Fique bem!
Narrado por Tish
Los Angeles, Califórnia, 10:11 AM (Horario Local) Hospital no
centro da cidade.
Estava em um dos quartos do hospital, apenas terminando de
arrumar as coisas do Billy. Ainda estava me perguntando como eu fui deixar a
situação chegar a esse ponto, Billy não iria voltar pra casa e nem muito menos
me perdoar, isso estava claro agora.
Pra ser sincera, no começo eu até achei que esse acidente fosse
ser a solução de tudo, digo, quanto a nossa separação. Não que eu gostasse da
situação, mas isso obrigaria o Billy a ficar do meu lado por pelo menos mais um
tempo, e se nesse tempo eu conseguisse provar pra ele que o que eu fiz não
significou nada, que estou arrependida. Sei que estou sendo otimista demais
pensando desse jeito, sei que tão orgulhoso como Billy é as coisas jamais
voltariam a ser como eram antes entre nós, mas pelo menos, nessa situação, ele
precisaria de mim ao seu lado e essa necessidade o impediria de me deixar...
Ouvi a porta do quarto se abrindo, olhei de relance e vi Miley
passando por ela um pouco abatida, a verdade é que isso tudo não estava sendo
fácil pra nenhum de nós.
– Ah filha, que bom que você me esperou, eu estava terminando de
arrumar algumas coisas do seu pai... – Forcei um sorriso, a última coisa que eu
queria nesse momento é sorrir, mas eu só não podia ficar assim com essa cara na
frente da Miley - Acho que ele pode precisar lá na casa do Nick. Eu preferia
que ele voltasse pra casa é claro, mas orgulhoso do jeito que ele é isso não
vai acontecer! – Disse e de repente me veio à mente o porquê ele não voltaria,
me senti horrível. Certamente se arrependimento matasse, eu já estaria a sete
palmos debaixo da terra a um bom tempo.
Miley deu alguns passos em minha direção, chegando mais perto.
Não a encarei, apenas continuei dobrando as peças de roupa e colocando-as na
mala, tentando ao máximo sufocar a culpa e a tristeza que eu sentia.
– O que houve filha, algum problema?! – Perguntei desinteressadamente.
Não que eu não me importasse com os problemas da minha filha, eu apenas não
estava focada em outra coisa que não fosse à minha própria dor agora, mas seria
melhor ouvi-la falar do que continuar me torturando mentalmente.
– Mãe, que historia é essa que você traiu o meu pai?! - A voz de
Miley saiu acusadora e ao mesmo tempo confusa. Quando eu finalmente interpretei
o que ela disse perdi o ar por um instante. Até então eu não estava preparada
para responder essa pergunta, muito menos vinda dela, virei-me para encarar
minha filha e vi seus grandes olhos azuis fincados em mim, cobrando-me uma
resposta como os donos de cassinos que cobram dívidas de jogo.
Nervosa e atordoada eu apenas abri a boca na intenção de uma
resposta, mas nada saiu dela.
– Anda mãe, diz alguma
coisa! Me responde, isso é verdade? – Ela quase gritou.
- Q- quem te disse isso, foi o seu pai?! - Eu até tentei
formular uma frase mais coerente e menos confirmadora da minha culpa, mas eu
simplesmente não estava preparada para esse momento. Jamais achei que o Billy
contaria isso a ela, não era do feitio dele usar uma das filhas contra mim. –
Como ele teve coragem de fazer isso?! - Murmurei
- Como VOCÊ teve coragem! – Ela berrou apontando o dedo pra mim
e então depois de alguns segundos suspirou pesadamente balançando a cabeça um
pouco imprecisa e arrependida - Olha, eu acho que quem me contou não vem ao
caso agora, mas não foi o papai. - Ela tentou se acalmar um pouco – E-eu só
quero entender, então isso é mesmo verdade?! – Ela começou a andar de um lado para o outro
do quarto – Eu preciso ouvir de você!
De todos os meus filhos a
Miley é a que mais se parece com o Billy. Tem um grande senso de justiça e é
uma pessoa extremamente leal, que preza acima de qualquer coisa a família, e é
exatamente por isso que ter que explicar as coisas a ela e contar toda a verdade
seria tão difícil e doloroso quanto foi contar a ele.
– Mãe...?! – Me encarou como se pedisse pra eu me apressar a
falar.
- ... – Um nó tinha se formado em minha garganta, mas eu sabia
que tinha chegado a hora de contar toda a verdade a ela e por mais difícil que
fosse eu teria que fazê-lo – Bem, é, é verdade...
- COMO VOCÊ PODE?! – Ela me interrompeu com um berro. Seus olhos
já estavam cheios de lágrimas e eu já estava até chorando – Como foi capaz de
fazer isso com alguém como o meu pai?! – Continuou indignada - Ele, ele
idolatrava você, ele te amava! – Ela cuspiu as palavras de uma forma tão feroz
que só me fez sentir ainda pior.
- EU SEI!! – Gritei em meio aos gemidos e soluços abafados do
choro - Eu sei... Eu sei! Eu queria que as coisas não tivessem sido desse
jeito, mas aconteceu!
- E como, por que você deixou acontecer?! Voce não amava mais o
meu pai, é isso?!
- É claro que eu amava... – Fiz uma curta pausa – Ainda o amo! Mas tem
momentos na vida que não agimos com a razão, filha... Seguimos nossos impulsos
e cometemos erros, coisas insignificantes e repugnantes que acabam destruindo
tudo que um dia nós achamos que tínhamos!
- Achava que tinham não, vocês tinham! Voce e o papai tinham um
relacionamento estável, um casamento feliz, filhos... Vocês se amavam! – Ela
alegou, mas eu neguei veementemente.
- Não mais! – Murmurei – Há muito tempo seu pai e eu não
tínhamos mais um casamento feliz, – Sentei-me na cama apoiando as mãos nos
joelhos e de cabeça baixa – brigávamos demais e ele estava sempre fora de casa.
Eu não acho que foi falta de amor, na verdade foi mais pra negligencia nossa
mesmo, mas eu estava machucada e me sentindo mal amada, achei que eu poderia,
até mesmo que eu deveria, me dar uma chance com outro alguém!
- Então por que não conversou com o meu pai, por que não disse
isso a ele?! Sei lá, na pior das hipóteses vocês se divorciavam logo de uma
vez, qualquer coisa, você só não tinha que traí-lo! – Miley argumentou,
parecendo ainda inconformada com o que eu havia feito e eu não esperava menos.
- Quando você está do lado de fora tudo parece mais fácil! –
Disse pausadamente – Miley entenda, eu achei que não tinha mais nada o que
perder; meu casamento estava por um fio, meus filhos tinham todos seguido o seu
próprio rumo – Suspirei – bom, nem todos, mas a Noah é uma menina esperta e
ficaria bem, foi o que eu pensei... Na verdade eu nem sei se eu pensei! –
Voltei a chorar – Eu estava me sentindo um trapo e derrepente apareceu alguém
me dizendo coisas que o seu pai já não dizia mais e eu, eu me iludi, achei que
estava apaixonada novamente, que esse sentimento era maior que qualquer outra
coisa e acabei perdendo tudo que realmente tinha valor pra mim!
- Mãe, você tem quarenta anos e não quinze, sempre foi a pessoa
mais sensata na nossa família, então não me pede pra acreditar nessa historinha
aí de “Ai, eu fui iludida!” porque não vai rolar. Quem foi o cara?! – A
pergunta que eu mais temia apareceu mais cedo do que eu esperava.
- Que?!
- O cara, quer dizer, se você traiu o meu pai teve que fazer
isso com alguém não é?! Quem foi?! – Miley cruzou os braços, parada de pé a
minha frente.
- Miley, foi algo totalmente sem importância pra mim, poderia
ter sido qualquer um, eu me sentiria do mesmo jeito, por que eu amo o seu pai!
– Tentei desconversar, mas a Miley parecia bem interessada no assunto.
- Ta bem, - Suspirou pesadamente - não quer falar não fala, mas
você sabe que eu vou acabar descobrindo de um jeito ou de outro! – Miley foi em
direção à porta do quarto, ela iria sair, mas eu a impedi.
- Miley, espera! Filha, me promete, – Puxei-a pra que ela me
encarasse – me promete por tudo que você mais ama que você não vai mais remexer
nessa historia, Miley. Voce já sabe tudo o que tinha que saber e essa história
já deu tudo o que tinha que dar, até me separou do seu pai. Promete pra mim
filha, promete que não vai tentar descobrir mais nada!
- Se não quer que eu tente descobrir é só me contar! – Ela falou
seriamente.
- E pra quê?! Que diferença faz com quem foi?! – Suspirei –
Filha, isso só vai abrir mais feridas e, e você talvez nem entenda e me ache
ainda pior!
- Mãe, você traiu o meu pai. – Encarou-me - Não tem como eu te
achar pior que isso! – Deixei algumas lágrimas rolarem no meu rosto quando ouvi
essa frase.
Miley deixou um molho de chaves sobre uma mesinha que havia no
quarto e se dirigiu a porta novamente.
- Não diga nada disso a sua irmã. – Pedi quando ela abriu a
porta, ela parou por alguns segundos e olhou em minha direção – Por favor, eu
não quero que ela pense que...
- Eu não vou contar. Não por você, por ela! – Ela saiu e fechou
a porta. Eu chorei mais. Deixei meu corpo praticamente desabar sobre a cama, eu
já não conseguiria mais encarar a minha própria filha. Céus, quando esse
tormento iria terminar?!
Bom, pelo menos agora que ela já sabe de tudo eu tirei um peso
da consciência, não aguentava mais ter que esconder isso da Miley. Meu único
medo é a Noah, eu não quero que ela saiba nada disso, ela é só uma criança,
jamais entenderia, acharia que eu sou um monstro e escolheria ficar com o
Billy. Eu já perdi o meu casamento, não suportaria que esse erro estupido ainda
arrancasse de mim a minha filha.
Narrado por Noah
Los Angeles, Califórnia, 17:23 PM (Horário Local) Apartamento do
Nicholas.
- Pronto papai, terminamos! – Disse olhando em volta, foi aí que
reparei uma coisa fora do lugar – Espera, acho que esse vai ficar melhor aqui –
Estava me referindo a um porta-retrato que coloquei sobre o criado mudo. Nós
estávamos arrumando o resto das coisas do papai de volta no quarto de hospedes
da casa do Nick, já que agora ele ficaria por aqui definitivamente.
- Ficou ótimo, – Ele sorriu bagunçando um pouco o meu cabelo –
gosto dessa foto!
- Eu sei por isso eu coloquei aqui, pra quando você sentir
saudades! - Na foto estávamos eu e ele
no último verão que passamos todos juntos na fazenda.
- Já que é assim, prometo que vou olhar pra ela todas as noites antes
de dormir, está bem?! – Ele disse e eu assenti. Depois que o papai saiu de casa
eu sempre senti medo que ele se esquecesse de mim, a maioria dos pais
divorciados acaba deixando os filhos de escanteio e eu não queria que isso
acontecesse comigo.
Fiquei pensativa.
Eu o ajudei a sair da cadeira de rodas e deitar na cama.
- Papai, posso perguntar uma coisa?
- Claro amor, o que é? – Ele me olhou
- Mesmo que você nunca volte pra casa ou pra mamãe, isso não
significa que você vai esquecer de nós, não é? – O encarei. Ele segurou a minha
mão bem forte e me puxou pra sentar na cama, perto dele.
- Filha, eu jamais esqueceria de vocês! – Ele colocou uma mecha
do meu cabelo pra trás da orelha – Nem de você e nem de nenhum dos seus irmãos,
vocês são tudo pra mim!
- É que eu achei que como você não ama mais a minha mãe, você
talvez não fosse mais amar a gente... – Confessei temerosa, olhando para as
minhas mãos.
- Filha, claro que não! De onde você tirou isso?! – Ele segurou
minhas mãos entre as dele – Eu sempre vou amar você, todos vocês! – Beijou
minha testa e me abraçou – E não é que eu não ame mais a sua mãe, – Suspirou –
é só que nós não podemos mais ficar juntos.
- E por que não podem? – Ergui-me um pouco em seu peito para
encarar seus olhos – Eu queria que vocês ficassem juntos e que você voltasse
pra casa!
- Eu também queria poder voltar princesa, mas... não dá, eu não
consigo, desculpe-me mas não tenho forcas o suficiente, querida! – Ele me
abraçou novamente, mais apertado dessa vez.
(...)
Nós estávamos no início do mês de dezembro. As madrugadas
durante essa temporada eram as mais frias do ano. Papai já estava deitado e
depois que ele tomasse os remédios iria dormir, eu achei melhor pegar uns
cobertores extras pra ele.
Fui até o quarto do Nick ver onde ele guardava a roupa de cama.
Eu até tinha passado na lavanderia da casa antes, mas não tinha nada por lá.
Abri o guarda roupa atrás dos cobertores, mas eles estavam lá no alto... Nem
pro Frankie estar aqui, ele que gosta de ficar se pendurando nas coisas feito
um macaco!
Quando eu estava escalando o guarda roupa, sem querer deixei uma
coisa cair no chão.
- Droga! – Murmurei pra mim mesma e peguei os cobertores, então
desci – Espero que não tenha quebrado nada! – Pedi mentalmente. Por sorte, o
que caiu foi só uma caixa com um monte de papeis dentro então tudo que eu
precisaria fazer era recolher as folhas e organizá-las dentro da caixa de novo.
Comecei a catar as folhas de papel espalhadas pelo chão do
quarto e coloca-las em ordem, não havia prestado muita atenção a principio, mas
vi que na verdade aqueles papeis todos eram cartas...
- Olha só essa letra, parece um pouco com a da Miles - Olhei
mais de perto e vi que no cantinho estava escrito “ XOXO Miley” – Ok, isso
definitivamente é dela! – Na verdade todas eram dela.
Tinha umas fotos também, e postais, até letras de músicas. Umas das
cartas eram bem antigas da época quando ela ainda pingava o i com coracão. Ri
disso.
A julgar pela quantidade de cartas, dava pra ver que o Nick
tinha guardado todas, ou pelo menos a maioria, desde o inicio do namoro deles. Não
pude evitar a curiosidade de ler alguma delas.
– Vamos ver, essa aqui! – Peguei uma pra ler
“ Querido
Nick
Oie, e
então, como vai? Espero que esteja bem... Parece que esse vai ser mais um
aniversário que vamos passar sem poder nos ver, então eu escrevi isso. Sei que
não é a mesma coisa e que deve ser tao difícil pra você quanto é pra mim, mas dizem
que não há barreiras quando o amor é verdadeiro. Eu quero muito acreditar que isso
é verdade!
Eu
tenho sentido muito a sua falta ultimamente, mas eu sei que os sacrifícios que
estamos fazendo agora são necessários. Ontem eu estava indo de carro com o meu
pai para Chicago e quando a sua música tocou na rádio, nossa, eu senti tanto
orgulho, acho que até mais do que quando escutei a minha própria música na rádio
pela primeira vez! Eu pensei: Ei, esse é o meu namorado, a voz dele é incrível!
haha Ok, Acho que você não precisava saber desse detalhe...
Nós
estamos conseguindo, não é?! Aos poucos estamos chegando onde sempre quisemos e
nem parece que já passou tanto tempo. Já faz dois anos, desde que nos
conhecemos naquela festa na casa do Zac. Sabe que se eu fechar os olhos ainda
consigo visualizar tudo... Eu estava ali um pouco deslocada, apenas fingindo me
divertir então eu me virei e vi você chegar. Você estava do outro lado do salão
com os seus amigos, rindo de alguma palhaçada do Joe, eu acho. Lembro-me de ter
comentado com uma amiga sobre você e eu quase não acreditei quando você atravessou
o salão só pra vir falar comigo... E desde então você meio que está gravado
dentro de mim, é engraçado porque tudo de repente se tornou sobre você e sempre
que eu penso em ‘alguém’ eu só penso em você.
É
triste passar uma data especial como essa longe de você. Eu estava olhando o
céu lá fora mais cedo pensando sobre isso e acabei percebendo uma coisa: Nós
vamos nos deitar sob estrelas diferentes essa noite, eu estou onde estou e você
está onde precisa estar, mas sabe, onde quer que você esteja e não importa a
distancia, ainda é o mesmo céu sobre nós e a única razão pela qual eu ainda
estou acordada é que eu precisava escrever isso, hoje, só pra te dizer como me
sinto e me fazer presente em sua vida de alguma forma... Eu nunca achei que
chegaríamos tao longe, mas estou feliz por termos chegado e bem, eu te amo, não
importa o quão longe estamos ou quanto tempo vamos ter que permanecer assim, os
meus sentimentos sempre serão os mesmos, como o céu sobre nós!
Você é
o único que tem o meu coração, você sabe.
Miley”
-Uou! – Exclamei correndo meus olhos pelas ultimas linhas – Isso
é o que eu chamo de estar apaixonada! – Sorri – Quem diria que a Miley era tão
romântica assim com quinze aninhos?! Ainda mais se compararmos com o jeito
marrento dela de hoje em dia... – Eu dobrei a folha e a coloquei de volta no
envelope. Eu até iria ler outra, mas eu ouvi um barulho na porta da frente.
Mais que depressa eu peguei a caixa das cartas e devolvi pro
guarda-roupa, eu sei que poderia ser qualquer um na porta, mas e se fosse o
Nick?! Eu é que não queria que ele me pegasse no flagra mexendo nas coisas
dele, ainda mais em coisas tão pessoais, tenho certeza que ele não ia gostar
nem um pouco.
Peguei o cobertor pro papai e já ia dar o fora quando vi que
esqueci a porcaria da carta que eu tava lendo em cima da cama. Tá vendo, na
pressa a gente só faz besteira! Eu até queria devolve-la pro lugar, junto com
as outras cartas, mas eu estava com medo demais de alguém entrar no quarto e me
pegar com a boca na botija, então eu apenas guardei a carta comigo no bolso da
minha calça jeans. Amanhã eu daria um jeito de devolvê-la ao devido lugar.
Saí do quarto devagar e com calma, tentei evitar qualquer
barulho só que...
- Noah? – Jenny estava entrando no quarto do Frankie, que era no
mesmo corredor do quarto do Nick – O que você tava fazendo no quarto do tio
Nick? – Ela me olhou desconfiada.
- Ah, eu, eu só vim pegar um cobertor extra pro meu pai. –
Mostrei o cobertor pra ela – Só isso!
- Uhum... Sei – Ela ainda me pareceu um pouco desconfiada, mas
pelo menos não disse mais nada, só entrou no outro quarto e eu suspirei
aliviada.
Frankie e Mandy estavam na sala da casa, a Mell também estava
com eles.
- Oi gente! – Cumprimentei e já fui seguindo pro outro corredor
que levaria ao quarto que meu pai estava.
- Ei Noah, espera! – Frankie veio até mim correndo – Se eu fosse
você não entrava aí agora, a sua mãe tá aí!
- A minha mãe?! – Fiquei um pouco surpresa, da outra vez que o
meu pai veio pra cá ela não veio aqui nem uma vez...
- É, quando a gente chegou ela estava lá na porta da frente
esperando pelo Nick, ela tava parecendo um pouco nervosa, a Mandy a deixou
entrar pra falar com o seu pai.
- Hum...Eu vou lá! – Disse e segui
- Tem certeza? Eles podem estar conversando – Frankie argumentou
- Se estiverem eu não vou atrapalhar em nada! – Teimei e fui pra
porta, fiz sinal para o Frankie voltar pra sala antes de abri-la bem devagar.
- Voce não tinha o direito de ter contado a ela Billy, não assim
de qualquer jeito, não sem ter falado comigo antes! - Mamãe dizia ríspida – Voce deveria ter
preparado ela e não pego uma bomba dessas e jogado nela assim de uma hora pra
outra!
- Não faz drama Tish, a Miley não é mais nem uma criancinha que
não é capaz de compreender as coisas! – Papai retrucou num tom um pouco arrogante
– E eu já disse que não contei nada a ela, mas nós dois sabíamos que mais cedo
ou mais tarde ela acabaria sabendo. – Ele revirou os olhos. Eu não estava
entendendo muito do que eles estavam falando, só sabia que tinha haver com a
Miley e com algo que a mamãe não queria que ela soubesse, mas que parece que
ela acabou descobrindo.
- Você só fala assim porque não viu o jeito como ela me tratou
lá no hospital! – Ela deu alguns passos em direção à cama e sentou-se na
beirada – E eu fiquei totalmente perdida, não soube nem o que dizer a ela,
provavelmente ela acha que eu sou uma vadia! – Mamãe começou a chorar. Mas por que
a Miley acharia que a nossa mãe é uma vadia?!
Papai pareceu ficar um pouco sem jeito ao ver a mamãe chorar
- Tish, a Miley não é assim, ela não deve estar pensando nada
disso... – Ele tentou consola-la.
- Eu não sei, eu acho que nunca mais vou conseguir encarar a
minha filha! – Lamuriou um pouco. Eles ficaram um tempinho em silencio, mamãe
ainda estava soluçando – Eu não quero que a Noah saiba, por favor, eu sei que
um dia teremos que explicar as coisas pra ela, mas eu não tenho condições pra
isso agora! – Ela encarou meu pai. Meu coração de repente acelerou.
O que eles não queriam que eu soubesse afinal?!
- Eu não vou contar e tenho certeza que a Miley também não, até
por que quem tem que fazer isso é você! – Mamãe ficou pensativa. Eu até esperei
pra ver se eles iam dizer mais alguma coisa, mas mamãe levantou-se da cama e
foi pegar a bolsa, ela com certeza já iria embora.
Voltei pra sala quase correndo e me sentei no sofá ao lado do
Frankie que olhou estranhando o meu jeito um pouco estabanado. Na verdade
aquela conversa estava martelando na minha cabeça, o que é que eles estão
escondendo de mim?
Logo em seguida mamãe veio em direção à sala e eu fui até ela.
- Oi mãe! – A abracei
- Oi filha, não sabia que você estava aqui, pensei que estivesse
em casa, com a Mandy!
- É que a Mandy tá tomando conta da Mell da Jenny e do Frankie
também, o Nick pediu. - Expliquei
- Ei, de mim não, já sou homem! – Frankie se meteu e eu revirei
os olhos
Nessa hora o Nick e a Miles chegaram em casa juntos, como
estávamos na sala eles deram de cara com a gente.
- Mãe? – Miley encarou a mamãe. Ela não estava agora, mas
percebi que tinha chorado e muito – O que ta fazendo aqui?
- Eu? – Mamãe ficou meio errada – Eu nada, filha, só vim buscar
a Noah, só isso! – Mamãe segurou a minha mão.
- Hum...
- Nós estamos indo pra casa jantar, você não vem com a gente,
querida?! – Mamãe perguntou a Miley toda carinhosa, mas ela mostrou
indiferença.
- Eu vou sim, só vou dar um beijo no papai e encontro vocês lá!
– Ela disse e mamãe e eu viemos pra casa.
(...)
Durante o jantar a Miley e a mamãe estavam muito estranhas, elas
mal se falaram e pra ser sincera tava um clima meio pesado entre as duas. Eu
não tenho certeza, mas acho que tem haver com aquela coisa que a Miley descobriu
sobre a mamãe e que eles não querem que eu saiba.
- Miles! – Chamei entrando no seu quarto, eu já estava de
pijama.
- Oi – Ela respondeu de dentro do closet
- É que eu não to conseguindo dormir, posso ficar um pouco aqui
com você? – Pedi me atirando na cama dela.
- E eu tenho escolha?! – Ela disse erguendo uma das sobrancelhas
quando me viu já deitada na cama. Fiz biquinho – Claro que pode! – Ela também
se atirou na cama ao meu lado.
No inicio conversamos sobre coisas bobas, eu queria perguntar da
Miley sobre esse segredo da mamãe, mas eu sabia que ela não me diria nada. Arrancar
informações da Miley é uma missão quase impossível... Quase.
- Miles, você está chateada com a mamãe? – Perguntei tentando
parecer sutil.
- Não. Por que a pergunta? – Ela me encarou.
Resposta direta é praticamente uma confirmação se tratando da
Miles!
- Não, por nada, é só que eu achei vocês um pouco esquisitas uma
com a outra na hora do jantar, só isso! – Disse simplesmente. Eu sabia que a
Miley estava mentindo, ela estava brava sim, a própria mamãe admitiu isso na
conversa com o papai, mas eu precisava ser cuidadosa com as palavras.
- Isso é coisa da sua cabeça Noah! – Ela cortou o assunto e
ficou calada. Ótimo! Agora eu vou ter que deixar isso pra uma próxima vez, se
não ela pode ficar desconfiada que eu sei de alguma coisa. Mas isso não me
impediria de tentar saber sobre uma outra coisa que estava despertando muito a
minha curiosidade ultimamente.
- Ei My, você lembra de quando conheceu o Nick? – Perguntei
assim como quem não quer nada. Na verdade eu queria saber como ela se sentia em
relação a ele, se ainda se sentia do mesmo jeito como quando ela escreveu aquela
carta.
Desde que a Miley voltou da Austrália que ela está diferente,
bem mudada, mas eu não sei por que, sempre que o Nick está por perto ela parece
voltar a ser a Miley de antes.
- Ah, foi numa festa na casa de um amigo meu, eu tinha mais ou
menos a sua idade. Nick e os amigos dele também foram convidados e bem, todos
nos conhecemos lá... Mas isso já faz tanto tempo, - Ela tentou demonstrar
desinteresse, mas eu vi o jeito como ela pareceu ainda lembrar-se de tudo
perfeitamente – por que está me perguntando sobre isso agora, Noah?
- Nada demais é que você e o Nick são amigos desde que eu me
entendo por gente e de repente eu lembrei que nunca tinha te perguntado isso
antes... – Fiz minha melhor carinha de inocente.
- Sei... E por que todo esse interesse repentino nisso hã, justo
hoje? – Ela me olhou desafiadora.
Tem certas coisas que parece que a Miley tem um faro, mano!
- Por nada horas, eu só tive curiosidade. Eu achava vocês tão
fofos naquela época! – Pisquei os olhos meigamente. A Miley rolou os olhos
tentando parecer entediada – Voce parecia gostar tanto dele... Eu lembro que
você vivia escrevendo cartinhas e mais cartinhas pra ele, toda apaixonadinha! –
Fiz uma voz melosa nas palavras diminutivas. A Miley ficou um pouco envergonhada
e irritada.
- Eu não vivia não! – Negou. Miles, Miles desse jeito o seu
narizinho vai crescer, meu bem! – E nem era toda “apaixonadinha” por ele! – Ela
tentou imitar o mesmo jeito que falei – Ele foi meu primeiro namorado, alguém
especial pra mim e eu gostava de escrever na época, só isso! – Defendeu-se, mas
acho que sem querer acabou soltando algo bem confidencial – Agora vamos dormir,
tá bem?! Já tá tarde e eu to cansada! – Ela saiu da cama e foi pra dentro do
closet. É, acho que deu de tentar bancar a detetive, pelo menos por hoje.
Fui pro meu quarto e até tentei dormir, de verdade, mas eu
ficava rolando na cama angustiada, sem conseguir.
Tudo que eu tava vivendo era tão desesperador, quase que como um
pesadelo real. Às vezes eu até queria acreditar que era, sabe, um pesadelo e
que uma hora eu iria acordar e tudo estaria bem de novo... Mas eu sabia que
não, que eu teria que começar a aceitar o fato de que as coisas do jeito que eu
conheço logo não serão mais as mesmas. Isso fazia o meu coracao ficar apertado,
eu não queria que nada tivesse que mudar, nunca!
Meio atordoada por pensamentos tristes eu desci as escadas da
minha casa devagar, fui até a porta da frente e sem fazer nenhum ruído abri e
saí. Agradeci mentalmente pela casa do Nick ser tão próxima, já pensou ter que ficar
andando de pijama por aí?!
Corri até lá e bati na porta, o próprio Nick abriu pra mim. Eu
estava confusa e com medo e quando eu me sentia assim só tinha uma pessoa que
conseguia me fazer esquecer de tudo e pegar no sono...
O meu pai!
- Papai! – Chamei baixinho entrando no quarto dele. Ele estava
na cama, dedilhando as cordas do violão lentamente, produzindo uma melodia doce
e delicada.
Ele me olhou terno, não disse nada e nem precisava, não eram as palavras
dele que estavam me fazendo falta e sim sua presença, eu não queria ficar longe
dele. Fui até ele, subi na cama depressa e o abracei, eu nem sabia por que, mas
tinha algumas lágrimas em meus olhos.
- Me deixa ficar aqui com você, pai! – Implorei escondendo meu
rosto em seu peito, papai acariciou meus cabelos e me deu um beijo singelo na
testa. Ficou apenas correndo seus dedos pelos meus cabelos durante um tempo.
(N/A: Tem uma versão dessa música cantada pela Adele também, mas
procurem ouvir a do Ronan, por favor, ela é mais acústica e é bem mais facil
pra imaginar o Billy Ray cantando)
- Quando você era só um bebezinho, tinha uma música que eu
costumava cantar pra você dormir... – Ele comentou. Eu me endireitei em seus
braços e ele continuou - Você não gostava das tempestades sabe, e chorava com
medo dos trovões que ecoavam alto demais na fazenda, isso era a única coisa que
fazia você se acalmar! – Então ele começou a tocar lentamente, a melodia me era
mesmo familiar, mas eu não conhecia tão bem, também, deveria fazer séculos que
não ouvia.
“Quando
a chuva está soprando no seu rosto
E o
mundo todo depende de você
Eu
poderia te oferecer um abraço caloroso
Para fazer
você sentir o meu amor”
Papai tinha razão, assim que ele começou a tocar, a música me
acalmou. Eu não sei, acho que é ele que me acalma na verdade. Quando ele está
por perto eu sempre tenho certeza que tudo vai ficar bem, não importa o que
aconteça e nem o quanto seja difícil porque ele sempre estará pronto pra me
proteger. Acho que ele é uma espécie de refugio, ou como um porto seguro pra
mim.
Aconcheguei-me em seu peito ouvindo a canção, honestamente eu
gostaria de poder ficar assim pra sempre.
Narrado por Nick
Los Angeles, Califórnia, 11:17 AM (Horário Local) Apartamento do
Nicholas.
Estava em meu quarto, tinha acabado de colocar os garotos na
cama e vim me preparar pra dormir, ou pelo tentar. Eu estava tão preocupado, a
Miley tava passando por tanta coisa e tava sofrendo pra caramba. Hoje, depois
da conversa que ela teve com a mãe ela tava arrasada e com motivos, pra ela foi
um choque saber o real motivo do divorcio dos pais.
“Quando
as sombras da noite e as estrelas aparecerem
E não
houver ninguém lá para secar suas lágrimas
Eu
poderia segurar você por um milhão de anos
Para
fazer você sentir o meu amor”
Enquanto eu vestia uma camisa, de relance eu olhei pela janela e
vi a luz do quarto da Miley acesa. Cheguei mais perto da janela e a vi, ela
estava na varanda, debruçada na mureta absorta em seus próprios pensamentos.
Parecia triste e isso me fazia sentir horrível, eu queria poder fazer alguma
coisa por ela, faria qualquer coisa pra não ter que vê-la derramar nenhuma
lágrima e nem nunca sentir dor.
“Eu sei
que você não se decidiu ainda
Mas eu
nunca te faria nada de errado
Eu já
sei que desde o momento que nos conhecemos
Não há
dúvida na minha mente de onde você pertence”
Flash Back On
Depois da merda que eu fiz contando pra Miley sobre o que aconteceu
entre os pais dela eu acabei não conseguindo impedi-la de ir atrás da Tish
tomar satisfação. Tá certo que eu não tive a intenção, na verdade eu achei que
a ela já soubesse de tudo, mas mesmo assim eu me senti culpado então fiquei
esperando por ela do lado de fora do quarto, no corredor.
O tempo parecia não querer passar, a cada vez que eu olhava no
relógio o ponteiro parecia nem ter se movido do lugar e nem sinal da Miley. Uns
quinze minutos depois, os mais longos da minha vida, eu me recostei na parede
um pouco entediado pela demora dessa conversa dela com a mãe... Do nada, vi a
porta do quarto em que antes o Billy Ray estava hospitalizado se abrindo e a
Miley sair por ela parecendo desolada.
- Miley?! – Chamei, mas ela não ouviu, ou só ignorou mesmo. Saiu
correndo feito uma louca pelo corredor, assim que consegui enviar o comando ao
meu cérebro eu saí correndo atrás dela – Miley espera! – Por sorte eu consegui
alcançá-la no fim de um outro corredor num andar mais a baixo, ela sentou-se no
pé de uma escadaria.
Fui me aproximando devagar, não queria que ela saísse correndo
outra vez.
- Tá tudo bem? – Perguntei assim que cheguei mais perto dela.
- Não, - Ela negou com a cabeça, as lágrimas estavam começando a
cair de seus olhos – Não tem nada bem! – Ela baixou os olhos e um pouco do seu
cabelo caiu sobre o seu rosto, impossibilitando que eu a visse chorar. Na hora
eu não consegui pensar em nada a não ser em ficar perto dela, em protegê-la,
conforta-la de algum jeito. Fui até ela e me sentei ao seu lado, me ajeitando
no pequeno espaço restante no degrau. Coloquei a mecha rebelde do seu cabelo de
volta no lugar e a fiz me encarar, pude ver seus olhos vermelhos e sua bochecha
molhada pelas lágrimas. Eu não disse nada, não havia nada que pudesse ser dito pra
fazê-la se sentir melhor ou a dor ir embora, mas entre todas as coisas que eu
poderia ter feito naquele momento, eu optei por passar meus braços em torno
dela e abraçá-la, trazendo-a pra mais perto enquanto ela se aninhava em meu
peito, o fiz da maneira mais terna e calorosa que consegui. Acariciei seus
cabelos e ela apertou mais seu rosto contra o meu peito, tentando abafar os
gemidos e os soluços.
Aos poucos as lágrimas
foram cessando e sua respiracão foi voltando ao normal, ela continuou com o
rosto escondido em meu peito, embora já não chorasse. Não fiz nenhuma questão
de solta-la, eu queria era poder prendê-la, desse jeito, em meus braços até
tudo isso passar. Apenas ficamos assim durante um longo tempo...
Flash Back Of
“Eu
passaria fome, eu ficaria triste e deprimido
Eu iria
me arrastando avenida a baixo
Não,
não há nada que eu não faria...
Para
fazer você sentir o meu amor”
Fiquei olhando pra ela durante algum tempo, não havia dúvidas em
minha mente. Eu sabia que não havia nada que eu não faria por ela.
Dei uns dois passos em direção a minha varanda e fiquei
recostado na porta. Não demorou muito pra ela me ver parado ali, observando-a.
“As tempestades estão
violentas sobre o mar revolto
E sobre
o caminho do arrependimento
Embora
ventos de mudança estejam trazendo entusiasmo e liberdade
Você
ainda não viu nada como eu”
Ela desencostou-se da mureta devagar e então me olhou,
mostrou-me um sorriso breve. Não era bem o que eu queria, mas já era alguma
coisa. Depois de um longo suspiro ela ia virar-se para entrar em seu quarto
outra vez.
- Fique bem! – Silabei, sei que ela conseguiu ler os meus
lábios.
- Eu vou ficar! – Ela silabou em resposta, também li os seus. E
então ela entrou.
As luzes do quarto dela se apagaram e então foi a minha vez de
soltar um longo suspiro.
“Eu
poderia fazer você feliz, fazer os seus sonhos se tornarem reais
Não há
nada que eu não faria
Vou ao
fim do mundo por você
Para
fazer você sentir o meu amor”
Narrado por Billy Ray
Los Angeles, Califórnia 11:21 PM (horário local) Apartamento do
Nicholas.
Quando a canção terminou, Noah já tinha pegado no sono. Suas
pálpebras pequenas tremiam um pouco porque ela estava sonhando. Por um momento
pensei que seria maravilhoso se ela pudesse continuar assim pra sempre, seria
tão mais simples. Eu jamais deixaria que alguém a machucasse ou que quebrasse
seu coração, ela sempre seria a minha garotinha e essa ligação especial que temos
jamais teria que acabar. Tenho me dado conta de que ela logo vai crescer e que
um dia irá embora, de certa forma eu irei perdê-la, assim como aconteceu com cada
um dos meus filhos, até com a Smile.
Só que dessa vez eu não terei a Tish, eu vou ficar sozinho...
Esse pensamento ecoou em minha mente, era tão assustador mesmo
pra um homem da minha idade pensar assim. Tentei ajeita-la na cama da melhor
maneira que pude, tentei não acorda-la, mas ela despertou um pouco.
- Hum... Ah, boa noite pai! – Ela murmurou e logo dormiu outra
vez, eu desliguei o abajur e me deitei ao seu lado, passando um dos meus braços
em volta dela.
- Boa noite, anjo, durma bem! – Eu fechei os olhos e tentei
dormir, mas os pensamentos que rondavam a minha mente me fizeram ficar acordado
durante a noite.
Continua...
N/A: PARABÉNS LETY!! Espero que você tenha gostado do seu presente... Capítulo INÉDITO só pra você.
Bom gente, esse capítulo só seria postado em fevereiro mas como dia 28 foi niver da Lety eu abri uma pequena exceção. Agradeçam a ela por uma proeza dessas de eu postar 2 capítulos de uma vez.
Espero que todo mundo goste! E vou ficar aguardando os comentários nos dois capítulos
Bjsssss!