o jeito simples e descomplicado como ele aparentemente vivia sua vida, ou o modo carinhoso como tratava a maioria das pessoas e seres ao seu redor, a sua mania irritante de nunca desistir do que quer... “Eu sei o que significa!”


E de repente eu lembrei que eram essas coisas que eu amava nele.


Seu cabelo, os olhos, o jeans velho... Aquele era o meu Nick, o Nick do qual eu sentia tanta falta. Ele ainda existia e estava ali bem diante dos meus olhos. Estava mudado, mais adulto, mais bonito, mas era ele, ainda era ele.


Bebi um gole do meu suco pra manter a minha boca ocupada. Seria muito ridículo eu ir até ele e simplesmente beijá-lo sem nenhuma explicação, embora eu quisesse. Mas aparentemente o Nick não compartilhava da minha opinião, e depois de me olhar como se pudesse ler os meus pensamentos, ele veio até mim e tirou o copo do caminho, pôs seus lábios nos meus de um jeito tão espontâneo e gentil que eu senti meu corpo inteiro derreter ao seu mero toque.


Ai merda! Por que o beijo dele tinha que ser assim tão bom?!


Emaranhei meus dedos em seus cabelos e o puxei pela nuca pra um beijo mais intenso. Nick segurou minha cintura e me fez sentar na bancada da pia encaixando-se no meio das minhas pernas, com suas mãos percorrendo todo meu corpo coberto apenas pelo meu robe de seda.


- Você não devia começar a me provocar assim tão cedo, é maldade! – Seu sussurro soou como um pedido inocente, mas definitivamente não era isso.


Suas mãos deslizaram para o nó recém amarrado em minha cintura, que ele desfez com facilidade. 

Ele estava olhando nos meus olhos enquanto me despia, como se não estivesse fazendo nada demais. Como se me ter nua e exposta assim diante dele não fosse nada menos que um direito seu. As pontas de seus dedos desceram contornando a minha pele, o meu pescoço, por entre os meus seios e a minha barriga até o meu umbigo. Sua boca tomou a minha mais uma vez, os seus lábios devorando os meus lentamente.


Eu tinha uma vaga noção do mundo real a minha volta enquanto ele me beijava, mas achei ter ouvido um barulho na porta da frente.


- Miley! – A voz da minha irmãzinha pegou nós dois de surpresa. Separamo-nos imediatamente, totalmente ofegantes e desesperados. – Miley, tá acordada?


Amarrei meu robe de qualquer jeito e empurrei o Nick da mesma forma até a porta dos fundos.


- Você tem que sumir daqui, agora! – Abri a porta e empurrei-o porta a fora. Nick ainda tentou chamar o Elvis, mas o cachorro estava ocupado demais devorando a torrada – Vai logo, daqui a pouco eu levo ele! – Os passos da Noah estavam ficando mais próximos.


- Tá! – Ele me deu um beijo rápido e saiu. 


Tive vontade de matá-lo por isso! 


Era muita crueldade da parte dele praticamente só encostar os lábios nos meus e sair correndo, embora tivesse sido eu a expulsá-lo... Bati a porta e me virei para um par de olhinhos azuis que me encaravam com um ponto de interrogação impresso neles.


Será que..?


- Miley, você já viu que alguém derrubou o vaso de flores favorito da mamãe lá na entrada? –– Eu respirei fundo. Ok. Ela não viu nada, ainda bem! Mas é claro que ela reparou no cachorro - O que o Elvis tá fazendo na nossa cozinha?


- Ah, eu levei ele pra passear ontem. Acabei ficando cansada e decidir voltar direto pra casa... Ia devolver ele daqui a pouco.


- Hum... Espera, você está fazendo café da manhã? – Ela falou como se fosse algo muito inacreditável e eu me senti particularmente ofendida.


- Estou, por quê? – Espremi os olhos encarando-a


- Nada! – Ela levantou as mãos como quem diz que é inocente - Eu to morrendo de fome, o que você fez? – Perguntou indo se sentar na mesa.


- Torrada e tem suco e cereal na geladeira se quiser. – Respondi e fui caminhando pra saída da cozinha pra ir trocar de roupa e depois catar os cacos do vaso de flores quebrado na nossa entrada.


- Ahn, Miles? – Ela chamou e eu me virei – Acho que você esqueceu uma coisa aqui... – Ela levantou o meu sutiã no ar e eu tenho certeza que fiquei vermelha de vergonha.


- Me dá isso! – Arranquei o sutiã de suas mãos com ainda mais pressa do que quando tirei de Nick.


(...)


Eu fui devolver o cachorro, é claro que demorei bastante só pra ter certeza de que quando eu chegasse o Nick já teria saído. Se eu tivesse que encará-lo na frente de um monte de outras pessoas eu tenho certeza que não saberia como agir e nem o que dizer, o que seria muito, muito constrangedor. 

Quando cheguei na casa dele a Demi estava providenciando um almoço saudável e nutritivo para sua família como se sua vida dependesse disso, mas o que mais chamou minha atenção era o fato dela estar comendo picles com calda de caramelo enquanto cozinhava.


- Ahn, eu não quero parecer que estou te julgando, mas isso aí parece horrível! – Falei apontando para o picles em que ela derramava calda de caramelo.


Demi deu de ombros e mordeu um pedaço daquilo enquanto picava alguns legumes pra salada.


- Eu sei que parece nojento. – Ela disse tentando não abrir muito a boca e sua voz saiu engraçada. – Mas quando eu estava grávida da Mell tive um desejo de comer esse troço e acabei gostando!- Revirou os olhos como quem não dá muita importância a alguma coisa -Tem um gosto esquisito,  é doce na primeira mordida e vai ficando salgadinho no fim. Eu até tentei, mas isso aqui é mais difícil de largar do que cocaína! - Ela falou e nós rimos juntas - Quer experimentar?


- Não sei não – Olhei aquela coisa. Não parecia nenhum pouco apetitoso – Talvez um dia, quando eu estiver grávida esse negócio pareça melhor. – Ou nem assim!


- Tá, você que sabe. – Ela deu mais uma mordida – Então, ele dormiu na sua casa noite passada? – Ela me olhou e eu arregalei os olhos, espantada. Como ela sabia?– O Elvis. – Ela fez menção ao cachorro parado ali ao meu lado.


- É! Pois é, eu o levei pra passear e acabei decidindo ir direto pra casa... – Repeti a mesma historia. Acho que ela estava ficando mais convincente.


- Hum... Interessante. – Comentou - Sabia que o Nick também não dormiu em casa ontem?
Tá, se tinha uma coisa na qual a Demi era boa era em ligar os pontos, então era bom eu começar a pensar rápido pra sair do radar dela.


- É mesmo? – Tentei fingir uma surpresa que eu obviamente não sentia, mas eu era atriz então acho que eu me saí bem.


Demi me analisou um pouco, mas não disse nada. Acho que ela engoliu... Ainda bem!


- Pois é, mas sabe o que eu achei mais engraçado... – Ela retomou a palavra depois de um tempinho – O jeito como ele chegou aqui hoje de manhã com um sorriso que ia de uma orelha a outra, parecia bem feliz e satisfeito. - Ela não estava exatamente me olhando, mas eu sabia que a cada palavra ela tentava adivinhar o que se passava na minha cabeça – Tanto que nem deu pela falta do Elvis.


- Talvez ele nem tenha percebido. – Dei de ombros, tentando fazer pouco caso.


- É, e talvez seja isso... Ou talvez você ache que eu sou retardada! – Ela largou a faca com força na tábua de madeira e eu me assustei. Demi revirou os olhos - Ah, Miley, me poupe! Vocês passaram a noite juntos ontem, não foi?


Fiquei tão em choque que o meu cérebro só conseguiu focar numa coisa: A Demi poderia trabalhar pra o FBI, sério.


- Ham?


- O Nick é super apegado ao cachorro dele, ele com certeza teria dado um ataque se não soubesse onde ele estava. E ele estava com você. – Ela cruzou os braços sobre o peito - Aí depois eu te conto que o Nick não dormiu aqui e você pergunta com a cara mais cínica “É mesmo?” – Ela arremedou a minha voz e eu quis rir, mas como as constatações dela me pareceram bastante sérias, e eu fiquei quieta.  - Eu te conheço bem demais Miley. Se você não soubesse onde o Nick passou a noite começaria a xingá-lo mentalmente e faria uma cara de psicopata que você sempre faz quando está com raiva...


Eu a encarei e ela sorriu de canto, vitoriosa.


- Bem parecida com essa, só que essa é a de estado de choque! – Disse – Vocês dois são tão fáceis de ler...- Completou – Não acredito que não ia me contar! – Sua voz soou revoltada e divertida, de um jeito que só a Demi consegue fazer.


- Eu ia, só que você nem me deu uma chance pra falar! – Defendi-me


- Até parece! – Rolou os olhos – Tentando me vender aquela historinha ridícula de que levou o cachorro dele pra passear!


- Ei, essa parte é verdade! – Reclamei


- Vocês dois não tem jeito! Vocês e esse amor louco de vocês...  – Não era um julgamento, era só uma constatação. Eu sabia que a Demi embora não admitisse mais, bem lá no fundo, ela torcia pela gente.


Mas não se engane, isso não tem nada a ver com nós dois e nem em acreditar no nosso amor, isso é sobre sempre ter razão. É que ela sempre disse que nós acabaríamos nos casando e a Demi definitivamente não aceita que ela possa não ter razão em alguma coisa nessa vida.


- Ele quer me levar pra jantar hoje. – Contei – Me pediu mais uma chance...


- E o que você disse? – Ela perguntou e eu respirei fundo.


- Eu disse que sim. – Sorri lembrando do sorriso dele. Droga! Eu estou mesmo me apaixonando por ele outra vez, não é?! Suspirei pesadamente – Mas não sei se foi uma boa ideia!


- Ué, mas por que acha isso?! – Questionou-me


- Porque é o Nick e se eu me lembro bem eu já dei umas quinhentas outras chances pra ele e sempre acaba sendo do mesmo jeito! – Retruquei com um tom amargo de obviedade.


- Não exagera que nem foram tantas assim! – Ela rolou os olhos fazendo pouco caso do meu exagero – Bom, você sabe a minha opinião sobre segundas chances, mas algumas vezes a gente só precisa parar de pensar sobre o que aconteceu de errado no passado e seguir em frente, de verdade. – Ela chegou mais perto, tinha um sorriso tranquilo no rosto. – Eu falei com o meu pai lá em Jersey e eu acho que foi a primeira vez que eu consegui olhar pra ele em muito tempo. Não foi a coisa mais simples que eu já fiz na vida, mas a gente conversou e pronto, ficamos bem. – Ela contou como se lembrasse e eu sorri feliz por ela ter tido coragem pra tentar se reconciliar com ele – Eu sei que o seu caso é bem diferente do meu, mas pra quem já deu “quinhentas” chances, uma a mais não faria tanta diferença assim na contabilidade disso.


Eu dei risada pelo jeito matemático como ela colocou, me fez sentir menos desconfortável por ter aceitado o convite dele. 


- Eu sei, eu só... estou com medo de, sei lá, sofrer de novo. – Admiti. Era isso, eu tinha ficado expert na autodefesa dos meus sentimentos e não queria mudar isso. Só que com o Nick o meu coração estava mais uma vez vulnerável.


- Não fica assim! – Ela fez um carinho na minha cabeça como se eu fosse uma criança – Você sabe que eu te admiro por ser tão pragmática, pé no chão o tempo todo, mas não faz isso agora! – Seu olhar tinha um brilho tranquilo que não era tão característico da Demi estabanada de sempre - Não deixa o medo de uma dor futura te impedir de ser feliz. Só vive o que você tem pra viver e se de repente você se machucar...


- Mas e se eu sei que eu vou me machucar? – Interrompi – Se eu sei que não vai dar certo, então por que ainda tentar?


- Bom, primeiro porque você não tem como saber se não tentar, não com certeza. – Ela rebateu – E depois porque você já disse sim. – Fez uma pausa e sorriu - Foi uma resposta bem idiota essa sua, se você parar pra pensar... - Gracejou


- Eu sei! – Respondi sinceramente colocando a mão na testa. Eu sabia o que estava em jogo ao dar uma chance a ele outra vez, mas quando ele me beijou foi impossível dizer não.


Nós duas sempre fomos bastante francas uma com a outra e tínhamos um pacto de sempre dizer a verdade sobre o que achamos de qualquer coisa, por pior que seja. A Demi sempre cumpria esse pacto.


- E sabe também que aquele imbecil não merece você, né?! – Ela me encarou e seus olhos demonstravam um tom de indignação que ela não sentia de verdade, havia um sorriso divertido em seus lábios.– Mas aquele imprestável do irmão do Joseph, cujo nome eu não vou nem repetir pra não gastar a minha preciosa saliva... – Ela fez questão de dramatizar bastante- Ele te ama mesmo!


A afirmação dela foi convicta, ela acreditava mesmo nisso.


- Eu sei! – Eu repeti a mesma coisa de novo e nós duas rimos disso – A pior parte é que... Eu acho que sinto a mesma coisa por ele.  


 (...)


Narrado do por Nick


Beijei a loira a minha frente e joguei-a contra a cama. Cuidadosamente deslizei minhas mãos pelas tiras finas da camisola de seda que delineava seu corpo de forma provocante. O beijo dava a ilusão de uma paixão explosiva, contida há tempos. 


Era uma das ultimas cenas quentes do filme, quando o meu personagem finalmente admitia pra personagem de Delta que estava apaixonado por ela.


As palavras “Eu te amo” saíram dos meus lábios como se fossem reais e a mulher a minha frente olhou nos meus olhos e disse a mesma coisa.


E eu só conseguia pensar na Miley...


Nela e em como dizer pra ela “eu te amo”.


Acho que até então eu nunca soube exatamente o real significado dessas palavras. O quanto elas realmente são poderosas e definitivas.


Pelo menos não até hoje de manhã. 


O jeito como ela estava me olhando na cozinha, ela não me olhava desse jeito há tanto tempo...
Foi tão bom que eu tive que beijá-la!


Delta passou os seus braços em volta do meu pescoço e me beijou.


- E corta! - O diretor parou cena depois do ultimo beijo e nós estávamos dispensados. Teríamos o fim de semana livre, mas deveríamos estar de volta na segunda-feira bem cedo. 


O Josh tinha um compromisso, ele estava ocupado dando um jeito na situação da Miley com a gravadora do Mallone e então saiu um pouco antes do final das gravações. 

Eu voltei pro meu camarim no fim do dia, apesar de ter sido um dia exaustivo eu estava de ótimo humor. Por algum motivo, ficava relembrando o meu café da manhã e sorria sozinho pro nada. 


Joguei o terno e a gravata que pertenciam ao meu personagem em cima de uma cadeira e comecei a desabotoar os botões da camisa social.


Imediatamente pensei nela outra vez, e em como seria infinitamente melhor que ela estivesse desabotoando a minha camisa. Imaginei o seu toque, e aquele sorriso travesso.  Ela vestindo o robe de seda de hoje de manhã.


Lembrei da sua boca na minha e daquela sensação, o gosto. Meus olhos estavam se fechando e eu senti os meus dedos tocando a minha boca.


Eu adoro a Noah, mas ela bem que poderia ter decidido voltar pra casa só depois...


Fazia o que? Umas oito horas só, e eu já estava desesperado pra beijar aquela boca de novo.
É, acho que eu sou um caso perdido! 


Cocei a cabeça tentando afastar mais pensamentos indevidos e ao me virar, vi Delta parada à porta do meu camarim, segurando duas taças e uma garrafa de champanhe, enquanto me observava.


- Ahn, Delta, o que está fazendo aqui? – Perguntei e ela manteve seu sorriso impecável - Posso te ajudar com alguma coisa?


Eu rapidamente abotoei novamente alguns botões da minha camisa, totalmente constrangido com aquela presença feminina inesperada no meu camarim.


- Ah Nick, você não tem que ser tão formal assim comigo. Somo amigos, não somos? – Ela entrou e veio caminhando sensualmente até mim. Ofereceu-me uma taça e ficou com a outra preenchendo-as com champanhe - Acabamos de ser dispensados do trabalho e estamos só nós dois aqui. – Ela me tocou. Não um toque desinteressado de cumprimento, mas um toque insinuante sobre o meu peito. – Então eu quis vir aqui e comemorar a cena que gravamos hoje, ficou incrível!  - Ela estendeu a taça e bateu contra a minha. - A nós! – Eu apenas assenti com um meio sorriso. – O jeito como você me beijou lá, me deixou completamente sem fôlego! – Ela tocou meu queixo.


- Foi só o meu trabalho, Delta. Nossos personagens estão apaixonados, temos que fazer parecer real, mas é só encenação. - A proximidade dela era estranhamente invasiva. Eu quis afastá-la, mas não queria parecer mal-educado então eu me afastei. – E agora eu agradeço a sua atenção, mas, na verdade, eu já estava de saída. – Falei deixando a minha taça sobre o balcão – Acabamos demorando mais do que o previsto hoje e eu fiquei de encontrar uma pessoa.


- Vai encontrar uma pessoa? – Ela repetiu – Então você tem “uma pessoa”? – Ela me encarou com tamanho interesse na minha resposta que eu tirei minhas próprias conclusões. Aparentemente a minha colega de trabalho estava dando em cima de mim.


- É, eu tenho uma pessoa. – Achei melhor deixar isso claro.


- Uma namorada? – Continuou


- Quase isso.


Delta demonstrou uma expressão que até agora eu ainda não tinha visto nela. Não era nada que eu ainda não tivesse visto antes, em outros rostos, era uma amostra clara de desgosto.


- Eu deveria ter imaginado. – Ela murmurou baixo e eu senti um certo desconforto pela forma como suas palavras soaram amargas – Um homem como você nunca ficaria sozinho, não é?- Sorriu – E quem é a garota de sorte?


- Você não a conhece, ela voltou pra Los Angeles faz pouco tempo. – Eu não quis dizer nada. Não conhecia bem aquela mulher e não podia arriscar que ela soubesse mais do que deveria.


- Ah, ela voltou?  Então você já a conhecia... – Ela presumiu e o seu sorriso se alargou – Sinto cheiro de romance antigo no ar? – Ela tentou dar um tom divertido a suas palavras, mas não soou assim pra mim.


- Delta, você vai ter que me perdoar, mas eu não posso deixar a minha “pessoa” esperando, então eu tenho que ir agora, com licença. – Caminhei até a porta e a abri como um convite pra que ela se retirasse.


Ela entendeu e caminhou até a porta, parou emparelhada comigo.


- Todo mundo gosta de reviver velhos amores, Nick. Às vezes você nem sabe mais o que sente, mas já está nisso há tanto tempo que precisa finalmente saber como é que a história termina, não é?– Ela me olhou e me mostrou um sorrisinho discreto – Se por acaso a sua história não tiver um final feliz, talvez seja a hora de pensar em começar uma outra, com um novo alguém. – Ela se aproximou e beijou minha bochecha, quase no canto da minha boca, deixando no meu rosto a marca de seu batom vermelho.


Delta foi embora e eu só consegui pensar que eu não queria uma outra história, muito menos um novo alguém. E eu sei exatamente o que eu sinto, eu amo a Miley. E por mais que a nossa história tenha sido complicada, cheia de idas e vindas, ela era “nossa” e eu não mudaria nada, até viveria tudo outra vez se fosse preciso.


Lamento muito, Delta. Mas acho que vou ficar com a minha velha história de amor antiga, e vou fazer tudo o que eu puder pra que ela tenha um final feliz.


 (...)


Narrado por Demi


Quando a Miley me contou sobre hoje eu meio que insisti pra que ela me deixasse escolher a sua roupa. 


Pelo que eu tinha visto nos últimos dias, moda era a última coisa que estava passando pela cabeça da Miley, ou pelo guarda-roupa. E o Nick estava se esforçando, achei que ele merecia algo melhor do que jeans e camiseta. 

Só que como a Miley esteve morando na Austrália no último ano as roupas legais dela ainda estavam todas lá, então não tínhamos tantas opções minimamente aceitáveis para se usar num encontro em seu closet. 

Outro ponto importante é que eu também não fazia ideia de onde o Nick pretendia levá-la, então achei que deveria apostar num meio termo, nada chique demais e nem simples demais, assim ela estaria bem vestida tanto pra um jantar no “Le Gardem” ou pra ir comer petiscos no barzinho da esquina. 

Não precisei pensar muito, um vestido de noite curto e sexy seria a escolha mais obvia, só que é claro: ela não tinha um, então eu tive que emprestar um dos meus.  Fiz uma maquiagem também, intimei que ela usasse salto alto e no fim de todo o meu trabalho duro ela estava linda. Mas não apenas linda. 

Estava linda, sexy, sedutora e fatal.


Ela iria deixar o Nicholas babando, com certeza.


Ok, eu era incrível nisso! Mas também, no que eu não sou incrível?! As pessoas deveriam começar a me contratar e me pagar para que eu as vestisse para eventos de tapete vermelho.


Mas agora, como uma mãe dedicada eu estava terminando de alimentar a minha filha. Quando ela acabou a mamadeira, eu a coloquei apoiada no meu ombro e dava pequenos tapinhas de leve em suas costas pra fazê-la arrotar. A minha pequenina estava agitada demais e eu estava achando que não iria conseguir colocá-la pra dormir ainda... 


Enquanto isso ouvia o som que os saltos da Miley faziam contra o chão. Ela praticamente estava tentando abrir um buraco no piso, de tanto andar de um lado pro outro, visivelmente ansiosa.


Olhei pra ela novamente. Tinha começado a roer as unhas, o negócio era sério.


 - Acho que devia ligar pra ele. – Disse isso assim mesmo, do nada. Sabia que ela sabia do que eu estava falando, ou melhor, de quem eu estava falando.


- Eu ligar? Até parece, nunca! – Ela cruzou os braços sobre o peito seguido de uma respiração pesada, quase bufando.


- Bom, ele está demorando, deve ter acontecido alguma coisa no trabalho... – Falei sem realmente me importar muito. O Nick era irmão do Joe, se ele tivesse puxado ao irmão em questão de horários era melhor a Miley ir esperar sentada ou os saltos iriam machucar seus pezinhos.


- Não to nem aí! – Ela tirou o corpo fora – Quer saber, isso é ridículo. Eu vou pra casa!


- Não vai não! – Ralhei – E desperdiçar toda essa mega produção? Nem pensar! – Ela rolou os olhos e eu lhe entreguei a Mell. Peguei meu telefone e a Miley arregalou os olhos. Digitei os números do Nicholas enquanto a Miley continuava me olhando desacreditada. Caiu na caixa postal, mas eu deixei uma mensagem de voz – “Oi Nick, a que horas você vem pra casa? Caso tenha esquecido você marcou um encontro com a Miley e ela está aqui te esperando então trata de dar um jeito no que quer que seja que você esteja fazendo e venha buscá-la, manezão! Até mais, beijos!”– A Miley tentou arrancar o celular das minhas mãos assim que ouviu a palavra “encontro”, mas eu corri pro outro lado do quarto e a bebê também a atrapalhou. 

Normalmente eu não me meteria em um relacionamento, a menos que eu fizesse parte dele, mas é que essa relação totalmente confusa e frustrada desses dois precisa de toda ajuda possível.


- Sua louca, por que voce fez isso?! – Questionou


- Eu só avisei que ele está te fazendo esperar! – Respondi simplesmente, pegando a minha filha de volta.


- Não, você praticamente escreveu “desesperada!” na minha testa. – Ela devolveu neurótica.


- Ah é?! E você acha que está parecendo ser o que agora?! – Ela finalmente se tocou que estava parecendo uma doida varrida então parou de reclamar. 


Eu voltei pra minha poltrona especial de amamentação com a Mell no colo. A Miley parou diante do espelho no quarto, de costas pra mim.


- Me desculpe! Eu só estou me sentindo completamente estúpida por estar aqui esperando por ele. Olha só pra mim eu até me produzi toda, só pra sair com ele, como se isso fosse mesmo ser um encontro pra valer, é tão ridículo. Eu não sei onde é que eu estava com a cabeça...– Ela parou de tagarelar por um segundo e olhou fixamente no espelho – Ei, eu ainda não tinha reparado que o decote desse vestido ficava tão “assim” – Ela se virou pra mim apontando os próprios seios.


- É, e daí? Está bonito em você. – Fiz pouco caso


– Mas você não acha que é um pouco demais, não? – Ela arregalou os olhos – Quer dizer, eu estou vestindo um vestido que só tem um palmo de saia e ainda por cima com um decote desses?! Desse jeito ele vai achar mesmo que estou desesperada!


- Miley, meu bem, eu não sei se você se deu conta, mas você queria que eu te vestisse pra sair pra jantar com um cara e não pra ser voluntária num bazar de caridade da igreja. – Revirei os olhos - Além do mais você sabe o que eu sempre digo: Quanto mais interessante o cara é, maior o decote tem que ser também! Os homens são criaturas totalmente visuais, amor. Temos que dar algum material pras mentes limitadas deles... – Sorri reafirmando a minha teoria que tinha sido comprovada mais de uma vez.


- Tá, mas o objetivo aqui era sair pra jantar e não sugerir que eu poderia ser o jantar! – A Miley resmungou


- Ok, mesmo se esse vestido sugerisse qualquer coisa, e eu não estou dizendo que ele sugere, acho que o Nick não veria desse jeito.  Acho que pra ele você estaria mais pra uma sobremesa. – A boca da Miley se abriu em um perfeito O de pura indignação e eu gargalhei da cara que ela fez. 


- Não acredito que disse isso! 


- O que? Eu só estava brincando, sua retardada! – Continuei rindo – Agora vê se para de ser louca, porque você está absolutamente incrível nesse vestido! – Pelo menos a nossa discussão boba tinha desviado o foco da Miley do encontro e ela parecia menos estressada agora - Você vai ver como o Nick vai gostar dele. – Pisquei pra ela – Agora, só te peço por tudo que é mais sagrado: não vai deixar ele estragar. É um Prada exclusivo, foi presente do Joe e foi caríssimo!


- Prada é? Não sabia que o Joe tinha bom gosto pra grifes de roupas femininas. – Ela sorriu


- E não tem. Tudo que ele tem é um cartão de crédito ilimitado do qual eu também tenho a senha. – Nós duas rimos. – Mas agora falando sério, você acha que você e o Nick “vão comer sobremesa” depois do jantar? – A Miley não sacou de cara, mas não levou nem dois minutos. Ficou totalmente estática e eu quis rir, mas me segurei. 


- E você ainda disse que ia falar sério. – Ela balançou a cabeça – Você é inacreditável!


- Ah, qual é Miley nós duas somos adultas e sabemos que rumo geralmente as coisas tomam depois de um encontro, eu só fiz uma pergunta comum. Só que não vou ficar usando a palavra com “S” na frente da minha filhinha!


- Você ainda tá lembrada que deveria ser minha amiga, né? – Reclamou – Por que eu sempre tenho a sensação que você fica torcendo pra que eu – Ela olhou a bebe e fez uma pausa e só então continuou – “deixe ele comer a sobremesa”!


- Meu bem, eu só cogitei a possibilidade. Deixar ou não deixar ele comer a sobremesa é opção sua. – Adverti – Mas eu não vou te julgar se você quiser deixar. Acho que qualquer uma iria querer dar sobremesa pra ele. Com aquele corpo sarado, maravilhoso que ele tem, até eu deixava ele comer sobremesa todo dia fácil.


- Demétria! Você não devia ficar reparando o corpo sarado do seu cunhado e muito menos ficar pensando em dar sobremesa pra ele, tá louca? – O que é isso Miles, ciúmes?


- Minha filha, vou fazer o que se o Nick é gostoso? Não sou cega! – Fiz cara de diva que olha mesmo e não tá nem aí – Mas isso não vem ao caso, Ok?! Só estou dizendo que não tem nada de errado se de repente você acabar deixando ele comer sobremesa. Convenhamos, ele é o tipo de homem que ganharia sobremesa até sem merecer e você mais do que ninguém deve saber disso!


- Pois comigo pra ganhar sobremesa, primeiro tem que ser um bom menino!  - Ela cruzou os braços sobre o peito - Se não coloco de castigo e sem sobremesa.


- Que crueldade tirar a sobremesa do coitadinho! Tira só a TV ou a mesada! – Gracejei


- Ah, cala boca! – estávamos rindo quando ouvimos batidas na porta do quarto.


- Demi, vou levar as crianças ao cinema, vocês vem? – Joe colocou só a cabeça pra dentro da porta. Ele olhou a Miley dos pés a cabeça uma vez. Bom pra ele, porque se olhasse de novo eu ia ter que arrancar os olhinhos dele! – Uau Miley, tá gatona! – O cara de pau sorriu todo galanteador e a Miley ruborizou terrivelmente. – Gostei do vestido, a Demi tem um igualzinho!


Acho que a Miley não soube o que dizer, mas eu sabia!


- Não sabia que você tinha começado a se interessar por moda, amor! – Resmunguei cortando o barato do meu marido intrometido – E nós vamos sim! – Falei me levantando com a Mell no colo – Mas esse “nós” somos só eu e a Mell, a Miley já tem compromisso. – Ouviu bem isso, Joe? A “gatona” tem compromisso e você também, até onde eu sei!


Nós três voltamos pra sala.


- Miley, você não vem? A gente vai assistir Minions! – Noah a convidou animada.


- Ah, que pena, a Miley já viu esse filme! – Fiz biquinho e pude ver a Miley rolar os olhos ao meu lado.


- Tá, então a gente pode assistir outro filme. – Joe sugeriu e eu quis muito socar ele.


- Valeu Joe, mas não precisa. - A Miley falou – Não vai dar pra eu ir gente, eu já tinha marcado um outro compromisso.


- Compromisso, com esse vestido? – Jenny a analisou dos pés a cabeça, ainda mais profundamente que o Joe – Só se for um encontro!


Aquela garota era das minhas.


- Miley, você tem um encontro?  - Foi Noah quem perguntou e eu vi a Miley entrar numa fria.


Por sorte, Nick chegou na hora crucial e adentrou a sala interrompendo a resposta que a Miley não iria querer dar.


Eu puxei a Noah pela mão.


- Bom, crianças, acho melhor a gente ir! – Falei – Já está tarde e nós não queremos perder a última sessão infantil, então vamos! Todo mundo pro caro! – Joe e as crianças cumprimentaram o irmão dele rapidamente e a Miley me silabou um “obrigada” inaudível. 


Eu fui a última a sair e vi o jeito como eles estavam se olhando...


É, acho que eu estava certa sobre esses dois, aliás como sempre!


(...)


Narrado por Nick


- Eu ia te buscar... - Eu devo ter ficado parado olhando pra ela com cara de paspalho, eu sei. 



Só que ela estava linda demais pra que eu conseguisse desviar o olhar. Aquele corpo, naquele vestido... Puta merda!



- Você disse que ia chegar às sete, está atrasado. – Ela cruzou os braços sobre o peito.
Eu respirei fundo.


- Desculpe. Eu tive que resolver umas coisas no trabalho. - Falei tentando não parecer tão distraído quanto eu realmente estava com o seu decote. – Me dá só mais dez minutos? – Pedi e ela rolou os olhos, sentou no sofá e cruzou as pernas. 


Eu sabia que eu tinha que ir, mas o meu raciocínio estava mais lento que o normal por causa do decote e ela ainda cruza as pernas?!


Caramba!


Ela estava me olhando como quem pergunta “você não vai sair daqui?” e eu dei o comando cerebral pra minhas pernas se moverem. Comando esse que só foi atendido alguns segundos depois.


 (...)


Estacionei o meu Mustang na frente de um restaurante em especial e desci pra abrir a porta pra ela. 

Eu sabia que a Miley não se importava com cavalheirismo e essas coisas, mas eu queria fazer isso. Queria abrir a porta do carro e entrar no restaurante de braço dado com ela. Queria elogiá-la e conversar trivialidades só pra ouvir o som da sua voz, e se não fosse pedir demais, depois, eu queria que ela quisesse mais que só um jantar.


Eu queria que essa fosse uma noite perfeita...


Ela me estendeu a mão e eu a puxei pra mim. Deixei que meus dedos deslizasse em sua cintura. 


- Você está linda! – Sussurrei - Eu sei que essa frase é um clichê, mas é verdade. - Tentei fazer o meu comentário soar de um jeito mais casual e não tão apaixonadamente deslumbrado, mas não sei se consegui ser bem-sucedido.


- Obrigada. – Ela sorriu altiva e agarrou o meu braço.


Entramos e o garçom nos guiou até a nossa mesa. Eu tinha reservado uma mesa com vista pro mar em uma área privativa desse restaurante. Não havia perigo de sermos flagrados por paparazzi ou por outras pessoas, os empregados daqui também eram muito discretos. Mas nem foi por nada disso que eu escolhi o local, eu só queria que pudéssemos ficar mais à vontade pra conversar.


Depois de nos acomodar e se certificar que estávamos completamente satisfeitos com a mesa, imediatamente o garçom também trouxe champanhe e nos sugeriu alguns pratos, confesso que escolhi o meu sem dar muita importância a nada daquilo.


Miley se dirigiu ao elegante parapeito e ficou olhando o mar por alguns instantes. Eu servi duas taças de champanhe e lhe entreguei uma.


- Você caprichou. – Ela me olhou – Esse restaurante, champanhe... O que mais posso esperar, ham? Caviar? – Eu ri e ela também – Por acaso está tentando me impressionar?


- Estou. – Admiti – Eu tô indo bem? – Perguntei e o sorriso dela se alargou.


Ela assentiu.


- Está.


Tivemos uma conversa bastante casual, nós nos limitamos a assuntos cotidianos e acho que foi uma decisão mutua não tocar em assuntos do passado. 

Falei sobre a minha família e do trabalho, a Miley me contou um pouco sobre os planos pra um álbum country e sobre ir passar o final de ano com a família na fazenda... Eu quis falar o mínimo possível, pois eu estava gostando de ouvi-la e sabia que ela adorava falar dessas coisas, ela adora aquele lugar. 


E tinha tantas coisas que eu queria saber, havia se passado um ano que ela foi embora, mas fazia muito mais tempo que ela tinha saído da minha vida. Muita coisa poderia ter mudado...


- ... E desde a última vez que eu passei um final de semana lá com a Noah no ano passado eu não voltei. – Suspirou – Eu estou com muita saudade, aquele lugar é meio que como uma parte de mim, sabe? Quando eu estou na cidade eu não consigo me sentir realmente livre. Mas a sensação que eu tenho quando estou lá é simplesmente... indescritível.


- E você ainda tem o seu cavalo? – Eu quis saber


- O Blue Jeans? – Sorriu – Tenho. Faz tempo que não o vejo, mas a vovó está cuidando dele pra mim.


- Cara, eu adoro a sua avó. Ela é demais! – Falei relembrando a senhora de cabelos castanhos e olhos azuis como a Miley. 


- Ah, é claro que adora ela, ela vivia paparicando você! – Ela revirou os olhos e eu ri. – Ela deve estar uma fera comigo. – Ela murmurou essa parte, mas eu consegui ouvir. – Nem mesmo consegui telefonar no aniversário dela. – Ela falou com um certo remorso.


Eu arrastei minha mão até o centro da mesa, como um convite. Ela colocou a mão na minha e entrelacei nossos dedos.


- Não se preocupa com isso, ninguém consegue ficar bravo com você por muito tempo. – Eu disse e ela me olhou curiosa – Você já viu a cara que você faz quando está triste? Você parece aqueles filhotinhos fofos e indefesos, simplesmente não dá pra aguentar. Você amolece qualquer um!


Ela riu.


- Meu pai diz a mesma coisa!


- Tá vendo só?!


- Só espero que tenham razão, porque uma coisa são vocês. A vovó é durona!


- Não é não, a sua avó é um amor. – Discordei 


- Só com você, porque você é puxa-saco dela! – Revidou


- Nada disso! Rubi sabe fazer um ótimo julgamento do caráter das pessoas, é por isso que ela gosta de mim. – Expliquei


- Rubi? – Encarou-me – Que intimidade é essa com a minha avó, Nicholas? – Cruzou os braços


- Ué, nós dois somos grandes amigos e ela disse que eu podia chamá-la assim. Faz com que ela se sinta mais jovem. – Falei desinteressadamente – Mas o fato realmente relevante aqui é que a sua avó me adora e você está obviamente com ciúmes da nossa ótima relação. – Provoquei.


- Não tô nada! - Ela me mostrou a língua e eu quis beijá-la.


Não havia absolutamente nada nela que eu não gostasse. Seu jeito espontâneo, sua personalidade forte, o jeito como ela se importava tanto com sua família... 

Ela havia deixado sua vida na Austrália pra trás, o noivo e o próprio casamento, só pra voltar aqui e arrumar a bagunça. Poucas pessoas seriam capazes disso: abrir mão da própria felicidade em prol de outros. Mesmo sendo a sua própria família, eu conheço muita gente não se sacrificaria desse jeito.


Eu não vou mentir, é claro que eu estou feliz por ela ter voltado e por ter rompido o relacionamento com aquele cara. Eu estou muito feliz e satisfeito com isso, obrigado! Mas o que eu estou dizendo é que eu a admiro por sempre ter coragem de fazer o que ninguém mais faria.


Eu acariciei sua mão sobre a mesa. 


- Sabe o que a gente podia pedir, agora? – Ela me olhou com um sorriso


- O que? - Perguntei


- Torta de pêssego! - A avó da Miley fazia a melhor torta de pêssego que eu já comi na minha vida, e era à torta favorita da netinha - Será que a daqui é tão boa quanto à da vovó?


- Bom, só tem um jeito da gente descobrir... – Chamei o garçom.


Por algum motivo que eu desconheço a Miley teve uma crise de risos quando o garçom nos trouxe o cardápio de sobremesas, mas como já sabíamos o que queríamos nós só pedimos as tortas. Nós dois soubemos desde a primeira garfada que não tinha nem comparação, a torta da avó da Miley era incontestavelmente melhor, mas a do restaurante até que era legalzinha, então nós comemos criticando todos os defeitos que conseguíamos encontrar desde os maiores aos mais insignificantes, como se fossemos dois chefes internacionais especializados em confeitaria. 


- Tá, vamos à avaliação final.  Nota? – Ela pediu


- Humm...6. – Eu quis ser legal.


- Eu dou 2. Comparando com a da minha avó essa torta é apenas comestível! – Ela resmungou e deixamos nossos pratos de lado. – Nick, você gosta muito de sobremesa? – A Miley me olhou de um jeito estranho, eu não entendi muita coisa. Essa me parecia uma pergunta totalmente comum.


- Não muito. – Respondi sinceramente – E você gosta?


- Adoro! – Ela sorriu travessa – Sabe quem mais gosta de sobremesa? A Demi. – Contou – Inclusive estávamos falando disso antes de você chegar. Por algum motivo ela acha que você gosta.


- E eu gosto. Só não gosto tanto assim.  Acho que é pelo problema de diabetes. – Comentei e a Miley pareceu relembrar


- É verdade, eu não lembrava mais disso. Você está bem? – Ela perguntou.


- Estou. Não tenho crises há anos. – Contei - E agora, eventualmente, posso comer sobremesa como qualquer pessoa. – A Miley riu de novo e cobriu o riso com a mão pra que ele não virasse uma gargalhada.


- Me desculpe! – Pediu – Nick, eu posso te pedir uma coisa? – Ela me olhou e eu assenti – Mas você vai ter que me prometer que vai fazer mesmo! – Insistiu e eu garanti – Ok! Leva a Demi pra comer uma sobremesa em algum lugar, só vocês dois, e aí você diz pra ela que sempre soube que ela queria comer sobremesa com você. – Ela fez uma pausa e eu ainda estava tentando entender – Só que aí você deixa ela pedir e só fica olhando. Quando ela te perguntar o por que você não está comendo voce fala que não gosta tanto assim de sobremesa. – Ela sorria como que imaginando a cena - Daí depois é só você dizer pra ela que: “a Miley mandou um oi”.


- Tá, mas por quê?! – Eu quis saber.


- É segredo. Mas eu te conto depois que você fizer isso. – Ela piscou pra mim – Ah, mas dá um tempo pra fazer, tá? Tipo uma ou duas semanas.


- Ok. Isso é algum tipo de pegadinha?


- Não esquenta, Jonas. Você vai saber. – Assegurou – Ah, e a sobremesa favorita dela é brigadeiro.
- Eu sei e é uma pena, porque brigadeiro é uma das únicas sobremesas que eu gosto.


- Ah é? Nunca imaginaria que vocês tinham a mesma sobremesa favorita.


- Não é a minha favorita. – Esclareci.


- Ah não, então qual é? - Perguntou


- Qual é a sua? – Eu perguntei


- Eu não vou dizer a minha. Eu perguntei primeiro! – Argumentou


- Eu também não vou dizer a minha, a menos que você diga a sua. – Contra-argumentei.


- Não posso dizer a minha, é um segredo! – Ela me olhou diretamente nos olhos.


- Ah qual é? Me conta. Prometo que eu não conto pra mais ninguém! – Pedi e ela negou - Tá então eu vou chutar uma e se eu acertar você me diz! – Ela concordou e eu sorri, pois o meu palpite era ótimo.


 – Torta de pêssego!


- Errado! – Um sorriso vitorioso dançou em seus lábios – Essa passou a ser a segunda favorita! – Seus olhos permaneciam em mim.


(...)


Nós fizemos essa conversa da sobremesa durar bem mais que o necessário, eu não acertei a favorita da Miley de jeito nenhum, mas também eu não tenho um vasto conhecimento culinário então pode ter sido que alguma sobremesa me escapou a mente na hora. Eu também sabia que tinha algo mais nessa conversa, mas como ela disse que me contaria o segredo depois que eu fizesse o que ela pediu, eu resolvi esperar pra ver. 


Nós parecíamos amigos de infância, conversamos sobre tudo. Falamos sobre os nossos gostos atuais pra músicas, seriados e filmes e mais um monte de outras coisas sem nenhuma importância, mas que são as que nos tornam quem somos. 


Quando eu repassava tudo sobre ela em minha mente, tinha tanta coisa que eu achava parecido comigo. É claro que não éramos iguais, nós somos muito diferentes, na verdade. Mas ela, a sua personalidade e as coisas que ela gosta, o jeito dela encarar o mundo parecia se encaixar com o meu perfeitamente.


A nossa proximidade era confortável, natural. Era só... tão divertido estar com ela. Não importava o lugar, era simples e corriqueiro. Era tão fácil se apaixonar por aquele sorriso, quase inevitável. 


- Então, o que você tem feito pra se divertir? Algum filme ou série legal?- Perguntei


- Tá... Eu vi só uma série ou outra.  Deixa eu pensar... hum... Ah, eu vi e até gostei um pouquinho de “13 reasons why”, mas acho que mais por influência da Demi. – Ela contou. Tínhamos decidido ir olhar o mar e estávamos recostados juntos ao parapeito de madeira – Também comecei a ver “Riverdale” e achei que seria legal, mas detestei!


- Eu não vi nenhuma das duas – Admiti – São séries de mulherzinha.


Ela gargalhou


- Nossa! Você é muito machista, credo!


- Não sou machista, só acho que filmes e séries românticas são forçados demais. – Defendi-me – São histórias diferentes, mas acaba sempre sendo a mesma coisa. Um cara se apaixona por uma garota e se ele não é um completo imbecil que não consegue dizer o que sente por ela, algo muito sem noção acontece e os impede de ficar juntos, tipo diferenças entre a família dele e a dela ou uma doença terminal, um amor do passado ou qualquer outra bobagem que poderia ser facilmente contornada se eles não fossem uns bocós! – Aleguei veementemente - Cara, se você ama alguém, ama mesmo, você diz! E se a sua família não concorda, dane-se! Quem liga pra o que a sua família pensa ou que família dela tem contra você?! Sei lá, nenhum deles vai ficar com ela, quem vai ficar com ela é você! – Ela estava rindo pelo jeito como eu estava colocando as coisas - E se ela tá doente, tá morrendo, não importa! Fica do lado dela e pronto. Fica com ela enquanto você pode! E quanto ao amor do passado... – A Miley estava prestando atenção ao que eu dizia então eu quis dar a minha opinião sincera sobre esse assunto. – Se depois de tanto tempo ainda é amor é por que vale a pena! – Essa era também a minha opinião sobre nós, mas eu não iria dizer nada, então só finalizei o raciocínio - Só estou dizendo que se você ama alguém, você fica com a pessoa e pronto, é muito simples. 


- Eu até concordo que esses filmes são exagerados, mas não acho que amor na vida real seja tão fácil quanto você diz. – Ela me olhou e eu sorri


- Eu não disse que é fácil. Disse que é simples, e eu acho que pode ser mesmo – Encarei-a – Se a gente quiser...


Ela não disse nada, mas desviou o olhar.


- Tá, mas então me diz do que você gosta? – “De você” eu juro que quase respondi isso.


Balancei a cabeça espantando o pensamento. Ela estava falando quanto aos gêneros dos filmes, somente.


- Sei lá, gosto de tudo um pouco: séries e filmes de ação, aventura ou alguma comédia que realmente tenha graça. – Falei lembrando que quase 99% dos títulos com essa classificação não tem graça e nem faz sentido – Mas eu não vi nada esse ano, acho que na verdade a última vez que assisti um filme em cartaz foi ano passado, o Piratas do Caribe novo.


Ela riu muito, riu mesmo.


- Nossa! E eu que achava que eu era desatualizada. Bom saber que alguém ganhou de mim nesse quesito! – Ela pareceu realmente satisfeita com isso – Mas pelo menos você tem bom gosto, Piratas do Caribe definitivamente está no meu top 5. Amo o Orlando Bloom nesse filme, bom, amo ele em qualquer filme, mas especialmente nesse.


- E eu que achei que ele também ia ficar de fora desse ultimo... – Tive que dizer


- Pois é! – Ela rebateu imediatamente – Mas ainda bem que ele voltou pra história, estava fazendo falta! - Não pra mim - Ele esteve perfeito como Will Turner, é o melhor personagem do filme. - Eu decidi ignorar o comentário alucinado e apaixonado dela. Todo mundo sabe que o Jack Sparow foi sem dúvida o melhor personagem desse filme.


- Ah, eu também vi velozes e furiosos 8, acho que é mais atual, né? – Lembrei


- É sim, esse pelo menos foi neste ano! – Disse e riu da minha cara, de novo. – Foi bem legal esse último. Uma pena o Paul Walker não estar nele, porque ele era o mais gato.


- Por que você precisa se apaixonar por um cara em cada filme? – Tive que perguntar


- Eu não me apaixono por um cara em cada filme! Não tenho culpa que em cada filme sempre tem um cara fofo, legal e totalmente apaixonante, que geralmente é interpretado por um ator que eu gosto e admiro, é apenas coincidência. – Ela sorriu explicando a “casualidade” desses eventos – E você vai me dizer que não assiste os seus filmes e fica imaginando qualquer uma dessas atrizes lindas e maravilhosas saindo com você? – Ela cruzou os braços e espremeu os olhos me analisando.


- Ok, ok, “saindo” não seria exatamente a palavra mais adequada pra o que eu fico imaginando...  – Eu ri e ela me deu um tapa no braço. – Qual é, a Scarlett Johansson estava muito gostosa no ultimo Avangers!


- Você não presta!


- Foi você quem quis saber! – Ela virou e ficou olhando pro horizonte.

Eu não era um cara com o melhor senso de humor no mundo, verdade. Mas eu também não era o cara que não sabia contar nenhuma mísera piada, pelo menos ela já tinha rido bastante até aqui. 

Mas acho que isso não era um bom sinal. 


Talvez ela não me achasse engraçado. 


Já estávamos aqui há um tempo, o mesmo tempo que eu queria beijá-la e não tinha encontrado um momento “oportuno”. 

Decidi então iniciar com uma brincadeira, se eu fosse bem sucedido eu a beijaria, se não fosse ela iria rir e tudo ficaria bem.


Ok, vamos lá...


- Eu estava pensando uma coisa... – Cheguei mais perto, coloquei minhas mãos sobre sua cintura apenas apoiando-as ali, sem nenhum movimento insinuante – O meu filme vai ser lançado ano que vem, você acha que vai assistir?


Ela me olhou incerta, não reclamou sobre a minha proximidade.


- Talvez. – Eu sorri


- Que bom! Você não sabe o quanto isso me deixa feliz... – Eu pisquei pra ela e a soltei pra chamar o garçom e pedir a nossa conta.


A Miley ficou inquieta desde então, mas esperou pacientemente eu terminar de tratar com o garçom.
- E então, vamos? – Estendi a mão pra ela.


Chegamos ao estacionamento. Eu abri a porta do carro pra ela.


- Nick, eu não entendi. Por que me perguntou se eu iria assistir o seu filme? – Eu sorri, estava esperando ela perguntar isso.


Eu estava perto e cheguei mais perto, quase que prendendo seu corpo entre o meu e o carro, mas de maneira discreta, é claro.


- É que no meu filme, eu vou ser o cara fofo por quem você vai se apaixonar. - Talvez eu fosse louco, mas eu juro que isso pareceu muito melhor na minha cabeça. Ela balançou a cabeça rindo, provavelmente me achando o cara mais prepotente e idiota da face da terra.


- Um tanto quanto presunçoso, você, não? – Olhou-me.


Genial, Nick. Parabéns! 


- Prefiro dizer que sou autoconfiante, amor. – Coloquei meu braço na lataria do carro evitando que ela pudesse se mover dali. Já que eu tinha começado com isso, então tinha que terminar.


Pisquei pra ela e ela sorriu. Mordeu os lábios daquele jeito sexy que eu gosto.


- Até que eu gosto – ela tocou meu rosto deixando a distância entre nossos corpos relativamente menor – dessa sua “autoconfiança”...


Um segundo depois de ter dito isso eu senti seus dedos nos meus cabelos e ela mesma me puxou pra um beijo.


E que beijo!


Senti suas mãos percorrerem o meu corpo em todos lugares certos. Eu apertei sua cintura e a prensei de uma vez contra o carro. Ela mordeu o meu lábio provocativa e eu quis beijar mais e mais aquela boca. 

O vestido dela era curto e sua coxa e o couro estavam roçando em mim de um jeito que estava me deixando louco. Eu cheguei até a imaginar aquele vestido no chão do meu quarto e a dona dele nua na minha cama. Sério, eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no quanto eu queria tirar esse vestido!


Passei a mão por sua coxa, fazendo com que o maldito vestido subisse um pouco. Eu já estava fora de mim, mas aí a Miley sussurrou no meu ouvido, tornando tudo ainda mais difícil.


- Nick, não está pensando na Scarlett Johansson agora, está? – ela quis saber.


- E quem é essa? – Rimos e eu a beijei de novo, chupando seus lábios e sua língua.


Eu nunca iria me cansar dessa boca. Nunca! 


Havia mais urgência a cada novo toque, meu e dela. Acho que era tão inacreditável pra mim estarmos assim juntos depois de tanto tempo que a minha mente custava a crer que era real e não uma fantasia. 

É claro que eu adorava a sensação da sua pele sob as minhas mãos, mas eu não conseguia acalmar aquela parte de mim que sentia medo disso. 

Quer dizer, ela estava aqui agora, mas será que iria ficar?


Ela havia escolhido ir embora, teve um noivo e quase se casou com ele. Ela havia voltado pela família, ou talvez porque não o amasse o suficiente pra dar esse passo com ele, e de verdade, eu estava torcendo muito pra ser isso, pra ela ter descoberto que ele não é o cara certo. Mas, de qualquer forma, não fazia diferença o motivo que a trouxe de volta, no fim das contas, não fui eu. 


Não foi por mim que ela voltou. 


Não era por minha causa que ela estava aqui e eu não sabia se o que tínhamos ia ser o bastante pra fazê-la escolher ficar...


Mas eu queria que ela ficasse. Queria muito!


- Acho que já está na hora de você me levar pra casa! – O seu sorriso provocativo me fez sorrir contra os seus lábios


- Tá. - Eu assenti e me afastei um pouco, daí abri a porta pra ela. 


 (...)


Dirigi quieto, sempre debaixo do olhar atento da Miles e das suas carícias muitíssimo arriscadas. Por sorte não sofremos nenhum acidente já que a minha atenção não estava exatamente voltada pra estrada. Ao chegar eu parei o carro em frente a sua entrada, mas nenhum de nós desceu. Soltamos os cintos de segurança e assim que nos vimos livres, lançamo-nos nos braços um do outro.


- Estou tentando decidir se te chamo pra entrar... – Ela murmurou provocativa.- Não parece correto fazer isso, nós só tivemos um encontro.


- Não está tão tarde. Eu posso te levar pra algum outro lugar e a gente tem um segundo encontro! Acho que depois do segundo encontro já dá pra chamar pra entrar, não acha?!  – Disse e ri, acompanhado da gargalhada gostosa dela.


- Ok. Você tá indo bem com esse negócio de autoconfiança. – Ela me olhou antes de abrir a porta – Ficou mais divertido – Mordeu os lábios e me roubou um selinho antes de sair.


- Ei! – Chamei-a – Não vai mesmo me convidar pra entrar?


- O que a sua autoconfiança te diz? – Ela estava chegando à porta da frente.


- Diz que você devia convidar! – Desci do carro e a Miley me chamou movendo apenas o indicador em minha direção. 


Talvez tenha sido só o momento, mas eu achei o seu chamado muito sensual, quase erótico.


Entramos e só atravessamos o salão. Subimos correndo as escadas para o segundo andar, onde ficava o seu quarto. Ela tropeçou quase no último degrau e eu a segurei em meus braços. Com nossos corpos colados suas mãos vieram prontamente desabotoar minha camisa, mas sem nenhuma pressa.


- Você se saiu bem hoje.  – Sorriu tirando os botões das casas, um a um e eu a beijei de novo, só por que eu adorava a sensação dos seus lábios nos meus. – Foi bom – Sussurrou nos meus lábios e me olhou nos olhos - estar com você.


Aquelas simples palavras aqueceram o meu coração de um jeito inesperado. Ela tinha gostado, eu também tinha e então não precisava ter mais discussão, a gente podia sair mais vezes e só... Ficar juntos.


Eu a espremi contra a porta do seu quarto e a beijei enfiando minha língua em sua boca. Suas mãos deslizaram do meu pescoço para s meus ombros e ela tirou a minha camisa.


Segurei seu rosto entre as minhas mãos e olhei em seus olhos.


Eu quis dizer “Olha, eu te amo. Faz amor comigo e não me deixa nunca mais, por favor!”, eu abri a boca até, mas na hora de dizer, não saiu nada.


Eu queria dizer pra ela, mas eu não pude e eu nem sei por quê... 


Tudo bem, eu até sabia o por quê. Eu estava com medo de descobrir o que viria depois de dizer isso.
O que ela diria?


Isso entre a gente é quase bom demais pra ser verdade e eu não queria arriscar perder. Se ela me rejeitasse depois de eu dizer que a amo ia doer como nada nunca tinha doído na vida.


É, pelo visto eu não era assim tão autoconfiante.


Beijei-a de novo e torci pra ela não ter percebido o meu minuto repleto de indecisão. Suas mãos desceram para o cós da minha calça e eu respirei fundo enquanto ela desabotoava e descia o zíper. 


Antes que terminasse eu agarrei sua cintura e desci a mão por sua coxa, passei por debaixo do vestido até a sua bunda, ela ofegou, enquanto com a outra mão eu encontrei o zíper na lateral da peça e abri. 

A sensação do couro deslizando entre as minhas mãos e sua pele foi uma das melhores que eu já tive na vida. 


O lingerie que ela estava por debaixo foi uma das melhores surpresas da noite também, era pequeno, preto e cheio de tiras. Levei uns bons dez segundos pra notar que tinha algumas transparências também. Bom, se o objetivo dela era acabar comigo, deixa eu dizer que ela conseguiu. 

Completamente!


Eu não conseguia tirar os olhos dela e nem queria, estava deslumbrado. Se eu dissesse que ela estava muito gostosa vestida naquela porcaria minúscula, ainda não chegaria nem perto de descrever a real imagem a minha frente.


Eu engoli seco, tive certeza de que se eu ainda não estava, tinha ficado duro na mesma hora.


O sorrisinho debochado no seu rosto me fez saber que ela sabia exatamente o que eu estava achando daquilo tudo. Ela deu um passo em minha direção e me beijou, provocante. Pôs as mãos sobre o cós da minha calça e arriou sem nenhum esforço. Senti seu corpo empurrando o meu pra trás e só paramos quando caímos na cama com ela por cima de mim. 


Puxei-a pelo queixo e a beijei, no pouco ou nenhum espaço entre nossos corpos, o beijo foi se tornando mais e mais quente. Miley estava com uma das mãos sobre a minha boxer e eu não sei como ela fez, mas quando eu percebi a peça não cobria mais nada do que deveria cobrir. 


Agora imaginem como eu fiquei estando em contato direto com aquela mulher vestindo aquele lingerie... Eu acho que até esqueci como é que faz pra respirar! 


Apertei suas coxas e fui subindo até a sua bunda, ela gemeu contra a minha boca, o que só me excitou ainda mais.


 Afastei seu corpo do meu, encarando seus seios perfeitos naquele lingerie maravilhoso. Eu não quis tirar, queria transar com ela vestida naquilo. Afastei a parte de baixo da sua calcinha, só um pouquinho, só pra me dar passagem. Levei uma mão a sua cintura e apertei, com a outra segurei base da minha ereção enquanto ela descia em mim bem devagarzinho. Segurei na sua bunda com força e guiei seus movimentos em cima de mim enquanto assistia seus seios balançando, seguindo o ritmo das cavalgadas. 


O rebolado dela era uma coisa de louco, eu jogava o meu quadril contra ela com violência, cada vez mais fundo e os seus gemidos só faziam aquilo ficar ainda mais delirante. Eu sabia que não ia conseguir aguentar por muito tempo, não com aquele corpo se movendo sobre o meu daquele jeito. 


Os nossos gemidos estavam cada vez mais altos e ela jogou o seu corpo contra o meu vindo me beijar. Senti seus seios espremidos contra o meu peito e apertei ainda mais sua cintura, atingindo o orgasmo junto com ela.


Eu dei uma risada estranha e sem fôlego abraçando sua cintura e ela me beijou mais uma vez, com sua respiração descompassada, antes de deixar seu corpo relaxar sobre o meu. 


(...)


Estava sentado na cama abotoando os últimos botões da minha camisa. Já tinha vestido a calça e a Miley estava em pé a minha frente com apenas um robe de seda sobre o corpo, o mesmo de hoje de manhã. Ela não tinha amarrado o cordão, então eu ainda tinha uma bela visão do seu corpo enfiado naquele lingerie diante de mim.


- Só quero deixar claro que eu não estou te expulsando. - Ela cruzou os braços me olhando – Mas é que você já dormiu fora de casa ontem e eu acho que a Demi está na sua cola.


Eu ri, o pior é que ela tinha razão.


- Tudo bem, já até me acostumei a ser só um objeto sexual – Fiz-me de ressentido e ela revirou os olhos. – Vocês mulheres são assim, usam e depois jogam fora.


Ela riu e eu a puxei pra mim enlaçando sua cintura com os meus braços e beijando a sua barriga.
O Cheiro da sua pele era tão gostoso.


- Então acha que eu estou só te usando pro sexo? – Ela deixou seus dedos deslizarem nos meus cabelos.


- Acho – Respondi – Mas não me importo, pode usar e abusar. – Rimos e eu deslizei meu nariz em sua pele. Eu queria fixar o cheiro dela na minha memória pra nunca mais esquecer. – Ei, a gente bem que podia ir juntos na festa do Mallone amanhã, o que você acha? – Sugeri.


- Nick, a gente já conversou sobre isso... – Sua voz era calma, seus dedos emaranhados nos meus cabelos faziam um cafuné, mas nem isso facilitava as coisas – Vai ter um monte de gente que a gente conhece lá, e um monte de paparazzi, e donos de revistas de fofoca. Você sabe que não dá, é exposição demais. 


- É eu sei... – Suspirei frustrado e fiquei de pé – Mas e daí? Você é livre e eu também sou. Somos donos das nossas vidas e não temos que dar satisfação pra ninguém! – Insisti.


- Você sabe que não é assim, não pra mim e pra você – Ela cruzou os braços tentando elevar o seu ponto de vista – Nick, nós tivemos toda uma história, não somos como dois desconhecidos que criaram um vínculo há pouco tempo. Se nos virem juntos as pessoas vão falar e você sabe.  Além do mais, nós não temos nada, pra que ir até lá e se expor desse jeito por algo que nós nem se quer sabemos se vai dar certo, ou se vai durar?!


Eu joguei a cabeça pra trás tentando não ficar com raiva, mas eu já estava. Não dela, mas “disso” tudo e do que ela disse. 


- “Nós não temos nada” É sério?! E “isso” que a gente estava fazendo aqui ainda agora, então? Não foi nada? O jantar, o tempo que passamos juntos, não foi nada  também? - Dei ênfase no “isso”, pois era assim que ela chamava o que tínhamos e me encaminhei para porta.


- Eu não disse isso. Você tá tirando tudo o que eu disse de contexto! – Ela tentou defender-se – E mesmo se eu tivesse dito, você não tem o direito de me cobrar nada! – Falou mais alto - A gente concordou que as coisas entre nós iriam ser assim, que ia ser só isso.


- Eu sei disso! – Rebati, virando para encará-la - Sei que não estamos juntos, tá bom?! Você não tem que me relembrar que é só isso a cada dez minutos! 


Eu me virei novamente pra porta e eu não sei se era a raiva, mas eu me senti mais lúcido do que nunca antes sobre essa nossa “relação”. 

É claro que era bom demais estarmos juntos, mesmo sendo assim de qualquer jeito. Abraçá-la, beijá-la e fazer amor com ela fazia tudo valer à pena, mas eu nunca iria passar disso pra ela, uma simples distração sem a menor importância.


- Me desculpe por “isso” e por acreditar que iria conseguir fazer dar certo. – Murmurei antes de sair, sei que ela ouviu.


 Assim que cheguei às escadas eu senti o gosto amargo do arrependimento. Eu estava sendo injusto com ela. Eu tinha dito que tudo bem, que as coisas iriam ser do jeito dela, do jeito que ela quisesse, mas a verdade é que eu não estou conseguindo segurar a barra.


Eu gosto dela. 


Mais que isso, eu amo ela. 


E eu quero mais que só... “isso”.


Quero sair, levá-la pra passear, jantar e à casa dos meus pais. Quero dizer o que sinto e pedir pra ela ser a minha namorada de novo. E depois de um tempo eu lhe daria um anel e pediria que ela me fizesse o homem de mais sorte no mundo, ao aceitar ser minha pra sempre. 


É isso que eu quero! 


Eu quero toda uma vida ao lado dela!


Eu parei. Havia chegado ao meio das escadas, e de repente terminar o percurso me pareceu à maior besteira que eu ia fazer na minha vida...


Droga, o que eu tô fazendo? 


Fiz a volta e subi os degraus correndo, abri a porta do quarto de novo e a surpreendi andando de um lado pro outro. Quando me viu, a surpresa em seu semblante foi evidente, mas eu só consegui achar ela ainda mais linda.


- Você... voltou? – Murmurou e eu fui até ela e puxei-a pela cintura.


Será que ela não percebe que eu sou louco por ela?


Vi o início de um sorrisinho bobo se formando nos cantos de sua boca. Juntei minha boca com a sua, em um beijo apaixonado. Ela retribuiu do mesmo jeito, entreabriu os lábios com os meus e permitiu que minha língua invadisse sua boca.


Eu não iria desistir dela!


Ficamos sem fôlego rápido, pela ansiedade do beijo, mas eu não me preocupei em quebrá-lo e ela também não, ofegava contra a minha boca, mas sem deixar meus lábios.


- Eu te amo! – Ofeguei encarando os mais bonitos olhos azuis que eu já vi, que arregalara-se quando ela se deu conta do que eu havia acabado de dizer. – É isso mesmo... – Falei um pouco mais claramente – Eu disse que amo você.


- Nick, eu não... – Não deixei que ela continuasse


- Miley, eu te amo, tá bem? Não estou te pedindo pra me corresponder. Pelo menos não agora. – Toquei minha testa na sua - Eu só quero que me deixe te dizer isso, que me deixe sentir isso! É só o que eu quero.


Eu não sabia se devia esperar por alguma resposta dela, eu nem sabia se queria uma resposta.


Tinha sido loucura dizer que amava assim desse jeito.


Eu a ouvi suspirar e o meu coração deu um sobressalto. 


- Acho melhor você ir embora. – Eu juro que quis morrer. Eu tinha dito tudo que ela não queria ouvir e agora ela iria me pedir pra deixá-la – A gente já demorou mais do que deveria aqui. – A sua voz tinha um toque de diversão que eu não entendi imediatamente. Eu não a estava olhando diretamente, pois eu não queria que ela me dissesse um “não” olhando dentro dos meus olhos, eu não suportaria. Ela tocou meu cabelo do seu jeito carinhoso bem particular e eu não entendi mais nada. Ergui meus olhos e ela estava sorrindo, parecia, sei lá... feliz. – A Demi já deve estar achando que você vai dormir aqui de novo!


Eu sorri pelo seu sorriso, mesmo ainda não entendendo muito bem.


- É, depois de ontem ela com certeza deve achar que... Espera, a Demi sabe que eu dormi aqui ontem?


Ela assentiu prendendo o riso e eu senti uma felicidade quase que inexplicável tomar conta do meu peito.


Ela havia contado à melhor amiga. 


Isso era um bom sinal, não era? 


Quer dizer, na linguagem das garotas quando uma garota fala de um cara pra outra é por que está interessada, não é?!


- Você sabe que a Demi é pior do que um cão farejador. É impossível esconder qualquer coisa da sua cunhada.


Eu gargalhei, mas não por ter achado o comentário assim tão engraçado, apesar de concordar em gênero, número e grau, mas ri porque me senti lisonjeado. 


Ela falou sobre a noite de ontem e sobre mim. E se ela falou foi por que gostou o suficiente pra achar que valia a pena o comentário.


Pousei minhas mãos sobre seus quadris. Dei uma olhada rápida em seu corpo e no lingerie com o qual eu provavelmente sonharia essa noite e cheguei mais perto.


- É, essa sua amiga é mesmo muito fofoqueira! – Disse colocando meus lábios próximos aos seus e a Miles apesar de ter rido, deu um tapa no meu braço defendendo a amiga – Mas já que ela já sabe aonde é que eu ando passando a noite, acho que só mais uma vezinha não faria mal.


- Você não toma jeito mesmo, não é? – Ela me analisou


- Com você? Nunca! - A puxei pra mim, colando nossos lábios.


(...)


Depois de vários beijos que quase tomaram um rumo mais “sério”, por assim dizer, a Miley me levou até a porta.


- Tem certeza? – Perguntei – Quer mesmo que eu vá embora? – Era pateticamente divertido, só ficar enrolando pra não ir. 


Eu queria beijá-la de novo e depois de novo, sem nunca parar.


- Uhum! – Ela assentiu. Desvencilhou-se dos meus braços e girou a maçaneta – Vamos lá Jonas, dê o fora da minha casa! – Ela abriu a porta e apontou pro lado de fora.


Eu caminhei até o lado de fora obediente, mas não deixei que ela fechasse a porta sem roubar mais um beijo.


- Não vou mais te convidar pra vir aqui! – Reclamou com a boca ainda contra a minha – Você é mais difícil de expulsar do que os parentes chatos! – Eu ri e ela junto comigo, aí ela me beijou.


- Na verdade é você que não quer que eu vá! – Falei – Fica aí me mandando ir embora, quando na verdade está tentando de tudo pra eu ficar... Olha só, veio me trazer na porta só de lingerie. – Deixei que um de meus dedos escorregasse em sua pele, bem rente a um de seus seios. – Fala a verdade, você faz essas coisas só pra me provocar, não é?


- Não seja convencido, nem tudo no mundo é sobre você, Nicholas. – Ela usou seu tom mais esnobe – O meu bom gosto pra lingeries, por exemplo, não tem nada a ver com você! – Ela colocou uma mão na cintura, o que afastou um pouco o robe e me deu uma visão privilegiada da sua calcinha. 


Notei uma coisa que eu ainda não tinha reparado. A lateral da peça eram só duas tirinhas... Como diria o Josh, Cruel!


- Tá, mas eu devo dizer que aprovo totalmente o seu bom gosto pra lingeries, amor. – Ok. Eu sou um cara decente, mas... Puta merda! Eu tinha que passar a mão naquelas tirinhas!


Coloquei a mão em sua cintura e tentei disfarçar enquanto descia até onde eu realmente queria colocá-la. Vi seu típico sorrisinho antes dela acabar com a minha diversão e fechar a porta mais um pouquinho, deixando só uma fresta entre a gente.


- Se quando você chegar em casa a Noah ainda estiver acordada, manda ela vir dormir aqui. – Pediu - Não quero dormir sozinha.


Muito cruel!


- Vai dormir sozinha por que quer. Eu estou bem aqui, totalmente disponível!


- Vai pra casa, Jonas! – Ela fechou a porta.


Eu voltei pra casa tendo certeza que não ia conseguir dormir direito, só pensando nela.


(...)


Narrado por Liam


- Por favor, senhor, por favor, não faça isso! Eu tenho família, filhos! – o homem implorava enquanto meus capangas o arrastavam pra dentro de um armazém abandonado que ficava longe o suficiente pra que ninguém tivesse que escutar os gritos vazios desse infeliz. – Eu juro que vou pagar tudo o que devo a vocês. Eu só preciso de um pouco mais de tempo!


Aquele imbecil acreditava mesmo que eu estava dando alguma atenção aos seus choramingos. 

Só que eu não estava. 

Tudo que eu conseguia pensar era “nela”. 

Eu precisava dar um jeito de trazê-la de volta, mas eu ainda não sabia como. Contanto que eu a trouxesse pra cá, eu tinha meios de fazê-la ficar e nunca mais voltar pra aquela maldita Califórnia e o bando de caipiras imbecis que ela chama de família e amigos, que só querem separar nós dois. Mas isso não importa mais porque eu já tinha o plano perfeito. Miley iria se casar comigo, eles gostando ou não disso. 

Ela vai ser minha!


Eu só preciso pensar em alguma coisa que seja boa o suficiente pra fazê-la voltar aqui, pra que então eu possa finalmente colocar o meu plano em ação e me casar com a mulher que eu escolhi pra mim.


Só que a Miley ter descoberto o meu caso com a Delta e terminado comigo não fazia parte desses planos. 

Eu sei que ela está magoada, mas também sei que isso passa. Eu vou voltar pra Los Angeles semana que vem e vou dizer meia dúzia de bobagens românticas e sei que ela vai ficar toda derretida novamente. E se não fosse a maldita família dela, tenho certeza que até a convenceria a voltar o quanto antes pra cá. 

Só que esse divórcio dos pais dela está estragando tudo! 


Seria tudo tão mais simples se o velho caipira já estivesse morto. Eu teria um empecilho a menos em nossas vidas e ainda evitaria me preocupar em ele dar com a língua nos dentes.


Eu precisava correr, tinha que trazer a Miley pra cá o quanto antes.


Os meus homens amarraram o imbecil numa cadeira. Eles já tinham batido tanto nele que estava totalmente desfigurado. É claro que eu não encostei um dedo se quer nele. Não iria sujar minhas mãos com o sangue imundo desse insignificante.


Ele gastava suas ultimas energias implorando para que eu o deixasse ir. Só que ele devia a minha família mais dinheiro do que a porcaria da vida dele valia. 


Eu preparei a minha arma e apontei na cara dele.


Eu sempre detestei ter que fazer o trabalho sujo, mas eu não tinha escolha. Enquanto o meu irmão mais velho cuidava dos grandes negócios eu precisava lidar com esses vermes.


Eu estava cansando de sempre ser o número 2.


- Por favor! Por favor! – A figura do que um dia já fora um homem balbuciava. 


Eu já poderia ter atirado, mas aí seria fácil demais.


Eu empurrei o cano do revolver dentro de sua boca ensanguentada. Os choramingos de mulherzinha dele já estavam me dando nos nervos. 
Então eu tirei a minha outra arma do bolso e engatilhei diante de seus olhos, o covarde ficou com tanto medo que se mijou todo.


Eu acabei com ele. Atirei com as duas armas ao mesmo tempo, o que arrancou parte da cabeça dele e acabou espirrando um pouco de sangue na minha camisa.


- Merda! – Eu berrei tentando limpar aquilo de mim, sem sucesso. Os homens estavam me olhando temerosos pela minha reação. Até que um deles me entregou um lenço para eu me limpar – E quanto a vocês, arranquem os dentes dele e queimem as mãos e pés. Depois arrastem o corpo com um carro e só então se livrem dele. Não quero que a policia o reconheça, entenderam?


Eles assentiram


Quando fazíamos uma limpeza dessas tínhamos de nos certificar que ninguém encontraria nada. 

Nunca! 


Eu deixei que os meus homens cuidassem do resto e entrei no meu carro com intuito de ir pra casa tomar um bom banho, mas antes que eu sequer desse a partida, vi meu celular chamando e ao olhar no visor um nome bastante familiar .


- O que você quer? – Atendi


- Nossa! Que humor! – Sorriu - Isso é jeito de atender quem te deixou morrendo de saudades?! – Aquele tom exageradamente provocativo sempre me deixava ainda mais irritado.


- Saudades?! – Eu ri – Saudades eu sinto do tempo em que você não tinha o meu telefone.


- Ai, que crueldade! - Exclamou – Quem te escuta falando assim até acredita que você não tá louco de vontade de me jogar na sua cama e...


- Olha aqui Delta, eu to sem tempo pra ficar em dirty talk com você. Se tá carente vai procurar algum dos moleques com metade da sua idade pra quem você costuma dar e me deixa trabalhar.


- Escuta aqui seu filho da puta, pra quem eu dou ou deixo de dar não é da sua conta! E você deveria ser um pouquinho mais gentil com quem só tá querendo te fazer um favor!


- Ah, então você tá querendo me fazer um favor?! – Ironizei – Tudo bem, só me explica o porquê de tanta generosidade assim da sua parte, afinal nós dois sabemos que você não faz favores pra ninguém. Pelo contrário, você vende os seus favores, e a um preço bem chinfrim, pra qualquer um que quiser levar! – Pude ouvi-la engolir seco do outro lado da linha.


- Tudo bem, já que você quer agir assim, eu vou te deixar saber aonde a sua ex-noivinha vai estar amanhã e com quem, pelas revistas de fofoca. Tchauzinho Honey!


- O que?! A Miley? Delta espera! – Ela desligou na minha cara.


Vi que ela tinha me ligado durante a noite toda e tive que ligar pra ela umas trinta vezes até ela atender. 

A Delta é uma mulher insuportavelmente irritante, mas eu posso ser muito insistente quando quero e ela sabe disso.


- Para de me ligar! – Ela berrou


- Então termina o que começou! – Rebati


- Ok. Quero dez mil dólares na minha conta agora ou eu desligo o telefone e te deixo ser o ultimo a saber, como todo corno sempre é. – A Delta sabia a maneira perfeita de me irritar o máximo sem ter que dizer muita coisa.


Eu bufei e ela sorriu.


- Certo, mas eu quero a informação completa e quero um convite de onde quer que seja.


- Feito. – Ela fez uma curta pausa – Amanhã a noite é a festa da gravadora do Mallone.


- E daí? A Miley não trabalha mais pra ele, nem deve ter sido convidada.


- Aí é que está, ela não trabalha mais pra ele, mas o amiguinho e acompanhante dela trabalha.


- Do que você ta falando, Delta?


- Como você tá ficando lento Liam, o seu raciocínio já foi mais rápido do que isso! – Desdenhou – De quem você acha que eu estou falando?!


É claro que eu tinha um palpite, mas pela primeira vez na vida eu estava torcendo pra estar errado. 

Não poderia ser ele. Até onde eu me lembro a Miley o odeia, e pra mim tá muito bom assim.

- Eu não sei Delta e estou te pagando muito bem por informação e não por um jogo de adivinhação, então me diz o nome!

- Nick Jonas. – Ela disse e eu fiquei mudo. Só ouvir esse nome me dava vontade de meter uma bala bem nas fuças daquele desgraçado – A Miley vai a essa festa com ele. Eu mesma o ouvi dizer ao agente que iria levá-la e ainda tem mais, só que a informação adicional vai te custar um pouco mais.

- O quanto mais? – Perguntei entre dentes.

- cinco mil dólares. Ah, e um vestido Christian Dior pra eu usar na festa.

- Que seja, mas é bom que essa informação valha bastante à pena!

- Ah, ela vale! – Riu – O Nicholas está tentando ajudar a sua noiva a conseguir um contrato com outra gravadora aqui em Los Angeles. O agente dele já entrou em contato com algumas pessoas e eles vão querer falar com a Miley pessoalmente na festa, inclusive um tal de Steve Adam, que é apenas o produtor musical mais bem sucedido do país.  – Essa informação tava levando mais tempo do que eu realmente gostaria para ser processada. – Ah, e só pra você saber, Nick levou ela pra jantar hoje...

Então, quer dizer que esse infeliz está mesmo pretendendo se meter entre mim e a Miley outra vez?

Só que dessa vez eu não vou deixar. E mais do que isso, eu vou acabar de uma vez por todas com esse maldito fantasma de amor do passado.

- ...Você tem que vir pra cá o quanto antes! – Delta continuava falando ao telefone. – Deixa o seu irmãozinho limpar a própria sujeira e você vem tentar arrumar a bagunça que você deixou nesse seu relacionamentozinho com a rainha do drama, ou pelo menos o que restou dele. Liam?...Liam?!

Eu desliguei. A última coisa que eu precisava era continuar ouvindo a Delta. Eu não tinha mais tempo, eu precisava armar alguma coisa pra conseguir trazer a Miley de volta e dessa vez pra sempre. 

E rápido!

Liguei pros meus capangas e mandei que arrumassem um jato o quanto antes, assim que amanhecesse o dia. Eu não iria perder essa festa por nada.

(...)

Durante a noite eu acabei pensando numa coisa que talvez fosse dar certo, eu só iria ter que interpretar o meu melhor papel de noivo apaixonado. 

Já tinha arrumado um médico que alterou os exames como eu pedi por uma quantia significativa de dinheiro, é claro.  

E conhecendo a minha linda noivinha ao ler esses exames e saber “disso” ela iria voltar pra mim e nunca mais me deixaria.

 E talvez eu nem tivesse que usar a carta que eu tenho na manga. É, a morte daquele professorzinho de fotografia veio bem a calhar...

Continua...


N/A: Feliz 2018!

4 comentários:

  1. OMG!!! Estou muito feliz por vc ter voltado a postar. Esse capítulo está sensacional. Eu amei ele. Mas infelizmente tudo q é bom demais dura pouco. Eu sabia q algo ruim estava pra acontecer. O final do capítulo so fez confirmar as minhas suspeitas. É sempre assim. Quando as coisas estão um mar de rosas, sempre tem q ter um infeliz pra querer estragar tudo. Eu so espero q esses planos do Liam dêem tudo errado e q descubram as merdas q ele fez. O lugar dele é atrás das grades e não com a Miley.
    Agora vamos falar da parte boa... Esses momentos Niley eu ADOREI. O Nick sendo um fofo *-*. E eu tenho q dizer q a Demi e o Joe não poderiam ficar de fora dessa fic pq esses dois são uma comedia kkkk. Adoro eles. E o Nick? Será q vai passar a adorar sobremesa quando ficar sabendo do q a Miley estava falado? Kkkkkk
    Enfim... Amei o capítulo como sempre é claro. E pelo amor de Deus. Não demore pra postar, please. Eu nem sei como eu aguentei tanto tempo sem ler essa fic. Eu sempre olhava se havia um novo capítulo. Estou mega feliz por vc ter postado um capítulo novo. Não some de novo.
    Bjos!!!

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  2. Caralhoo, AMY. Não tô acreditando que essa fic tá viva. MEUDEUS.
    Acabei de ler faz pouco tempo e ainda to raciocinando.
    Depois de um ano volto aqui, toda despretensiosa, só pra reler alguns capítulos e tem um capitulo novo imenso e maravilhoso. pqp kkkkkk. Muitas emoções. Juro que comecei a ler chorando. Nem sei o que dizer, acompanho essa história desde o Nyah!, deve fazer tipo uns 5 anos haha, mas não ligo (sou muito esperançosa, há 5 anos estou aqui querendo saber o fim dessa fic), só não para de escrever, sério. Você escreve muito bem, sempre que leio eu vivo a história junto com o narrador.
    AH, também li o conto que foi postado em outubro e... nossa, que maravilhoso que ficou. Adorei o fato de ser super realista e não ter um final conto de fadas sem explicação. Enfim. Nem sei mais o que to escrevendo, tô feliz de saber que você não esqueceu totalmente disso aaqui. Tenta não sumir por muito tempo de novo!!
    bjs

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  3. Eu amei,estou ansiosa para o próximo capítulo😍❤ por favor não some

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  4. Amei posta mais capítulos estou amando essa história

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